7 de setembro de 2009

Ishvara Pranidhana

É a dedicação das ações e da vontade ao Senhor. Quem tem fé em Deus não desespera. Tem a iluminação (tejas). Quem sabe que toda criação pertence ao Senhor não inchará de orgulho nem se embriagará com o poder. Não se rebaixará para fins egoístas; sua cabeça só se curvará à adoração. Quando as águas de bhakti (devoção) fluírem através das turbinas da mente, o resultado será a força mental e a iluminação espiritual. Enquanto a mera força de caráter é como um narcótico. Entregar-se aos prazeres destrói o poder e a glória. Da satisfação dos sentidos, quando eles perseguem os prazeres, surge o moha (apego) e lobha (cobiça), por sua repetição. Se os sentidos não são satisfeitos, então aparece soka (tristeza). Eles devem ser dominados com o conhecimento e a paciência; mas controlar a mente é mais difícil. Depois de se Ter esgotado os próprios recursos sem alcançar sucesso, a pessoa se volta para o Senhor pedindo ajuda, pois Ele é a fonte de todo poder. É nesse estágio que começa a bhakti. Na bhakti, a mente, o intelecto e a vontade se rendem ao Senhor, e o sadhka reza: "Não sei o que é bom para mim. Seja feita a Tua vontade". Outros rezam para ter seus desejos satisfeitos. Na bhakti, ou verdadeiro amor, não há lugar para o "eu" e o "meu". Quando o sentimento deo "eu" e do "meu" desaparece, a alma individual atinge sua maturidade.
A mente, depois de esvaziada de desejos de satisfação pessoal, deve encher-se com pensamentos do Senhor. Numa mente cheia de pensamentos de satisfação pessoal há o perigo de os sentidos arrastarem a mente atrás dos objetos do desejo. As tentativas de praticar a bhakti sem esvaziar a mente de desejos é como acender uma fogueira com lenha molhada. Produz muita fumaça e faz lacrimejar os olhos da pessoa que a acende e dos que estão à sua volta. Uma mente com desejos não incendeia, não brilha, nem gera luz e calor quando tocada pelo fogo do conhecimento.
O nome do Senhor é como o Sol, que dissipa toda escuridão. A lua está cheia quando está de frente para o sol. A alma individual experimenta a plenitudae (purnata) quando está de frente para o Senhor. Se a sombra da terra se interpõe entre a lua e o sol, há um eclipse. Se o sentimento do "eu" e do "meu" lança sua sombra sobre a experiência da plenitude, todos os esforços do sadhaka pra ganhar a paz são em vãos.
As ações espelham a personalidade de um homem melhor que sua palavras. O iogue aprendeu a arte de dedicar todas as suas ações ao Senhor, e assim elas refletem divindade dentro dele.

B.K.S. Iyengar
Fonte: http://mahashanti.blogspot.com/2008/02/ishvara-pranidhana.html



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