15 de setembro de 2014

FLORAIS DE BACH PARA CÃES IDOSOS


Minha Minka - 14 aninhos


"A conquista da nossa liberdade, da nossa individualidade e independência irá requerer, em muitos casos, uma grande dose de coragem e de fé . "Edward Bach
Os animais, assim como os humanos, também envelhecem. A partir dos 7 anos começa a terceira idade nos cães. Fisicamente, a pelagem embranquece, principalmente na região da cabeça. As doenças mais comuns que podem afetar os cães nessa fase, são :
doenças renais, perda da visão e audição, doenças cardíacas, da tireóide, doenças respiratórias, diabetes, artrose , obesidade, tumores.
A velhice também é acompanhada por um enfraquecimento geral dos diversos tipos de memória. O animal fica estressado mais facilmente.
As variações de temperatura devem ser evitadas.
Mas, a idade que o cão atingirá com saúde, vai depender da criação e dos cuidados que recebeu durante a vida toda.
Na velhice, podem aparecer alguns distúrbios de comportamento :

comportamentos repetitivos
latidos, por exemplo. (latidos a esmo, sem razão - é uma forma de chamar a atenção ).
agressividade por causa de uma redução do limite de paciência.
sonolência.
o animal pode tornar-se desobediente por causa da perda dos reflexos condicionados de reação de estímulos ao meio ambiente.
o animal pode tornar-se destruidor, devido à ansiedade.

Cuidados básicos com o cão idoso :
levar ao veterinário, pelo menos, duas vezes ao ano.
alimentação adequada para cães idosos.
exercício moderado.
controle do peso .
limpeza e cuidados com os dentes.
vermifugação .
carinho e atenção .
paciência e compreensão.

Florais de Bach:

Edward Bach, renomado médico patologista e bacteriologista, atuante por mais de 20 anos em Londres, abandonou sua prática em 1930 para dedicar-se integralmente à pesquisa de seu método de tratamento pelas flores.
Desde cedo, em sua época de estudante, interessava-se mais pelos pacientes do que por suas doenças, pois sentia que ocupar-se dos sintomas físicos não era o bastante.
Todas as essências usadas em seu método de tratamento, são preparadas a partir de flores, arbustos ou árvores silvestres. Não são prescritas diretamente segundo o mal estar físico, mas sim de acordo com o estado mental do paciente. Todo estado emocional negativo, como depressão, medo, etc ., gera desequilíbrios no organismo que, acaba tornando-se presa de problemas que, não aconteceriam se o estado mental fosse de equilíbrio. Os florais de Bach tratam os animais doentes e não as doenças. Em vez de tratar a doença, os florais tratam a personalidade, a índole e o temperamento dos animais.
Os florais são preparados a partir da retirada da energia das plantas.
As essências provocam uma vibração, causando a dissolução de padrões negativos , visto que atuam diretamente no campo energético de qualquer ser vivo. As essências são energia. Os florais de Bach tratam o animal, o estado de alma negativo - esse estado de alma negativo não é combatido pois, isso lhe conservaria a energia mas, é inundado por ondas de energia harmoniosas, de modo que " se derrete qual neve à luz do sol " , como disse o Dr. Bach. De uma forma geral, os animais velhinhos são muito parecidos com os humanos velhinhos. O que eles querem é atenção, amor e carinho.
A velhice não é uma doença - é uma fase diferente tanto para o cão como para seu dono.
Florais de Bach indicados para ajudar no bem estar do animal idoso. Essa relação não é um guia - é, meramente, uma sugestão. Consulte o terapeuta floral.
Rescue
Para tratar o estresse. Restitui a calma.
Willow
Para tratar o comportamento rancoroso e o mau-humor.
Gentian
Trata o desânimo por uma causa conhecida. Para tratar animais que sofrem de insuficiência cardíaca.
Gorse
Trata a desesperança. Para câncer. Para quando o animal desiste de lutar.
Olive
Para tratar o animal sem forças - animal desnutrido, com anemia, desidratado, etc. Restitui a força e a capacidade de regeneração.
Hornbeam
Para tratar a preguiça. Para tratamento de rotina de animais com câncer.
Vine
Para tratar agressividade. Agressividade relacionada à posição hierárquica e ao território.
Beech
Para tratar a intolerância. Intolerância com outros animais, pessoas ou situações.
Cherry Plum
Trata comportamentos incontroláveis.
Walnut
Para ajudar o animal a enfrentar mudanças - no próprio corpo, doenças, etc. Cria proteção contra influências negativas.
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TEXTO REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL - DIREITOS AUTORAIS
Martha Follain - bacharel em Direito;
formação em Programação Neurolingüística - Master Practitioner;
formação em Hipnose ;
formação em Terapia de Regressão;
formação em Reiki;
formação em Terapia Floral de Bach - Instituto Bach - especialização em animais e humanos.
CRT 21524
colunista dos sites:
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colunista e responsável pelo site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
A Publicação é autorizada, CONSERVANDO TODOS OS CRÉDITOS E
CITANDO A FONTE: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br
 



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13 de setembro de 2014

SEGUE A CAMINHO DO EQUILÍBRIO PARA ALCANÇAR A PAZ INTERIOR

art by Joan Miro

Deves executar todas as tuas ações de maneira pacífica, pois a paz é a melhor medicina para o corpo, a mente e a alma. Está é a forma mais maravilhosa de viver.
Existe uma cura para o estresse.
A calma é o estado ideal com o qual deveríamos receber todas as experiências da vida. O nervosismo é o oposto à calma e ocorre de forma tão generalizada hoje em dia que se converteu em um mal mundial. O melhor remédio contra o nervosismo é cultivar a calma. Quem é calmo por natureza não perde sua capacidade de raciocinar nem seu sentido de justiça ou de humor em nenhuma circunstância.
A serenidade é uma virtude formosa. Devemos modelar nossa vida de acordo com o desenho de um triângulo: os dois lados são a calma e a doçura, e o terceiro lado, a base, é a felicidade. Não importa se atuemos de forma rápida ou lenta, de forma solitária ou em meio ao burburinho, nosso centro interior deve ser equilibrado e sereno. Cristo é um exemplo deste ideal, pois onde quer que estivesse, sempre manifestava paz. Ele passou todas as provas imagináveis sem perder a serenidade.
Vive a divina consciência de tua alma Somos almas eternas, imutáveis feitas à imagem da felicidade imortal de Deus. Nossa vida deve refletir continuamente esse sempre renovado gozo. Jamais permita que nada lhe tire a felicidade interior. Deves aprender a arte de viver como uma alma intrépida, capaz de sorrir diante de qualquer problema.
O seu estado natural é o da alegria permanente. A felicidade que buscas consiste em ser tão feliz que possa desfrutar de qualquer coisa que possua. Não é muito melhor que perambular tolamente pelo mundo como um inquieto demônio, incapaz de encontrar satisfação em nada?
Quem medita profundamente sente uma maravilhosa quietude interior. Quanto maior é a paz que sentes na meditação, mais próximo estarás de Deus. Ele se aproxima de ti cada vez mais, à medida que te aprofundas na meditação. A paz da meditação constitui a linguagem do Senhor e o seu confortante abraço. (...) Se és capaz de conservar a paz interior, lograste a vitória suprema. Qualquer que seja tua situação na vida, jamais se sinta justificado para perder a paz. Quando esta te abandona e não podes pensar com claridade, então perdeste a batalha. Se nunca malogras tua paz, perceberás que a vitória te acompanha sempre, independentemente de como se resolvem teus problemas. Essa é a forma de conquistar a vida.
Em todo momento, pratica a calma imperturbável. Converte-te no rei, no monarca absoluto, de teu próprio reino mental de calma. Não permitas que nada te perturbe esse aprazível reino de calma. Noite e dia, leva contigo o gozo da paz de Deus que supera todo entendimento.
Essa equanimidade mental preservada graças à prática regular da meditação profunda elimina o aborrecimento, a decepção e as aflições da vida diária, transformando a vida numa interessantíssima e alegre experiência da alma. (...) O mundo venera os homens poderosos, tais como Alexandre Magno e Napoleão. Agora, pense no estado mental de tais personagens ! Considera agora a paz que desfrutava Cristo: uma paz que não podia ser arrebatada por nada. Tendemos a pensar que buscaremos esta paz amanhã, mas dessa forma jamais a encontrarão. Busca-a agora mesmo.
A maioria das pessoas é como a mariposa que volteia sem propósito algum. Parece nunca chegar realmente a nenhum lugar, nem deter-se mais de algum instante, antes que nova distração a atraia. A abelha, todavia, trabalha e se prepara para os tempos difíceis. A mariposa vive unicamente conforme o dia. Quando chega o inverno, a mariposa desaparece, enquanto que a abelha permanece armazenando o alimento para viver. Devemos aprender a recolher e armazenar o mel da paz e o poder de Deus.
Concentra tua atenção em teu interior. Sentirás um novo poder, uma nova força e uma nova paz, em teu corpo, mente e espírito. Você tem o privilégio e a oportunidade de construir teu próprio céu aqui mesmo, e conta com todos os meios para fazê-lo. (...) A pessoa serena identifica totalmente seus sentidos com o meio ambiente que a rodeia. A pessoa inquieta nada percebe. Consequentemente, encontra-se em dificuldades consigo mesma e com os demais, e a tudo interpreta errado. A pessoa serena, em virtude do seu autodomínio, está continuamente em paz com os demais e é sempre feliz. Jamais permita que o centro de tua serena concentração seja influenciado pela inquietude. Realiza sempre tuas atividades com concentração.
O bom juízo é uma expressão natural da sabedoria, mas depende diretamente da harmonia interior, isto é, do equilíbrio mental. Quando a mente carece de harmonia, não há paz. Sem paz, falta-lhe tanto o juízo como a sabedoria. A vida está cheia de tropeços e revezes. Nos momentos de prova, que requerem o teu juízo mais lúcido, alcançarás a vitória se preservares teu equilíbrio mental. A harmonia interior é teu maior apoio para superar o peso da vida.
Muitas pessoas pensam que suas ações podem ser somente inquietas ou lentas, mas isso é falso. Se conservares a serenidade, com intensa concentração, levarás a cabo todos os teus deveres com a rapidez apropriada. A arte da verdadeira ação consiste em ser capaz de atuar lenta ou rapidamente, mas sem perder a paz interior. O método adequado consiste em estabelecer uma atitude controlada, na qual possas desempenhar tuas atividades com paz, sem perder teu equilíbrio interior.
Uma pessoa serena reflete tranquilidade em seus olhos, aguda inteligência em seu rosto e uma adequada receptividade mental. É uma pessoa diligente e de decidida ação, mas seus atos não estão movidos por impulsos e desejos que repentinamente chegam a sua mente.
A pessoa inquieta é semelhante a uma marionete que dança ao som dos desejos emocionais que surgem em resposta às tentações oferecidas por outros indivíduos. Trabalhando lentamente ou com rapidez, assegura-te de fazê-lo sempre a partir do centro de serenidade.
(...) O material e o espiritual são duas partes de um único Universo e uma única Verdade. Ao dar preponderância a uma parte sobre a outra, o ser humano não logra o equilíbrio necessário para um desenvolvimento harmonioso. Pratica a arte de viver neste mundo sem perder a paz mental em teu interior. Segue o caminho do equilíbrio para alcançar o maravilhoso jardim interior de realização do ser. Simplifica a vida.
O ser humano moderno baseia seu prazer em obter mais e mais posses, sem se importar com o que possa acontecer aos demais. Mas não seria melhor viver com simplicidade, isto é, sem muito luxo e com menos preocupações? Não existe prazer em trabalhar demais até o ponto em que não possa desfrutar do que possui.
A grande necessidade do ser humano consiste em encontrar mais tempo para desfrutar da natureza, simplificar sua vida e suas necessidades imaginárias, satisfazer as verdadeiras necessidades da existência e aprender a conhecer melhor os filhos e os amigos e, sobretudo, conhecer-se a si mesmo e ao Deus que o criou."

Paramahansa Yogananda

Fonte: http://criszingaro.blogspot.com.br/

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5 de setembro de 2014

O MOMENTO PRESENTE

art by Trish Biddle

Não ficamos nunca no tempo presente. Antecipamos o futuro, por chegar demasiado lentamente, como para apressar-lhe o curso; recordamos o passado, para detê-lo, por demasiado rápido: tão imprudentes que erramos nos tempos que não são nossos e só não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos que sonhamos com os que já existem e evitamos sem reflexão o único que subsiste.
É que o presente de ordinário nos fere. Ocultamo-lo à vista, porque nos aflige; e, se nos é agradável, lamentamos vê-lo escapar. Tratamos de sustentá-lo pelo futuro e pensamos em dispor das coisas que não estão ao nosso alcance para um tempo que não temos nenhuma certeza de alcançar.
Que cada qual examine seus pensamentos, e o achará sempre ocupados com o passado e com o futuro. Quase não pensamos no presente; e, quando pensamos, é apenas para tomar-lhe a luz a fim de iluminar o futuro. O presente não é nunca o nosso fim; o passado e o presente são os nossos meios; só o futuro é o nosso fim. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver, e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca sejamos.
(...)  o relacionamento primordial da nossa vida é aquele que mantemos com o Agora ou com qualquer forma que ele assuma, isto é, com aquilo que é ou que acontece. Se houver um distúrbio na relação que temos com o Agora, ele se refletirá em todos os relacionamentos e em todas as situações que encontrarmos.
Depois que alcançamos certo grau de consciência (e, se você está lendo isto, quase certamente o atingiu), somos capazes de escolher que espécie de relacionamento desejamos travar com o momento presente. Pretendemos tê-lo como amigo ou inimigo? O momento presente é inseparável da vida, portanto, na verdade, estamos decidindo que tipo de relacionamento queremos ter com a vida.
Uma vez que tenhamos optado por torná-lo nosso amigo, depende de nós dar o primeiro passo: devemos ser amistosos com ele, recebê-lo bem, não importa que disfarce apresente, e logo veremos os resultados. Com isso, a vida passa a ser mais amigável em relação a nós, as pessoas se mostram prestativas, as circunstâncias nos favorecem. Uma decisão muda toda a nossa realidade. No entanto, precisamos fazer essa escolha o tempo todo, sem parar – até que viver dessa maneira seja algo natural para nós.
Assim, quase todos os nossos pensamentos expressam uma preocupação com o passado ou com o futuro, enquanto nosso sentido de eu depende do passado para nossa identidade e do futuro para preenchê-la. Medo, ansiedade, expectativa, arrependimento, culpa, raiva são as disfunções do estado de consciência atado ao tempo.
O ego trata o momento presente de três maneiras: como um meio para alcançar um fim, um obstáculo ou um inimigo. Vamos observar cada um desses padrões individualmente para que possamos reconhecer qual deles está esperando em nós e… decidir mais uma vez.
Na melhor das hipóteses, para o ego, o momento presente é útil apenas como um meio para alcançar um fim. Ele nos leva a algum ponto no futuro que é considerado mais importante, embora o futuro nunca chegue , a não ser como o momento presente portanto, ele nunca passa de um pensamento na nossa cabeça.
Em outras palavras, jamais permanecemos plenamente aqui porque estamos sempre ocupados tentando chegar a algum lugar. Quando esse padrão se torna mais pronunciado, e isso é bastante comum, o momento presente é considerado um obstáculo a ser superado e é tratado como tal. Então surgem a impaciência, a frustração e a tensão permanente. Na nossa cultura, essa é a realidade cotidiana de muitas pessoas, seu estado normal. A vida, que é agora, é vista como um “problema”, e nós passamos a habitar um mundo de obstáculos que precisam ser resolvidos antes que possamos ficar felizes, satisfeitos e realmente começar a viver – ou pelo menos é nisso que acreditamos.
Porém, a questão é a seguinte: para cada dificuldade que solucionamos, outra surge do nada. Uma vez que o momento presente é encarado como um problema, os transtornos podem não ter fim. “Eu serei qualquer coisa que você queira que eu seja”, diz a Vida, ou o Agora. “Vou tratá-lo do modo como você me trata. Se você me vê como um estorvo, eu serei um estorvo para você. Se me trata como um empecilho, serei um empecilho.”
(...) Sabe como você pode superar a disfunção no seu relacionamento com o momento presente? A coisa mais importante é detectá-la em si mesmo, nos seus pensamentos e nas suas ações. No instante em que vê que há um distúrbio na sua relação com o Agora, você está presente. Essa visão assinala o surgimento da presença. Nesse instante, a disfunção começa a se dissipar. Algumas pessoas riem muito quando observam isso. Com a visão surge o poder da escolha – a decisão de dizer sim ao Agora, de torná-lo seu amigo.
Excertos de O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA, Eckhart Tolle, Editora Sextante.  E de “Os Pensadores”,  Pascal – Editora Abril Cultural.
BY VIDAPLENAEBEM




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3 de setembro de 2014

O DOPING DOS POBRES



Promover saúde não é sufocar a dor da vida com drogas legais.
Parte da minha família tem origem rural e lá está até hoje. Na roda de conversas, chimarrão girando de mão em mão, os tios com um cigarro de palha pendurado no canto da boca, ficava encasquetada com um comentário recorrente. Toda prosa começava com o preço da soja ou do trigo, evoluía para a fúria da geada do inverno daquele ano, quicava por quanto fulano e beltrano estavam plantando e, por fim, chegava ao ponto que me interessava. 
Eu era um toco de gente, mas sentada num banquinho ao pé dos adultos e do fogão à lenha, não havia nada que me arrancasse dali. Depois desses assuntos chatérrimos, que eu suportava com brios de filósofo estóico, finalmente minhas tias começavam a atualizar meus pais sobre as fofocas locais. Invariavelmente havia alguém que tinha descarrilado. Vinha então a voz meio sussurrada, em tom de sentença: "fulana sofre dos nervos".
Pronto, estava tudo explicado. Menos para mim. Eu não entendia o que eram os tais dos nervos. Só sabia que eles eram os culpados por alterar a ordem daquele pequeno mundo rural. Depois de "atacadas dos nervos", pessoas até então trabalhadeiras, de repente, não achavam mais que acordar às 4h da madrugada para tirar leite de vaca e plantar soja era a vida que tinham pedido a Deus. Mulheres sensatas largavam as panelas e os filhos ao vento e recusavam-se a juntar o marido bêbado na bodega do povoado. Rebelavam-se. Por culpa dos nervos.
Eu criava ouvidos de Dumbo - não para voar, mas para ficar plantada bem ali, ouvindo até o zum-zum das varejeiras tentando alcançar as bolachas de confeito branco, paridas na cozinha das tias para as visitas do domingo. Só raramente alguém notava meus olhos de bolinha de gude e fazia sinal para mudar de assunto. Naquelas noites, eu nem dormia. Parte por causa dos borrachudos que tinham esfolado a minha pele. Parte por causa do mistério dos ataques de nervos. Será que eu também tenho nervos?,  matutava. De manhã, perguntava a um e outro, mas ninguém dava uma explicação convincente. Nervos eram nervos e pronto. E não eram assunto de criança.
Cresci, apalpei outras geografias, mas revisito aquele mundo rural sempre que possível. Nas minhas recentes passagens por lá, descobri que os nervos desapareceram. Não há mais nervos em parte alguma. Agora há depressivos e vítimas de pânico. E, em vez de ataques de nervos, as pessoas têm crises de ansiedade. Antes, o contra-ataque se dava por um arsenal de chás e ervas de nomes estranhos. Mesmo na cidade, não tinha nada que o finado Chico não tratasse com alguma beberagem de cor estranha. Minha teoria pessoal é que não existia vírus ou bactéria ou até mesmo nervos capaz de suportar o cheiro daqueles troços. Mas o velho Chico morreu, não sei dizer se antes ou depois dos nervos. E agora tudo é tratado com comprimidos de cores variadas.
Quando comecei minha aventura de repórter, no final dos anos 80, ainda encontrava referência aos nervos por onde andasse, fosse em zonas rurais de norte a sul, fosse na periferia das grandes cidades. Com o tempo, especialmente a partir dos anos 90, as mesmas queixas começavam a ser embaladas em termos médicos. Nos últimos anos, tenho ficado embasbacada ao entrevistar gente analfabeta que fala em depressão como se fosse o nome de alguém da família. A terminologia médica invadiu a linguagem em todas as classes sociais e regiões - e se inscreveu na cultura.
Há algum tempo penso nos muitos significados dessa enorme mudança. Significa que as pessoas estão sendo mais bem tratadas e tendo acesso a medicamentos? Talvez. Mas não me parece que seja isso. Ou pelo menos apenas isso. Estou preocupada com o que tenho testemunhado pelas periferias do Brasil. Antes, quando batia na casa das pessoas mais humildes, os pais de família me apresentavam sua carteira de trabalho. Isso sempre me devastou, porque revelava a violência silenciosa que vitimava os mais pobres. Com o gesto, eles queriam provar que eram trabalhadores, gente de bem - e não vagabundos ou bandidos porque eram pobres. Eu tentava explicar que não era autoridade nem tinha direito algum de ver seus documentos. Mas o homem diante de mim, estendendo a carteira de trabalho, carregava na alma séculos de humilhação. Então, eu examinava e elogiava seu documento.
Hoje, quase não acontece mais. De uns tempos para cá, o que muita gente tem me mostrado são, adivinhem: "seus" medicamentos. Com um sentido diverso. Acreditam que, por ser jornalista, tenho um conhecimento que eles não têm, sou capaz de esclarecer suas dúvidas. Estou lá, sentada no único sofá ou na melhor cadeira da casa, quando acontece. Depois da prosa inicial, que no meu caso leva umas duas horas, já estamos todos bem à vontade. Então o pai ou a mãe ou a avó fazem sinal para a menina mais nova. E lá vem a criança carregando uma lata da cozinha. Deposita entre as minhas mãos, como uma hóstia. Olho e já sei o que vou encontrar: cartelas de comprimidos até a boca.
Querem saber se faz bem mesmo. Se posso explicar como devem tomar. Se acho que o guri que só apronta na escola deveria tomar também. Me arrepio. Examino o conteúdo. Procuro as bulas. Boa parte são antidepressivos e tranquilizantes. Pergunto quem toma e por que toma. O avô porque não dorme, a mãe e a avó porque estão deprimidas, o pai porque é nervoso e o filho porque é "muito agitado". Com variações, claro. Mas em geral as deprimidas são as mulheres. Lembro que eram elas também as que mais sofriam dos nervos. Não que os homens não sofram, mas sinto que resistem mais antes de assumir publicamente que são "deprimidos". Em geral eles não dormem ou são "nervosos". Muitas vezes, os pais bebem álcool, os filhos são usuários de drogas. 
Com delicadeza, explico que não sou médica, que precisam procurar o posto de saúde. Respondem que a próxima consulta é só daqui a três meses. Descubro então que trocam de medicamentos. Quando acham que o seu não está resolvendo, tentam o do outro. Consciente da minha ignorância, afirmo apenas o que posso afirmar: não tomem o medicamento que é do outro nem dêem para as crianças. Semanas atrás uma mulher me perguntou se podia dar um tranquilizante para a sua sobrinha, de 9 anos, que estava muito agitada. Eu disse que de jeito nenhum, "é muito forte". Minutos depois, veio me contar com um sorriso. Tinha encontrado uma solução: "Dei só a metade". 
A medicalização da dor de existir não é nenhuma novidade. Antidepressivos e tranquilizantes estão disseminados em todas as classes sociais. Para boa parte das pessoas tomar uma pílula para conseguir "aguentar a pressão" é tão trivial quanto tomar um cafezinho. Mas penso que, se você é de classe média, tem mais acesso à informação, à terapia, a um tratamento mais competente. Tem mais acesso à escuta da sua dor. 

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