22 de outubro de 2009



Os sonhos podem reservar-nos experiências únicas, momentos incomparáveis de alegria e emoção, situações preciosas de insight psicológico; podem oferecer-nos lições acerca de nós próprios permitindo-nos um autoconhecimento mais aprofundado. Contudo, nada disto nos servirá se não conseguirmos recordar esses mesmos sonhos, se não transportarmos essa matéria onírica para o “mundo dos objetos”. Vamos supor que, por um motivo qualquer que não podíamos controlar, estávamos conscientes apenas nos dias pares do mês enquanto que nos dias impares mergulhávamos na escuridão, numa perda total de consciência… De certo modo é que isto que acontece com a larga maioria da população, numa alternância constante entre sono e vigília. Porque é que nos “desligamos” oito em cada 24 horas todos os dias?!  Cerca de 1/3 das nossas vidas é passado nesse estado de consciência que é o sono. Cerca de 20% desse terço é passado a sonhar, o que representa quase 8% do tempo total de vida de um Ser Humano. Assim, negligenciando os nossos sonhos perdemos anos e anos de possível experiência de vida. Na verdade isto não precisa de ser necessariamente assim. Para que tal aconteça basta treinar a nossa memorização dos sonhos e a capacidade de os recordar. A memorização dos sonhos torna-se complicada devido a uma série de fatores que podem variar desde o próprio conteúdo dos sonhos até ao nosso modo de vida, passando ainda, evidentemente, pela qualidade da memória de cada indivíduo. Por motivos que ainda não são totalmente conhecidos mas que poderão estar relacionados com a forma que natureza arranjou para garantir a sobrevivência do Homem, parecemos ter uma tendência natural para esquecer os sonhos. Este esquecimento “inato” parece ser acentuado ainda mais pelo estilo de vida ocidental, em que acordamos repentinamente com o som do despertador, saltamos da cama para não voltar a adormecer e começamos o dia num clima de urgência. Neste contexto, não é de admirar que na maior parte das pessoas os sonhos de esvaiam como fumo no ar.  À exceção de alguns afortunados, recordar os sonhos requer alguma dedicação e esforço. Contudo, reservando algum tempo do nosso dia a esta atividade poderemos aumentar consideravelmente a quantidade de sonhos por dia. Pessoalmente, antes de começar a dedicar alguma atenção aos meus sonhos recordava cerca de dois ou três por semana. Em seis meses passei a recordar, salvo raras exceções, pelo menos um por dia. Ao fim de 18 meses recordo dois ou três sonhos por noite mas há quem consiga, sem grande esforço, recordar sete ou mais sonhos por noite. O que fazer então para aumentar a capacidade de retenção dos sonhos? Um dos determinantes mais importantes na memorização dos sonhos é a motivação. Na maioria dos casos, aqueles que querem lembrar-se dos seus sonhos conseguem-no e aqueles que não o desejam não o conseguem (LaBerge, 2000). Para muitas pessoas, simplesmente ter a intenção de recordar os seus sonhos e lembrando isto a elas próprias enquanto adormecem é suficiente. Uma excelente forma de reforçar isto é criar um “diário” de sonhos e mantê-lo ao alcance para poder registar qualquer sonho que ocorra ao longo da noite. Á medida que vamos registando mais sonhos vamos ser capazes de recordar ainda mais. Ler os sonhos registados fornece um benefício adicional: quanto mais familiarizados ficamos com o que usualmente sucede nos nossos sonhos, mais facilmente será reconhecer um enquanto este ainda está a ocorrer e assim ficar lúcido no sonho. Um método muito eficaz para desenvolver a capacidade de lembrar os sonhos é adquirir o hábito de perguntarmos a nós próprios, sempre que acordamos, “o que estava a sonhar?”. Este deve ser o primeiro pensamento a ter imediatamente após o acordar; de outra forma poderemos esquecer alguns detalhes ou mesmo o sonho completo devido à interferência de outros pensamentos. Não devemos desistir demasiado facilmente se nada for lembrado inicialmente, é necessário ser persistente e paciente no esforço para recordar: Não nos devemos mover nem pensar noutro assunto qualquer, os olhos devem permanecer fechados. Se assim for, provavelmente fragmentos do sonho surgirão. Contudo, se mesmo assim o sonho não for lembrado, podemos perguntar a nós próprios no que é que estávamos a pensar e sentir quando acordamos. Examinar os pensamentos e emoções desta forma pode fornecer as pistas necessárias para conseguir recordar o sonho na totalidade. Há quem considere que comer muito à noite afeta a capacidade de recordar os sonhos pois as refeições grandes antes de deitar tornam o sono pesado e o conteúdo dos sonhos corre o risco de ser “contaminado” por uma digestão difícil. É melhor também não deitar muito tarde pois quanto mais longa for a noite mais hipóteses haverá de se terem muitos sonhos e, portanto, de os recordar mais facilmente. Se possível, dormir de costas será um bom hábito a adquirir pois nesta posição todos os órgãos estão livres. De barriga para baixo ou em posição fetal, o sonhador corre o risco de respirar com dificuldade ou de comprimir algum órgão ou membro, o que perturbará o sono e influenciará o conteúdo dos sonhos. Desenvolver a capacidade de recordar os sonhos pode implicar, como na aprendizagem de qualquer competência, um progresso por vezes lento. É importante não perder a motivação e a perseverança se não formos bem sucedidos logo de início. Cada um de nós adquire esta mestria ao seu próprio ritmo mas virtualmente quase todos os que mantêm o esforço melhoram a sua habilidade neste campo.

Fonte: http://arcadesonhos.googlepages.com/aprenderasonhar


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3 comentários:

alegria de viver disse...

Olá querida
Adorei este texto, os sonhos são sempre muito apreciados. A imagem é linda.
Com muito carinho BJS.

Padma Shanti disse...

Agradeço todos os elogios, espero conservar a humildade, que Desu ilumine a todos, OM SHANTI...

Felicidade disse...

Mais um texto lindo, é sempre um prazer vir até aqui!!!
Bjo e obrigada