26 de março de 2009

QUEM FOI PATANJALI?


Uma yoguini chamada Gonika, que vivia no noroeste da Índia antiga (território hoje pertencente ao Afeganistão), era uma grande mestra do Yoga. Seu maior desejo era poder transmitir sua sabedoria para um filho, mas não havia se casado e estava muito idosa para sonhar em ter um marido. Todos os dias ela elevava preces aos deuses pedindo por um filho para que se cumprisse seu papel na vida. Enquanto isso, nos céus, o deus serpente que encarna o infinito, chamado Ananta, o mesma que serve de apoio para o deus Narayana, meditava sobre seu imenso poder, mas num certo momento sentiu-se incapaz de sustentar o peso de Narayana, enquanto este assistia à dança mística de Shiva Nataraja. Narayana explicou a Ananta que se tornara mais poderoso e mais difícil de se carregar em razão de estar praticando Yoga naquele momento. Ananta ficou impressionado, mas também ficou triste por jamais ter encontrado um mestre que lhe ministrasse os segredos do Yoga. A partir de então Ananta ansiava por nascer como ser humano para desfrutar da felicidade de ser iniciado no Yoga. Compadecido do sofrimento de Ananta e de Gonika, o grande deus Brahma extraiu uma centelha de Ananta, com o formato de uma serpente de fogo, que caiu do céu diretamente dentro das mãos de Gonika, convertendo-se instantaneamente em um belo rapaz que se prostrou aos pés da velha senhora, pedindo por sua iniciação. Gonika deu a ele o nome Patañjali, porque o verbo “pat” significa cair, como ele havia caido do céu. E “anjali” é o nome da mudra em que as mãos juntas em concha acompanham as preces, representando a súplica humilde, como ela mesma as tinha para receber o miraculoso filho. A iconografia representa Patañjali com a metade inferior do corpo em formato de serpente enrolada com três voltas, e dotado de quatro braços, dos quais dois estão com as mãos juntas na mudra “anjali” e as outras duas mãos seguram uma concha (mão esquerda) e um disco
(o chakram - na mão direita). Acima de sua cabeça, e saindo de sua coluna vertebral, uma serpente de sete cabeças se posiciona como um dossel protetor. Variações dessa história apresentam o famoso gramático Panini (cuja obra definiu o que se conhece como Sânscrito Clássico) como sendo o seu pai terrestre, talvez para conciliar o yogui com o gramático de mesmo nome (Patañjali) que alguns autores acreditam ser a mesma pessoa. Patañjali é muito reverenciado no sul da Índia, onde se acredita que passou a maior parte de sua vida.
Os Yogasutras de Patañjali, trad. De Carlos Eduardo Gonzales Barbosa

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