29 de agosto de 2009



Levanta os teus olhos para o Sol:
Ele está lá, naquele deslumbrante coração de vida, de luz e de esplendor.
Observa, à noite, as inumeráveis constelações cintilando como solenes fogos vigilantes da Eternidade, no silêncio sem limites, que não é vazio, mas que vibra com a presença de uma quietude única e de uma inefável existência. Vê, lá, Órion com a sua espada e o seu cinturão brilhando, tal como brilhou para os seus antepassados Arianos, há dez mil anos no início da era Ariana; Vê Sírius no seu esplendor, vê Lyra navegando a biliões de milhas no oceano do espaço.
Lembra-te que estes inumeráveis mundos, muitos deles mais poderosos do que os nossos, giram com indescritível velocidade, obedecendo àquele Ancião dos Dias, e que ninguém, mas apenas Ele conhece; e, contudo, são um milhão de vezes mais antigos do que o vosso Himalaia, mais firmes do que as bases das vossas colinas, e assim permanecerão, até que Ele, por Sua vontade, os liberte como folhas secas da árvore eterna do Universo.
Imagina o Tempo sem fim; tenta perceber o Espaço sem limites; e então, lembra-te, que quando estes mundos não existiam, Ele existia; Ele era, o Mesmo de agora; e quando estes mundos não existirem, Ele existirá, sempre o Mesmo; percebe, que para além de Lyra, Ele é; e longe, no Espaço, onde as estrelas da Cruz do Sul não podem ser vistas, também, aí, Ele estará.
E agora, regressa à Terra e percebe quem é este "Ele".
Ele está muito perto de ti.
Observa aquele velhinho que passa por ti, curvado pelo peso da vida e dobrado sobre a sua bengala.
Consegues perceber que é Deus que está a passar?
Acolá, uma criança corre e ri banhada pela luz do sol.
Consegues ouvi-Lo naquele rir?
Não, Ele está ainda mais perto de ti. Ele está dentro de ti.
Ele és tu.
És tu próprio que ardes, lá, a milhões de milhas no Espaço infinito, és tu que caminhas com passos seguros sobre as ondas do mar etéreo;
Foste tu que colocaste as estrelas nos seus lugares e teceste o colar do Sol, não com mãos, mas através daquele Yoga, daquela Vontade silenciosa, sem acto, impessoal, que te colocou hoje, aqui, a ouvir-te a ti próprio em mim.
Levanta os olhos, Ó criança do antigo Yoga, e não sejas mais um ser tremente e céptico! Não temas, não duvides, não te lamentes! Porque dentro deste nosso corpo visível, está AQUELE que pode criar e destruir mundos com um sopro.

Sri Aurobindo

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