4 de setembro de 2009

Vossos filhos não são vossos filhos. São filhos
e filhas da ânsia
da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós. E,

embora vivam convosco, a vós não pertencem. Podeis outorgar­
lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
pois eles têm seus
próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas

almas; pois suas almas moram na mansão
do amanhã, que vós não
podeis visitar nem
mesmo em sonho. Podeis esforçar­vos por ser

como eles, mas não procureis fazê­los como vós,
porque a vida não
anda para trás e não se demora
com os dias passados. Vós sois o

arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas,
são arremessados.

O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito
e vos estica com sua
força para que suas
flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que
vosso encurvamento na mão do Arqueiro
seja vossa alegria: pois
assim como Ele ama
a flecha que voa, ama também o arco, que

permanece estável.

Gibran

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