29 de março de 2015

O BARULHO DA FLORESTA QUE BROTA


Jean-Yves Leloup é um dos pensadores importantes do mundo contemporâneo. Nascido em 1950, na França, ele é um cidadão do mundo.  Filósofo, terapeuta transpessoal, teólogo, ele é padre da igreja ortodoxa na França, e traduziu e interpretou textos bíblicos.  Seu pensamento é poético, universalista, multidimensional. Conferencista reconhecido internacionalmente, ele vem regularmente ao Brasil proferir seminários organizados pela Universidade da Paz.
Para Marie de Solemne, uma estudiosa da sua obra, “a considerável força da palavra de Jean-Yves Leloup é que ela é sistematicamente informada, ao mesmo tempo, por uma reflexão filosófica, psicanalítica e espiritual”. Os livros de Jean-Yves estão publicados em vários idiomas e fazem sucesso no Brasil. Entre os seus últimos lançamentos estão “Amar ... Apesar de Tudo” e “A Arte da Atenção”, ambos da Editora Verus. A entrevista a seguir foi concedida na sede da Unipaz, em Brasília.
Pergunta  – Você é sacerdote da igreja ortodoxa...
Jean-Yves Leloup - A ortodoxia é a tradição das origens do cristianismo. Inicialmente, o cristianismo era uma comunhão de igrejas. Havia a igreja de Jerusalém, a de Antióquia, a de Éfeso, a de Roma. Foi só no século 12 que a igreja de Roma se separou. As diferentes igrejas ortodoxas preservaram a tradição de comunhão e permaneceram unidas apesar das diferenças.
Pergunta  - Você acredita em Astrologia?
Jean-Yves Leloup – O homem é uma parte do universo e depende dos astros. Isso faz parte da sua unidade com o cosmo. Gosto das palavras de Santo Tomás de Aquino, que diz que  os homens dependem dos astros, mas são maiores do que eles. Não somos completamente determinados pelos astros. O homem é uma mistura de natureza e de aventura. Creio na Astrologia, mas não no determinismo.
Pergunta  – Quando você diz que aceita postulados da Astrologia, essa é uma opinião pessoal ou é um consenso em sua igreja?
Jean-Yves Leloup –  Na igreja ortodoxa há diferentes teólogos, com pontos de vista diversos. A linha de pensamento em que estou engajado respeita a Astrologia. A consciência da relação do homem com o universo,  a consciência da sua liberdade e a consciência daquilo que o ser humano faz em relação ao universo – essas são questões muito tradicionais. 
Pergunta  – No seu livro A Arte da Atenção, você define o oceano como “um deserto em movimento”. O deserto parece ser um dos seus temas constantes. Se para você  o deserto é uma metáfora,  ele simboliza o quê?
Jean-Yves Leloup –  Simboliza o silêncio –  o silêncio de onde vem a palavra e para onde a palavra volta. O deserto é  também uma metáfora da vacuidade – a vacuidade de onde vem o mundo e para onde esse mundo volta. Quando estamos no deserto,  nesse espaço de silêncio, nós nos aproximamos dessa vacuidade essencial e não somos distraídos pelas formas. Entramos em contato com o que não tem forma — a origem de todas as formas.
Pergunta  – Você acredita em reencarnação?
Jean-Yves Leloup –  A reencarnação é uma explicação possível. Ela é importante para dar-nos um sentido de responsabilidade e para colocar-nos em contato com as conseqüências dos nossos atos. A idéia de reencarnação está ligada à idéia de justiça e à lei do Carma. O Evangelho diz que o que você planta, você colhe. Nesse sentido, a idéia da reencarnação pode ser útil. Mas os grandes sábios da Índia dizem que a reencarnação é uma crença popular e uma forma de interpretar o que está além do espaço e do tempo. Crer na reencarnação é acreditar na continuidade do espaço-tempo.  Por isso, há uma diferença entre reencarnação e ressurreição. O objetivo humano é sair do ciclo da reencarnação e atingir um estado de ressurreição que está além da necessidade de reencarnar e constitui uma libertação. Quando perguntaram ao indiano Ramana Maharshi para onde ele iria depois da sua morte,  ele respondeu: “irei para onde sempre estive”. Ele não fala de reencarnação, nem do encadeamento de causas e efeitos. Ele destaca que há dentro de nós algo que está livre da roda de causas e efeitos, livre do samsara. É esse estado de despertar que devemos descobrir.
Pergunta  – O que é Deus? É uma entidade antropomórfica que toma decisões como se fosse um ser humano, com seu hemisfério cerebral esquerdo, que gosta ou não gosta, que  se apega ou rejeita algo? Ou Deus é apenas uma Lei Universal?
Jean-Yves Leloup – Cada um tem sua religião conforme o seu nível de consciência. Nossa imagem de Deus é feita de acordo com o que a nossa consciência pode conter. É por isso que existem imagens de Deus muito infantis –  Deus como uma grande mãe ou um grande pai, como uma fonte de segurança. Meister Eckhart escreveu que, para alguns, Deus é como uma vaca  leiteira, algo que tem que suprir as nossas necessidades. Para outros, Deus é aquilo que coloca em ordem a sociedade humana e o universo, é a lei natural. Para outros, ainda, Deus é apenas uma palavra, e tudo o que podemos pensar de Deus não é Deus, mas apenas a nossa representação dele. Assim, também, o que conhecemos da matéria não é a matéria, mas apenas o que os nossos instrumentos de compreensão nos permitem perceber. Por isso, quando usamos a palavra Deus, é bom saber do que estamos falando. Ao longo da nossa vida pessoal, nossa imagem de Deus pode mudar. Aquilo que a gente aprendeu no catecismo, em outro momento ganha outro significado. O que aprendemos sobre Química no primeiro grau não é o que aprendemos na universidade. Às vezes, no entanto,  ficamos fixados nas imagens da escola de primeiro grau. O mais importante, claro, é a nossa experiência. O que quero dizer quando falo de Deus? Que experiências estão por trás dessa palavra? Para mim, essa é uma experiência de serenidade, de silêncio, de amor, e de luz.
Pergunta  – Em seus livros, você aborda “a memória do corpo”.
Jean-Yves Leloup – O corpo é a nossa memória mais arcaica. Tudo aquilo que uma criança viveu fica guardado na forma de impressões em seu corpo. Quando tocamos um corpo, tocamos toda essa memória. Assim, você não pode tocar determinadas pessoas em determinadas áreas, porque ali há registros de memórias antigas. Karl Graf Dürkheim dizia que quando fazemos massagem em alguém, não estamos tocando um corpo, estamos tocando uma pessoa. O corpo é animado, pleno de memórias.
Pergunta – Como você vê a relação entre o individual e o social?  Penso que ficamos capengas se nos engajamos na transformação social sem fazer uma autotransformação, mas também ficamos incompletos se tentamos uma autotransformação sem levar em conta a sociedade ao nosso  redor.
Jean-Yves Leloup – É importante observar as duas coisas.  Isso me faz lembrar do que me disse um rabino em Jerusalém: que nunca haverá paz, em Jerusalém, enquanto o ser humano não fizer a paz dentro de si mesmo. E fazer a paz em Jerusalém significa fazer a paz nos diferentes bairros. O bairro judeu, o bairro árabe, o bairro cristão, etc.  Nós também temos que construir essa paz nos nossos diferentes bairros, o bairro do coração, o bairro da mente, o bairro do corpo. Se fizermos paz em nosso próprio interior, poderemos fazer a paz no mundo.  Há uma interpenetração do individual e do social. Quando eu me preocupo com a sociedade, eu me transformo. Cuidar do outro me revela a mim mesmo. Quando conheço o outro, conheço a mim mesmo. O Evangelho de São Tomé diz que o Reino está no interior e no exterior. Se o Reino estivesse somente no interior,  poderíamos abandonar o mundo e viver apenas em meditação. Se o Reino estivesse só no exterior, não teríamos que meditar, e poderíamos ocupar-nos o tempo todo da sociedade. Mas o que Jesus fala é que o Reino está dentro e fora, e eu acho que esse é o segredo do amor. Porque o amor é aquilo que o ser humano tem de mais interior e, ao mesmo tempo, ele tem conseqüências no mundo exterior.
Pergunta – Qual é o impacto que a busca espiritual dos indivíduos tem, ou que deveria ter, sobre as estruturas sociais? A nossa cultura espiritual, hoje, não deveria incluir uma preocupação explícita com mudanças sociais?
Jean-Yves Leloup – Não há oposição entre o que é interior e o que é exterior. Cada um deve seguir aquilo que o espírito lhe inspira. Para alguns, é  através da ação que se ama. Para outros, é através da meditação ou da oração. A ação e a contemplação são como os dois olhos em um mesmo olhar. Às vezes o amor nos convida à interiorização. Em outros momentos o amor nos leva a agir, a produzir. A única condição necessária é que façamos todas as coisas a partir do melhor de nós mesmos. Não se deve comparar a ação de Madre Teresa com a ação de um eremita dentro de sua gruta. Cada um age da sua maneira pelo bem-estar da humanidade.
Pergunta  – Como você vê, hoje, a marcha da evolução humana?
Jean-Yves Leloup – Vejo a humanidade em uma situação de apocalipse, entendendo a palavra apocalipse como revelação.  Há algo desmoronando, e há também algo que está nascendo. Nós escutamos o barulho do carvalho que cai, mas não escutamos o barulho da floresta que brota. Ouvimos o ruído das torres desmoronando, mas não escutamos a consciência que desperta. No mundo de hoje há muitas coisas que desmoronam, e em  geral falamos das coisas que fazem ruído, mas não falamos das sementes de consciência e de luz que estão germinando.
Pergunta  – Qual o significado do ascetismo no caminho espiritual?
Jean-Yves Leloup – O ascetismo é um caminho para  prazeres mais sutis.
Pergunta  – O que separa uma religião da outra?
Jean-Yves Leloup – Creio que é a ignorância, junto com a vaidade e o desejo de poder. Quando você conhece o outro, você o respeita. Se não há desejo de poder, há lugar para todos. Em um canteiro de flores há lugar para as flores azuis, para as brancas, e cada uma delas cresce em direção à luz.
Pergunta  – O que as religiões têm a ensinar umas às outras?
Jean-Yves Leloup – Cada uma pode ensinar às outras a sua diferença,  o que a distingue. Não podemos fazer um buquê, se todas as flores tiverem a mesma cor.  Se todas as pessoas pensam igual, então elas não pensam mais. O pensamento dos outros estimula o nosso pensamento. A maneira como os outros consideram o absoluto me permite relativizar minha própria maneira de considerar o absoluto. Isso me impede de construir um dogma  e  me leva a um conhecimento mais profundo.
Pergunta  – Como você vê o Brasil?
Jean-Yves Leloup – Tenho a impressão de que o Brasil não tem uma coisa ou outra, ele tem todas as coisas. E há a riqueza da natureza, a riqueza das culturas mescladas. Mas sinto que no mundo político há alguma coisa artificial. Sinto que há uma esquizofrenia. O Brasil tem uma coisa muito forte, espontânea, próxima do paraíso, talvez, mas há também algo que impede o surgimento desse paraíso.
Pergunta  – Existe uma relação entre a atenção e o desapego...
Jean-Yves Leloup – Se estivermos realmente atentos, estaremos dentro de um instante. Só podemos estar atentos instante a instante. Mas se estivermos atentos a esse instante estaremos desapegados em relação ao instante anterior. A atenção é a arte de viver no momento presente, e para isso é preciso estar livre do passado e do futuro. A arte da atenção é a arte de estar no presente. O presente está ligado ao passado e ao futuro, mas ao mesmo tempo ele está desapegado em relação a eles. Isso me faz pensar em umas palavras de Buda que têm relação com uma das perguntas feitas há pouco. “Se você quiser conhecer sua vida anterior”, disse o Buda, “esteja atento para o que você é e faz hoje”. Aquilo que você é hoje é o resultado do que você foi. Se você quiser conhecer a sua vida futura, esteja atento para o que você é e faz hoje. Porque o que você é hoje constitui a origem do que virá mais tarde. Há também as palavras de Cristo, “não olhe para trás e não se preocupe com o futuro, mas faça bem aquilo que você tem de fazer no momento presente”.
[ Esse texto de Carlos C. Aveline, que transcreve uma entrevista com  Jean-Yves Leloup, foi publicado originalmente na revista “Planeta”, de São Paulo, edição de outubro de 2002. ]
Fonte: http://www.unipazrecife.org.br/Textos%20Site/Entrevista%20com%20Jean%20Yves.htm




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7 de março de 2015

UMA PALAVRA DE VIKTOR EMIL FRANKL PARA ANIMAR OS DESALENTADOS


(...) A seguir, o leitor vai encontrar palavras de Viktor Frankl, o famoso psiquiatra austríaco que passou quase três anos em campos de concentração.

Sobre a arte de viver
• Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transformarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior do que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.
• A vontade de humor - a tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada - constitui um truque útil para a arte de viver.
• Com o fim da incerteza chega também a incerteza do fim.
• Quem não consegue mais acreditar no futuro - seu futuro - está perdido num campo de concentração.
• O prazer é e deve permanecer efeito colateral ou produto secundário. Ele será anulado e comprometido à medida que se fizer um objetivo em si mesmo.
• O ser humano é um ser finito e sua liberdade é restrita.

Sobre o sentido da vida
• Ouço dizer que nada no mundo contribui tão efetivamente para a sobrevivência, mesmo nas piores condições, como saber que a vida da gente tem um sentido.
• O que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente. O que ele necessita não é a descarga de tensão a qualquer custo, mas antes o desafio de um sentido em potencial à espera de ser cumprido.
• O sentido de vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para o outro, de uma hora para outra. O que importa, por conseguinte, não é o sentido da vida de um modo geral, mas antes o sentido específico da vida de uma pessoa em dado momento.
• O sentimento de falta de sentido cumpre um papel sempre crescente na etiologia da neurose.
• As pessoas têm o suficiente com o que viver, mas não têm nada por que viver; têm os meios, mas não têm o sentido.
• O niilismo não afirma que não existe nada, mas afirma que tudo é desprovido de sentido.

Sobre a arte de sofrer
• Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas, o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte. Aflição e morte fazem parte da existência como um todo.
• Precisamos aprender e também ensinar às pessoas em desespero que a rigor nunca e jamais importa o que nós ainda temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente o que a vida espera de nós.
• Deus espera que não o decepcionemos e que saibamos sofrer e morrer, não miseravelmente, mas com orgulho!
• Ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu injustiça.
• Quanto mais uma pessoa esquecer-se de si mesma - dedicando-se a servir uma causa ou amar outra pessoa -, mais humana será e mais se realizará.
• Sofrimento, de certo modo, deixa de ser sofrimento no instante em que se encontra um sentido, como o sentido de um sacrifício.
• O sofrimento desnecessário é masoquismo e não ato heroico.

Sobre o “nem tudo está perdido”
• Se houve um dia na vida em que a liberdade parecia um lindo sonho, virá também o dia em que toda a experiência sofrida no passado parecerá um mero pesadelo.
• O ser humano é capaz de viver e até de morrer por seus ideais e valores.
• O passado ainda pode ser alterado e corrigido.
• Quando já não somos capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós próprios.
• Quando o paciente está sobre o chão firme da fé religiosa, não se pode objetar ao uso do efeito terapêutico de suas convicções espirituais.
• Uma das principais características da existência humana está na capacidade de se elevar acima das condições biológicas, psicológicas e sociológicas, de crescer para além delas.
• As pessoas decentes formam uma minoria. Mais que isso, sempre serão uma minoria. Justamente por isso, o desafio maior é que nos juntemos à minoria. Porque o mundo está numa situação ruim. E tudo vai piorar mais se cada um de nós não fizer o melhor que puder.

(Todas as frases foram retiradas do best-seller “Em Busca de Sentido”, publicado em alemão em 1945.)
Fonte:  http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/327/uma-palavra-de-viktor-emil-frankl-para-animar-os-desalentados



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17 de fevereiro de 2015

A IMPORTÂNCIA DO FÍGADO NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA



Na medicina tradicional chinesa, a boa saúde é mantida através da nutrição de diferentes órgãos durante as diferentes estações do ano. Na primavera, quando os brotos verdes emergem do solo previamente congelado e os botões de flores aparecem nas árvores, é hora de considerar o seu fígado.
Os entendimentos da medicina chinesa sobre a função dos órgãos são complexos, e vão além das atividades químicas dos órgãos. No entanto, as regras são claras. De acordo com o Nei Jing, um tratado fundamental de bem-estar e doença da antiga China, “Aqueles que desobedecem as leis da primavera, serão punido com uma lesão no fígado”.
Então, quais são as “leis da primavera”? Liderança, crescimento e um espírito tranquilo.
Líder da Primavera
Em muitas culturas antigas, a primavera representa um novo começo – tempo para a limpeza e a renovação que dão ritmo ao resto do ano. Na medicina chinesa, o fígado também assume um papel de liderança decisiva, como a de um general do exército que dirige as forças de todo o corpo.
Idealmente, esse fígado geralmente é sábio: responde adequadamente às mudanças e promove o equilíbrio, o crescimento e um fluxo livre de energia por todo o corpo.
“O general toma as decisões sobre onde devemos ir para colocar a nossa energia”, disse Mary Rogel, Ph.D., acupunturista e fitoterapeuta em Chicago, e editora do Oriental Medicine Journal. “A energia vem de outro lugar, mas é o fígado, o general, que decide quando usá-la, onde usá-la, e o quanto usá-la.”
Um general doente ou lento traz o caos: as tropas não têm sentido, e os resultados não passam de estagnação e frustração. Na medicina chinesa, um fígado estagnado pode causar problemas em qualquer parte do corpo e levar a uma grande variedade de sintomas, como inchaço ou inflamação nas articulações, tensão nos músculos, má digestão, desequilíbrio hormonal e erupções cutâneas.
Ao tratar de alguns pacientes, Rogel diz ter que lidar, antes de qualquer outro procedimento, com problemas de fígado.
“Às vezes, há pacientes que chegam com dores no corpo todo – mal dá para tocar na pessoa e é muito difícil começar a tratá-los”, disse ela. “Todas essas pessoas, na minha experiência, possuem desequilíbrio no fígado, e uma vez que eu sano tal desequilíbrio, eu posso então tratá-las como qualquer outro paciente.”
Uma menopausa difícil também demonstra o papel crítico de liderança do fígado. A produção hormonal de cada mulher diminui naturalmente com a idade, mas para algumas, a transição é difícil. De acordo com Rogel, quando um general competente ajusta o corpo de acordo com as alterações hormonais, os sintomas desaparecem.
“Se você vai lá e limpa o fígado, os sintomas da menopausa desaparecem, e você não tem que fazer nada com os hormônios”, disse ela. “Você não precisa seguir a abordagem da medicina ocidental, que faz substituição de hormônios, tudo que você precisa fazer é limpar a bagunça para que o fígado possa cuidar das coisas.”
Cuidados gerais
A medicina moderna vê o fígado como um filtro – purifica o sangue,  metaboliza hormônios, toxinas e vírus mortos; separa o útil dos problemas.
Várias tradições com ervas medicinais visam limpar esse filtro com plantas verdes e ácidas. Curiosamente, estas plantas tendem a crescer na primavera.
“É como se a natureza estivesse nos dizendo que é hora de fazer uma limpeza”, disse Rogel. “Limpe todos os restos acumulados durante todo o inverno, quando costumamos comer alimentos pesados, e faça as coisas circularem novamente.”
As folhagens azedas, como o dente de leão e a labaça, são remédios para o fígado, reconhecidos e utilizados em todo o mundo. O famoso sabor azedo do ruibarbo, do limão e do vinagre servem para um propósito similar. Há algo no gosto azedo que ajuda o general a clarear a cabeça.
Espírito tranquilo
O fígado é um líder, mas como o corpo está sempre mudando, o general não pode ser demasiadamente rígido. Se a nossa ambição não for temperada pela vibração leve da primavera, os problemas podem surgir.
Entre os extremos do inverno e do verão, a primavera tem um espírito mais descontraído, e nós também, quando temos um fígado saudável.
Mas quando o nosso caminho fica bloqueado, as coisas não saem do jeito que queremos, nossa ira se inflama, e isso pode afetar negativamente o fígado. Segundo a medicina chinesa, o fígado é particularmente sensível à emoção, e a raiva intensa ou prolongada pode danificá-lo.
Ressentimento, frustração ou sentimento preso também podem gerar estagnação no fígado ao longo do tempo. De acordo com Rogel, alguns pacientes podem traçar problemas de saúde com uma única explosão de raiva.
Outras coisas que prejudicam o fígado incluem álcool, exposição a substâncias químicas tóxicas, óleo hidrogenado e outras gorduras de má qualidade, excesso de açúcar e uso de drogas.
Para manter o fígado em sua melhor forma, você deve comer muitas verduras, beber água com limão e adicionar raiz de cúrcuma em sua culinária. Para obter um remédio específico que cure o desequilíbrio do fígado, visite um acupunturista ou fitoterapeuta local.
Conan Milner


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