17 de novembro de 2009

A LIÇÃO DE UM IOGUE


Sentado no tapete vermelho do muladhara* está um iogue chorando.
Ele tentou ascender à shakti**, mas só acendeu o fogo do orgulho.
Ele queria obter os siddhis*** sagrados, mas foi despertado por sua própria ambição.
Ele almejava o samadhi****, mas só encontrou um céu de arrogância em si mesmo.
Ele queria fazer uma viagem espiritual, mas estacionou na própria impotência.
Humilhado, ele se pergunta o porquê do fracasso.
Tanta disciplina e ascetismo não adiantaram, pois seu orgulho era maior.
Ele medita, mas até o prana foge ao seu controle.
Arrasado, ele ergue a mente e clama aos céus a solução de seu dilema.
Enquanto isso, a Mãe Divina observa-o ternamente.
Ela sabe que a derrota do iogue é sua verdadeira vitória.
Ele ainda não sabe disso, mas o tempo lhe ensinará que a luz não obedece ao ego, somente ao amor.
Quando ele arrefecer sua ambição e dobrar-se aos desígnios superiores, a shakti o impulsionará para cima alegremente.
Ela cantará com ele na viagem pelos nádis***** luminosos.
Ela o levará até o céu em seu coração e depois o guiará a cidade de Brahman****** no lótus das mil luzes.
Ela beijará seus sonhos e o ajudará nos caminhos da realidade.
Com humildade, ele sorrirá e abençoará o dia em que foi derrotado por si mesmo.
Ele saberá que o tempo todo a Mãe e ele eram um só!...
Wagner Borges
* Muladhara (do sânscrito): nome do chacra da base da coluna
** Shakti (do sânscrito): força divina
*** Siddhis (do sânscrito): poderes parapsíquicos
**** Samadhi (do sânscrito): expansão da consciência
***** Nádis (do sânscrito): condutos sutis
****** Brahman (do sânscrito): O Absoluto; O Grande Arquiteto da Vida; Deus; Alá; O Todo
Fonte: http://www.ippb.org.br/indice.html 

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