19 de outubro de 2014

OUVIR CURA

 
A sensação de estar incompleta, que é a força motriz por trás de todas as mudanças em todos os lugares. Da economia, ciência, tecnologia, política, social, cultural e até religiões são movidos pelo mesmo sentimento. Para ser honesto,  a sensação de estar incompleto é o maior sinal dos buracos da alma. Por causa dessa sensação, muitas pessoas procuram soluções de fora para cobrir os buracos da alma.

De buraco em buraco
Desde o início, quando o conceito de comunidade é formada, a sociedade se destina a cobrir os buracos da alma. Alguns dos assuntos humanos certamente estão cobertos pela existência de comunidade, mas é difícil negar que a sociedade também cria um monte de novos buracos. Olhe para a existência de bens de consumo. Por um lado, ele cobre alguns buracos de desejos. Por outro lado, cria novos furos que tendem a ser maiores ao longo do tempo.
Aprendendo com os países bem desenvolvidos, onde tais desejos são altamente cumpridos, a tendência não está ficando mais saudável. No Japão e na Coréia, onde as pessoas são tão competitivas, a taxa de suicídio aumenta continuamente. Segundo Mary Pipher em "The Shelter of Each Other", em 1990, 72% dos americanos não conhecem os seus vizinhos. (...) A triste consequência disso, é mover o ser humano  de um buraco para  outro. E não há sinal de quando esses buracos podem ser totalmente cobertos.

Comunidade dos Ouvintes
Cada amigo que passou um longo tempo ajudando pessoas com transtornos psiquiátricos vai entender, o que a maioria precisa para cobrir os buracos da alma é alguém que pode ouvir profundamente. Kristina Nobel que passou uma infância muito triste, no norte da Inglaterra, uma vez disse: "O que nós precisamos para curar uml ferimento profundo da alma é uma pessoa que escuta". Portanto, depois de ter sucesso na vida, então ela passou muito tempo no Vietnã ouvindo um monte de vítimas da guerra. Infelizmente, o progresso econômico, a ciência, a tecnologia em todos os lugares faz com que cada vez menos as pessoas  desejem dedicar sua  vida a ouvir os outros.
Antigamente, quando muitas mulheres se tornaram donas de casa, havia alguém em casa para ouvir. Hoje em dia, em casa, escola, escritório, mesmo na comunidade espiritual e religiosa  é  muito raro alguém disposto a ouvir. Todo mundo quer ser escutado. Como resultado, podemos ver almas sedentas e secas em todos os lugares. Como experimentam muitos curandeiros, conversa é uma forma de troca de energia. Trocamos energia na conversa. Como resultado, a escuta é a cura. Não é só a cura da pessoa que é ouvida, ela também cura aquele que ouve. Aquele que é escutado se recupera, porque há a sensação de jogar o lixo fora. Aquele que ouve é curado porque experimenta uma vida significativa e útil.
Isso é o que possivelmente acontece quando um ouvinte aprende a ver os lados sofrimento da vida. Aquele que incorpora profundamente os lados do sofrimento da vida, em seguida, dá à luz a compaixão. Como experimentam por muitos curandeiros, quando a energia da compaixão é usada para ouvir os outros, há efeito de cura imensa.

Saúde e O Todo
Referindo-se ao conceito de psicoterapia centrada no cliente pelo psicólogo Carl Rogers, em que compreendemos nossas vidas melhores do que os terapeutas,  ajudar uma pessoa numa conversa de cura faz com que continuamente ela cave a si mesma. A tarefa de um curador é só ouvir enfaticamente. Faz alguém mais rico e mais profundo no dia a dia, tanto do lado de quem ouviu como de quem escutou.
Depois de ter passado muito tempo ouvindo lá fora, em seguida, há um desejo de ouvir dentro. Ouça a voz da infância, ouvindo os sentimentos reprimidos desde o início, ao ouvir as mensagens dos sonhos, a audição para o choro do inconsciente, como raiva e mau humor. A maioria das pessoas foger dessas vozes interiores, é por isso que elas não conseguem curar-se. Mas ao ouvir profundamente essas mensagens internas, não há assunto doloroso. Tendo sucesso de ouvir dentro, então existe a possibilidade de ouvir o todo (completude). Inclua nesta audição a voz da terra, árvores, pássaros, nuvens, sol, lua, estrelas, etc
Depois de terminar esses três estágios de ouvir (exterior, interior, todo), então pode-se entender a opinião do físico David Bohm, que há muito estava escrito em "Saúde da ordem implicada", no qual a palavra curar vem da palavra inteira (completude). Somente aquele que atingir a totalidade (integralidade) pode ser totalmente curado. Às vezes isso é chamado de iluminação. E ouvindo, como descrito acima,  ajuda muito no caminho da total cicatrização

Fonte: http://www.bellofpeace.org/articles/listening-is-healing.html#more-394

Share/Bookmark

5 de outubro de 2014

ESTRESSE: O ASSASSINO SILENCIOSO

art by Marco Brambilla

(...) E o que é estresse? Não há ainda uma definição para o mesmo nos compêndios de patologia médica. É o dicionário Aurélio que nos diz que o estresse (em bom português) é "o conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras capazes de perturbar a homeostase" (equilíbrio).
Hoje o termo estresse é amplamente usado na linguagem atual e nos meios de comunicação. Designa uma agressão, que leva ao desconforto, ou as conseqüência desta agressão. É uma resposta a uma demanda, de modo certo ou errado.
(...) Segundo a colocação dada ao estresse por este autor, num congresso realizado em Munique, em 1988, "o estresse é o resultado do homem criar uma civilização, que, ele, o próprio homem não mais consegue suportar". (...)

O Que Provoca o Estresse ?
São os grandes problemas da nossa vida que, de modo agudo, ou crônico, nos lançam no estresse. Diversos pesquisadores notaram que a mudança é um dos mais efetivos agentes estressores. Assim, qualquer mudança em nossas vidas tem o potencial de causar estresse, tanto as boas quanto as más. O estresse ocorre, então, de forma variável, dependendo da intensidade do evento de mudança, que pode ir desde a morte do cônjuge, o índice máximo na escala de estresse, até pequenas infrações de trânsito ou mesmo a saída para as tão merecidas férias.
Certos eventos em nossas vidas são tão estressantes, que caracterizam a situação de trauma (lesão ou dano) psíquico. Recentemente as ciências mentais reconheceram uma nova síndrome, batizada de Distúrbio de estresse pós-traumático, uma verdadeira doença, pertencente ao estudo da angústia.
(...) vejam-se os crescentes índices de violência urbana e as suas vítimas, que vivem quadros de desespero permanente, quando não atendidos adequadamente em serviço psiquiátrico de reconhecida competência na área. Bombas, acidentes automobilísticos ou aéreos, desabamentos, assaltos com extrema violência, sequestros prolongados, estupros, etc. são causas comuns do distúrbio de estresse pós-traumático. O tratamento costuma ser demorado, mas tende a um bom prognóstico.
(...) Assim, reconhece-se que o estresse tem três fases, que se sucedem quando os agentes estressores continuam de forma não interrompida em sua ação:

A fase aguda
Esta é a fase em que os estímulos estressores começam a agir. Nosso cérebro e hormônios reagem rapidamente, e nós podemos perceber os seus efeitos, mas somos geralmente incapazes de notar o trabalho silencioso do estresse crônico nesta fase.

A fase de resistência
Se o estresse persiste, é nesta fase que começam a aparecer as primeiras consequências mentais, emocionais e físicas do estresse crônico. Perda de concentração mental, instabilidade emocional, depressão, palpitações cardíacas, suores frios, dores musculares ou dores de cabeça frequentes são os sinais evidentes, mas muitas pessoas ainda não conseguem relacioná-los ao estresse, e a síndrome pode prosseguir até a sua fase final e mais perigosa:

A fase de exaustão
Esta é a fase em que o organismo capitula aos efeitos do estresse, levando à instalação de doenças físicas ou psíquicas.

Problemas Causados pelo Estresse
O estresse pode ser causador e/ou agravador de uma série de doenças, que vão da asma, às doenças dermatológicas, passando pelas alérgicas e imunológicas; todas elas relacionadas de alguma forma à ativação excessiva e prolongada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
Na área do sistema digestivo, é sabido por todos que o estresse pode desencadear desde uma simples gastrite, até uma úlcera: o famoso cirurgião Alípio Corrêa Neto, da USP e da Escola Paulista de Medicina (hoje Universidade Federal de São Paulo), dizia que se alguém afirmasse, há 20 anos atrás, que a úlcera péptica era psicossomática (leia-se somatoforme), ririam dele; hoje, se deixasse de dizê-lo, ririam dele. 
Mas, é principalmente a nível de coração, ou mais precisamente, a nível das coronárias, que o estresse pode ser um matador silencioso. 

(...) Outros sintomas
No campo clínico (somático) os distúrbios ainda ditos 'neuro-vegetativos' são comuns: quadro de astenia (sensação de fraqueza e fadiga), tensão muscular elevada com cãibras e formação de fibralgias musculares (nódulos dolorosos nos músculos dos ombros e das costas, por exemplo), tremores, sudorese (suor intenso), cefaléias tensionais (dores de cabeça provocas pela tensão psíquica) e enxaqueca, lombalgias e braquialgias (dores nas costas e nos ombros e braços), hipertensão arterial, palpitações e batedeiras, dores pré-cordiais, colopatias (distúrbios da absorção e da contração do intestino grosso) e até dores urinárias sem sinais de infecção.
O laboratório clínico fornece outros detalhes indicativos da intensa ativação patológica no estresse: aumento da concentração do sangue e do conteúdo de plaquetas (células responsáveis pela coagulação sangüínea), alteração do nível de cortisol, alterações de catecolaminas urinárias e alterações de hormônios hipofisários e sexuais, além dos aumentos de glicemia (açucar no sangue) e colesterol, este por conta do LDL, ou o 'mau colesterol'.

Sintomas psíquicos
(...)  Os problemas ansiosos com a sintomatologia clínica, além de irritabilidade, fraqueza, nervosismo, medos, ruminação de idéias, exacerbação de atos falhos e obsessivos, além de rituais compulsivos, aumentam sensivelmente. A angústia é comum e as exacerbações de sensibilidade com provocações e discussões são mais freqüentes.
Do ponto de vista depressivo, a queda ou o aumento do apetite, as alterações de sono, a irritabilidade, a apatia e adinamia, o torpor afetivo e a perda de interesse e desempenhos sexuais são comumente encontrados.
Existem também as "fugas", que todos conhecemos. Quando não se apela para a auto-medicação com ansiolíticos (um perigo!), a pessoa refugia-se na bebida e mesmo no consumo de drogas ilícitas de uso e abuso, além de aumentar a quantidade de cigarros fumados, quando for fumante.
São estas as condições da derrocada à qual o estresse leva a pessoa, principalmente quando esta tiver uma personalidade hiperativa.

Como Diminuir o Estresse ?
Em um excelente artigo sobre estresse, principalmente no trabalho (e a maior parte de nós trabalha), o psiquiatra Cyro Masci sugere medidas profiláticas iniciais, secundárias e terciárias. Mas, em resumo, quando possível, devemos parar para pensar; para nos darmos a liberdade de termos um tempo para refletir sobre cada um de nós e seus esquemas pessoais, familiares, sociais, de trabalho, de estudos e até econômico-financeiros. Devemos reformular a vida, procurando reduzir as áreas geradoras de estresse. Um bom psiquiatra pode nos ajudar nesta tarefa.
Muitas vezes haverá a necessidade de uso concomitante de um tratamento medicamentoso, geralmente através dos modernos antidepressivos serotoninérgicos (ISRS) com ou sem ansiolíticos e/ou beta-bloqueadores por um tempo definido: começo, meio e fim.
Quando já existe um quadro orgânico instalado, desde uma simples gastrite a asma ou alteração cardiorrespiratória, a busca de atendimento clínico é fundamental. A correção da alteração clínica é imprescindível. E esta pode ir de um simples a complexo tratamento ou resumir-se somente às necessárias mudanças do modo de viver, incluindo lazer ou uma pequena prática esportiva constante (porque não uma caminhada diária?, que faz bem a qualquer um de nós).
Mas, a principal atitude ainda é um alerta ao modo de viver e de trabalhar com as vivências e com as emoções que a vida nos proporciona. E aí está verdadeira e milenar sabedoria.
(...)

DR. VLADIMIR BERNIK, Médico psiquiatra
Fonte:  http://www.cerebromente.org.br/n03/doencas/stress.htm



Share/Bookmark

4 de outubro de 2014

RESPIRE E RELAXE


 Como você respira?

1. Conte as suas respirações por um minuto, sem alterar o modo como habitualmente respira. Quantas foram? A maioria das pessoas respira mais ou menos de onze a trinta vezes por minuto. Quando seu corpo respira de maneira plenamente relaxada, o número costuma situar-se entre quatro a dez respirações por minuto. Todavia, se o seu ritmo não é tão lento, não se alarme. Você apenas descobriu que seus hábitos respiratórios estão, com muita probabilidade, contribuindo para a sua dor. Munido desse novo conhecimento, você poderá desenvolver hábitos respiratórios que reduzirão a dor e o farão sentir-se melhor.

2. Repare se respira pelo peito ou pela barriga. Se você for um “respirador de peito”, o seu peito se moverá mais do que a barriga durante a inspiração. Depois que você aprender a respirar profunda e livremente, o seu peito só se moverá um pouco e sua barriga se projetará mais durante a inspiração, recuando na expiração.

3. Você costuma reter o fôlego? Muitas pessoas retêm a respiração com freqüência e sem ter consciência disso, não apenas em situações de grande stress, mas durante as atividades mais simples.

4. A sua respiração é ruidosa? A respiração diafragmática não é ruidosa. Quanto mais profunda e livre for a sua respiração, mais silenciosa será. A respiração tende a tornar-se mais silenciosa à medida que passa a exigir menos esforço. A facilidade da respiração é um indício claro de que você está respirando bem.

Princípios para desenvolver a Respiração Diafragmática:

1. Observe e aceite. Comece a observar a sua respiração, sem julgamentos. Não tente alterá-la. Apenas observe o que de fato está acontecendo em seu corpo e, em especial, em sua respiração. Se fizer isso, a respiração se modifica por si mesma. A sua respiração irá gradualmente melhorando, tornando-se mais profunda, livre e fácil; basta que você a observe com curiosidade intensa e desprendida.

2. Tente sentir o corpo. Sentir é o mesmo que relaxar; quanto mais você sente o corpo com inteira aceitação, mais o funcionamento dele melhora automaticamente.

Infelizmente, o stress crônico reduz a nossa capacidade de sentir, porque injeta tensão em nosso corpo. Quanto maior a tensão, menor a sensação.

3. Imagine que os seus tecidos são maleáveis.  Músculos tensos são rígidos e duros; músculos relaxados são flexíveis e maleáveis.

4. Seja carinhoso com o seu corpo. O seu corpo é parte de você. Pense nele como uma criança sensível que precisa de amor e atenção. Ele merece ser ouvido e tem muito a nos ensinar.

5. Trabalhe com a respiração, diariamente. Considerando-se que você está tentando modificar hábitos antigos, que resultam em dor crônica, precisa de paciência e persistência. Os hábitos só mudam com a prática regular.
Ingrid Bacci, in  "Livre-se facilmente da dor crônica"

Fonte:  http://textosvaliosos.blogspot.com.br/

Share/Bookmark