28 de novembro de 2009

MANEIRA DE DIZER AS COISAS

Uma sábia e conhecida anedota árabe 
diz que, certa feita, um sultão sonhou 
que havia perdido todos os dentes. 
Logo que despertou, mandou chamar 
um adivinho para que interpretasse seu sonho.
- Que desgraça, senhor! - exclamou o 
adivinho. Cada dente caído representa 
a perda de um parente de vossa majestade.
- Mas que insolente! - gritou o sultão, 
enfurecido. Como te atreves a dizer-me 
semelhante coisa? Fora daqui!
Chamou os guardas e ordenou que lhe 
dessem cem açoites. Mandou que 
trouxessem outro adivinho e 
lhe contou sobre o sonho.
Este, após ouvir o sultão 
com atenção, disse-lhe:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos 
está reservada. O sonho significa que 
haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
A fisionomia do sultão iluminou-se num 
sorriso e ele mandou dar cem moedas 
de ouro ao segundo adivinho. E quando 
este saía do palácio, um dos 
cortesãos lhe disse admirado:
- Não é possível ! A interpretação que 
você fez foi a mesma que o seu colega 
havia feito. Não entendo porque ao 
primeiro ele pagou com cem açoites 
e a você com cem moedas de ouro.
- Lembra-te meu amigo - respondeu o 
adivinho - que tudo depende da maneira de dizer...
Um dos grandes desafios da humanidade 
é aprender a arte de comunicar-se. Da 
comunicação depende, muitas vezes, a 
felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.
Que a verdade deve ser dita em qualquer 
situação, não resta dúvida. Mas a forma 
com que ela é comunicada é que tem 
provocado, em alguns casos, grandes 
problemas. A verdade pode ser comparada 
a uma pedra preciosa. Se a lançarmos 
no rosto de alguém pode ferir, provocando 
dor e revolta. Mas se a envolvemos em 
delicada embalagem e a oferecemos com 
ternura, certamente será aceita com facilidade.
A embalagem, nesse caso, é a indulgência, 
o carinho, a compreensão e, acima de tudo, 
a vontade sincera de ajudar a pessoa 
a quem nos dirigimos.
Ademais, será sábio de nossa parte se 
antes de dizer aos outros o que julgamos 
ser uma verdade, dizê-la a nós 
mesmos diante do espelho.
E, conforme seja a nossa reação, podemos 
seguir em frente ou deixar 
de lado o nosso intento.
Importante mesmo, é ter sempre em 
mente que o que fará diferença é 
a maneira de dizer as coisas...

Há um tempo atrás, eu dizia o que pensava em nome da sinceridade. Depois aprendi que não vale a pena dizer toda a verdade e magoar as pessoas. A falta de tato é egoísmo, "faça aos outros o que gostaria que fizessem com você".  A verdade deve ser dita para ajudar e não para mostrar conhecimento ou por arrogância. É melhor esperar o momento certo e as palavras certas. Patrícia

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5 comentários:

Jorge disse...

Padma,
Profundo. Saber falar é realmente uma arte. Muita vez falamos até inconscientemente a "nossa" verdade. Mas se faz necessário nos colocar no lugar da pessoa com quem falamos.
E, minha amiga, no final, a mágoa que deixamos no coração de alguém é a ferida que abrimos em nós mesmos.

Valeu por este post. Reflexão é o caminho!!!

Beijo, de coração,
Jorge

Eliane disse...

Postagem maravilhosa!
Tudo depende da maneira como falamos.

Beijinhos iluminados!

alegria de viver disse...

Olá querida
Hoje sei a profundidade da palavra, a palavra é de prata e o silêncio é de ouro. Tudo muda a maneira como se diz a verdade.
Com muito carinho BJS.

Chris disse...

A verdade não é absoluta, tem contornos de profundidades sublimes... talvez, seja importante dizer-mos a nossa verdade...
Um beijo
Chris

Adelia Ester Maame Zimeo disse...

Padma, concordo que deve-se ponderar quanto e como deve ser dito algo à alguém. Isto envolve respeito ao outro. Tem uma declaração de afeto para você em meu blog. Um bom final de domingo! Beijo.