29 de outubro de 2009

O Resgate do Poder Feminino


No mundo em que vivemos, nós mulheres perdemos a referência de nossa sabedoria interna, estamos cada vez mais pré-destinadas a sofrer as consequências disso.
Consequências essas que vão desde o desequilíbrio emocional, mental e orgânico, ao desenvolvimento de certas doenças.
Essa sabedoria, é interna, aquela que nosso organismo todo mês manifesta em forma de “sangue”.
Para algumas de nós, esse período é conflitante, caracterizado por emoções difíceis de lidar.
A menstruação é muito mais do que um incômodo e inconveniência. Esse ciclo mensal contém a essência da feminilidade, e como tal, exerce um papel extremamente importante no processo integração mente e corpo que muitas de nós buscamos.
Para nós, ocidentais, em grande parte menstruar raramente é motivo de celebração. Em muitos casos ela é vista como um transtorno, uma experiência dolorosa e prostrante.
Mas resgatando essa sabedoria, podemos nos tornar amigas dessa transformação que nos ocorre durante o período menstrual.
Médicos ayurvedicos creditam que nós mulheres levamos uma vantagem sobre os homens por sangrarmos todos os meses, vantagem essa que muitas vezes se traduz em uma vida mais longa.
Os ritmos naturais femininos são sustentados pelos ciclos mensais menstruais. Nossas primeiras ancestrais femininas sabiam desta verdade a nível celular. Profundamente harmonizadas com os ciclos naturais, elas menstruavam com a lua nova, quando a energia ojas (proteção do nosso corpo) está em seu ponto baixo, e as energias absorventes do sol estão em seu ponto máximo. Quando o sangue em seu corpo começava a fluir, elas se separavam dos homens e das crianças para observar o sadhana (prática) do descanso e da renovação. A lua nova era a época em que as mulheres temporariamente abandovavam o fardo das responsabilidades, para se concentrarem apenas na auto-renovação e na auto-nutrição dentro de um espírito de irmandade e comunidade.
Em nossa era pós-industrial, o uso de pílulas e dispositivos anticoncepcionais, terapias hormonais, antibióticos, e a alteração química dos alimentos desequilibraram os ritmos internos do nosso corpo, fazendo com que nossos ciclos menstruais saíssem de alinhamento com o ciclo lunar. Prejudicando nosso shakti-prana, a energia sutil feminino básico, o que por sua vez produz desequilíbrios hormonais e doenças.
Menstruar não apenas nos ajuda a alcançar o equilíbrio entre atividade e o repouso, mas também ajuda no processo de purificação do nosso corpo. A cada 25 a 35 dias, recolhendo todos os detritos e toxina (amas) que se acumulam ao longo do mês e expelindo-os para fora do corpo juntamente com o sangue menstrual.
Esse ama contém tudo que não foi devidamente digerido. Como comida, emoções, fatores de tensão. Aquilo que ficou estagnado em nossos corpos, uma matéria pegajosa e desagradável que se acumula em nosso corpo quando algo não está bem.
Se cuidamos ao longo do mês, nosso corpo não deve conter muito ama e pode, portanto livrar-se dele com relativa facilidade. Agora, se nós nos alimentamos indevidamente, com muitas guloseimas, excedermos em farras ou suportar altas doses de tensão ou transtorno emocional durante todo mês, nosso corpo terá que trabalhar arduamente para remover todas as toxinas acumuladas.
Em consequência disso, percebemos uma mudança no modo de sentir imediatamente antes ou no decorrer da menstruação. O famoso sintoma da TPM. Com cólicas intensas, sangramentos fortes e abundantes.
Nosso shakti-prana circula através e ao redor do útero, a maior área de vulnerabilidade em nós mulheres. E que muitas vezes não reconhecemos a santidade do útero, muito menos do prana sagrado que o governa.
Essa profunda fonte feminina de poder também nos torna extremamente vulneráveis e suscetíveis a doenças. Quando cuidamos do útero, honrando essa energia manifesta, nos harmonizamos a essa força vital feminina e nos protegemos.
O primeiro passo para o equilíbrio e fortalecimento do shakti-prana e consequentemente nosso útero é nos familiarizarmos com nossos ritmos internos. Nossa menstruação afeta diretamente o shakti-prana, porque o ciclo mensal é um dos meios básicos de revitalização, limpeza e restauração do prana.
A cultura védica na Índia honra o shakti-prana por reconhecer que o sangue da mulher é o assento de sua shakti, e que este sangue contém potencial da Mãe Divina para produzir vida nova e renascimento.
A prática do yoga pode nos ajudar a descobrir isso. Nos ajudando a sintonizar com o próprio corpo. Ela nos mostra como nosso ciclo pode funcionar como um barômetro da saúde, e ao mesmo tempo com a Terra.
Fonte: http://clauyoga.tumblr.com

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Um comentário:

Isabel Perry disse...

Este blogue dá-me Paz....e cheira-me a incenso enquanto aqui estou, sabias?
É o meu "blogue mágico"! :-)

Um beijinho
Isabel