16 de junho de 2009

Conexão mente-corpo


Uma das áreas da medicina que mais tem se desenvolvido nos últimos tempos é a medicina psicossomática.

Aceita-se hoje, com extrema tranqüilidade, que várias doenças podem se instalar por influência direta de alterações psicoemocionais. É clássica a ligação que existe entre o nervosismo e a úlcera gástrica, entre o medo e a asma brônquica, entre o stress e o herpes simples, e até entre a depressão e o câncer.

Institutos de medicina psicossomática proliferam pelo mundo, e há médicos que alegam que todas as doenças, isso mesmo, todas, sem exceção, apresentam, pelo menos um componente psicossomático.

Esse conceito, apesar de estar sendo muito valorizado ultimamente, não tem nada de novo. Hipocrates, 400 a.C., já se referia à influência da mente sobre o corpo. Os hormônios, tão conhecidos hoje, receberam dos gregos o nome de humores, em função da influência do humor (estado emocional) sobre o estado de saúde da pessoa.

De modo simplificado, podemos nos referir ao fantástico complexo de estruturas neurológicas, endócrinas e substâncias químicas que permeiam a ligação da mente com o corpo, apenas por conexão mente-corpo, ou ainda conexão psico-fisiológica.

A conexão mente-corpo é, portanto, suposta há muito tempo, e conhecida recentemente. O que é mais recente ainda, e é aí que queremos chegar, é que essa conexão é uma via de duas mãos.

Ou seja, da mesma maneira como a mente influi o corpo, o corpo influi a mente. A isso podemos chamar de conexão ascendente.

Existem várias maneiras como esse fenômeno pode se processar. Neste artigo pretendo citar um exemplo que pode ajudar a qualquer pessoa, especialmente em momentos de dificuldade ou tensão.

Entre as dezenas de neurotransmissores que o cérebro produz, um dos mais pesquisados é a beta-endorfina. Bastante conhecida por aqueles que gostam de esporte, a beta-endorfina é um analgésico natural, produzido quando o corpo está em intensa atividade física. A finalidade é proteger o corpo da dor provocada pelas possíveis lesões do esporte, ou da batalha. Você já ouviu falar de alguém que se machuca jogando futebol, mas só vai sentir dor depois que o corpo “esfria”? É por causa da endorfina.

Mas a endorfina tem mais efeitos sobre nosso corpo e sobre nossa condição emocional. É um poderoso anti-depressivo, e um estimulante. Que tipo de estimulo? Aqui vem a melhor parte. Sob efeito de doses altas de endorfina, a pessoa experimenta elevação de uma combinação de quatro estados mentais ótimos: bem estar, autoconfiança, otimismo e serenidade.

Não é fantástico? Será que não é assim que você gostaria de sentir sempre? E especialmente em momentos difíceis, quando você está sendo mais exigido, como no momento de enfrentar uma entrevista de emprego ou uma reunião de fechamento de negócio, por exemplo?

Os momentos em que há elevação significativa dessa substância, estão ligados com a atividade física, como praticar esporte, dançar ou fazer sexo. No entanto, você pode ter, ou não, níveis bons de neurotransmissores estimulantes através da simples postura corporal adequada.

Atitudes corporais corretas, como manter a coluna reta, ombros para trás, cabeça erguida, sentar-se sobre os ísquios (ossos da região glútea, próprios para sustentar a carga do corpo sentado) e não sobre o cóccix (ossos que constituem o final da coluna vertebral), como manda a Natureza, e manter um sorriso fácil no rosto, são garantias de receber como contrapartida um ótimo estado mental.

No Japão antigo, os guerreiros samurais eram conhecidos por sua postura firme e desafiadora, que intimidava os inimigos, que já entravam na luta derrotados psicologicamente.

Os samurais usavam uma faixa elástica chamada kikurigoshi amarrada à bacia. A finalidade da faixa era a de pressionar os ossos da bacia, o que cria um reflexo que passa para a coluna e a deixa mais reta. Não é possível ficar curvado usando o kikurigoshi. Essa técnica milenar ainda é utilizada em muitas artes marciais. É um exemplo de conexão mente-corpo ascendente. Ou seja, conexão corpo-mente.

A lição que tem que ficar é a seguinte: a mente percebe a postura do corpo e se comporta de modo coerente com ela. Se você senta de maneira relaxada, o cérebro vai funcionar relaxado. Se você senta sobre os ísquios, com a coluna reta, peito para frente, ombros equilibrados, o seu cérebro vai funcionar assim, majestoso.

Tudo isso acontece a nível inconsciente. O cérebro percebe coisas que você não fica sabendo. Não toma consciência. Mas a resposta vem, a nível de comportamento mental. Portanto, comece a prestar atenção à maneira como você senta para estudar, para comer, como você caminha, como você cumprimenta as pessoas, que expressão facial você utiliza em todos os momentos, fáceis ou difíceis.

E também observe o seu mundo imediato. Aquele sobre o qual você pode interferir diretamente. Suas roupas, objetos pessoais, seu quarto, seu local de trabalho. Enfim sua ecologia pessoal. Ela tem o mesmo tipo de influência sobre seu estado mental.

Eugenio Mussak

Fonte: http://www.sapiensapiens.com.br
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