12 de dezembro de 2009

BIOGRAFIA DE RABINDRANATH TAGORE

ABÍNDRANÁTH THÁKHUR, ocidentalizado Tagore, (6 de maio de 1861, Calcutá – 7 de agosto de 1941, Calcutá) foi escritor, contista, dramaturgo,  poeta   e  músico  indiano.  Em 1913,  Tagore   recebeu o Prêmio Nobel da Literatura. Dois anos depois, recebeu o título de Cavaleiro Britânico.  Nasceu   em Calcutá,   na   Índia,   então   sob   domínio   britânico,   e estudou Direito na Inglaterra de 1878 a 1880. Em 1880, retornou à Índia para administrar   propriedades   agrícolas   da   família,   dedicando-se   ao
desenvolvimento da agricultura e a projetos de saúde e educacionais.  Com formação   filosófica,   chegou   a   criar   uma   instituição   educativa,   em Santiniketan, denominada A Voz Universal, na qual combinava elementos da cultura hindu e ocidental.  Em clima de  liberdade,  com aulas ao ar  livre,  a escola  logo se converteu em centro de difusão do panteísmo espiritualista (relacionado com as doutrinas védicas) e dos ideais de solidariedade humana preconizados pelo fundador. Mais tarde, com a venda de uma casa e das jóias da esposa,   fundou uma escola  superior  de Filosofia em Santiniketan  (que depois foi transformada em Universidade, em 1921).  Sua obra poética compreende uma coleção de três mil poemas sobre temas religiosos,  políticos e sociais,  obra que estimulou a renovação da literatura em língua bengali. A obra em prosa, orientada por preocupações humanistas, é extensa. Inclui oito novelas, 50 ensaios e contos. Com oito anos de idade, já fazia versos. Aos doze, teve a satisfação de ver a sua poesia aprovada pelo seu venerando pai, que exclamou: — Se o rei conhecesse a língua da nossa Terra e pudesse apreciar-lhe a  literatura,   recompensaria por  certo o poeta. Como  músico,   compôs   duas  mil   canções.   O   volume   de   poesias  mais
conhecido  é  Oferenda  Poética   (1913-1915).  Seus  últimos   trabalhos,   entre eles, Cantos Musicais (1910), são classificados dentro do simbolismo.  Renunciou,   em 1919,   ao   título  de  Sir  por  não   concordar   com  a  política britânica   em  relação   ao  Punjabe,  mais   exatamente   em  protesto   contra   o massacre de Amritsar, cidade do estado do Punjabe localizada ao noroeste da Índia.  A  atuação   pública   de   Tagore   foi   um   fator   fundamental   para   a aproximação da cultura ocidental com a oriental. Entretanto, as preocupações sociais do escritor o levaram a defender a independência da Índia em diversos ensaios,  embora sempre  tenha considerado que a mudança  dividual  deve preceder a social.  Rabíndranáth  Tagore   chegou   a   ser   aclamado   por  Mohandas  Karamchand Gandhi (1869 - 1948) como Grande Mestre e foi reconhecido por todos os indianos como o Sol da Índia. Foi Tagore quem, pela primeira vez, em 1919, se referiu a Gandhi como Mahatma (do sânscrito A Grande Alma), quando este o visitou  também pela primeira vez.  O Mahatma Gandhi   foi  um dos idealizadores   e   fundadores   do  moderno   estado   indiano   e   um  influente defensor  do Satyagraha  (princípio da não-agressão,   forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução pacífica. O Princípio do Satyagraha – freqüentemente   traduzido   como   o  Caminho   da  Verdade   ou   a  Busca   da Verdade – também inspirou gerações de ativistas democráticos e anti-racistas, incluindo Martin Luther  King  (1929 – 1968)  e Nelson Mandela  (1918  -). Freqüentemente,  Gandhi afirmava a simplicidade de seus valores derivados da crença tradicional hindu: verdade (satya) e não-violência (ahimsa).Rabíndranáth e o Mahatma Gandhi.


Cronologia:
1861 – Nascimento em Calcutá. Décimo quarto filho de uma família que, por tradição, se consagrava à renovação espiritual do Bengala. 
1869 – Rabindranath ingressa na escola. Mostra-se cedo refratário à coação escolar.
1873 – Seu pai, o mharsi (o santo), encarregado da sua educação, leva-o ao
retiro de Santiniketan e ao Himalaia. 1874 – Publicação de poemas e de críticas na revista O Saber em Botão. Lê Paulo e Virgínia, em tradução.
1875 – Morte da sua mãe. Compõe Flores Selvagens, Lamentações e as suas primeiras obras musicais.
1877 – Publica Ensaios Sobre Dante e Petrarca,  História de um Poeta e os poemas   pastiche   assinados  Bhanu  Singha,   publicados   na   revista  Bharati, fundada por dois dos seus irmãos.
1878 – Parte para a Inglaterra para estudar Direito.
1880 – Regresso à Índia. Escreve e publica O Coração Destroçado.
1881 – Interpreta o papel de Valmiki na sua ópera.
1882 – Publica Os Cantos da Noite.
1883 – Casamento  com Mrinalini  Devi,  de  dezoito  anos.  Publicação dos
Cantos da Aurora e de A Feira da Rainha Nova Desposada.
1884   –  Retiro   em Gazipur.  Ensaios   sobre  Râm Mohun  Roy.   lmagens   e
Canções.
1886 – Nascimento da sua filha Madhurilata. Publica Dieses e Bemóis.
1888 – Nascimento do seu filho Rathindranath.
1889 – Publica O rei e a Rainha, um drama em verso.
1890 – Tagore empreende a sua segunda viagem à Europa. Percorre a Itália, a França e a Inglaterra. Na Índia, encarregado da gestão do domínio familiar, instala-se em Shileida. Publica A Musa.
1891   –  Aos   trinta   anos   é   escolhido   para   o   cargo   de   vice-presidente   da
Academia das Letras de Bengala. Publica O Barco de Ouro e Chitra. 1893 – Em Calcutá, representa no seu drama: O Sacrifício.
1894 – Publica Kacha e Devayani.
1896 – Publica A Colheita Invernal.
1900 – Publica Efêmeros.
1901 – Funda a sua escola em Santiniketan. Publica Oferendas.
1902 – Morte da sua mulher. Publica Smaran (in memoriam).
1903 – Participa das manifestações contra a partilha do Bengala e compõe cantos patrióticos. Morte da sua filha. Escreve para ela A Lua Jovem.
1904 – Morte do seu discípulo, o jovem poeta Satish Chandra Roy. No seu ensaio   político   O   Movimento   Nacional   pronuncia-se   a   favor   da independência da Índia.
1905 – Morte do seu pai. Ergue-se contra o desmembramento da Índia pelos Ingleses. Depois da partilha do Bengala, abandona toda a atividade política. Publica A Travessia.
1907 – Morte do seu filho mais velho.
1910 – Aparecem Gôra   e  Gitanjali,  publicados   em Londres   em  tradução inglesa (1912),  e que,  posteriormente, André Paul Guillaume Gide (1869 – 1951) traduziu para o francês sob o título de Oferenda Lírica (1914).
1911 – Festa nacional pelo seu qüinquagésimo aniversário.
1912-13 – Conferências na Inglaterra e nos EEUU.
1913 – Prêmio Nobel. Aparecem: O Jardineiro de Amor e A Casa e o Mundo.
A sua peça Amal e a Carta do Rei é representada em Londres. 1914 – Publica Cisne.
1915 – É nomeado Cavaleiro (Sir), título que ele devolve ao Vice-Rei,  em
1919. Encontro com o Mahatma Gandhi.
1916 – Publicação em inglês do Fruit-Gathering (A Cesta de Frutos), título factício que reúne poemas aparecidos em bengali de 1886 a 1916. Viagem ao Japão. Na Índia, interpreta o trovador cego na sua peça O Ciclo da Primavera.
1917 – Abre o Congresso Nacional recitando o seu Índia's Prayer.
1918 – Cria,  em Santiniketan,  a universidade  internacional  Visva-Bharati.
Publica A Fugitiva, recolha de histórias em verso.
1919 – Morte da sua filha mais velha.
1920 – Viaja à Europa e aos EEUU para falar da sua universidade e recolher fundos.
1921 – Encontra  Henri-Louis  Bergson  (1859 – 1941)   e Romain Rolland. Regressa à Índia.
1922 – Aparece A Máquina.
1923 – Lançamento da revista de arte, de literatura e de filosofia – o Visva-Bharati Quaterly.
1924 – Viagens à Malásia, à China, ao Japão, à França e à Argentina.
1925 – Preside o Congresso de Filosofia das Índias.
1926 – Percorre a Europa. Encontra-se com Albert Einstein (1879 – 1955).
1927 – Novas viagens: Malásia, Java, Bali e Sião. 1928 – Descobre o desenho e a pintura. Estuda na Escola Governamental de Calcutá.
1929 – Desloca-se à China, ao Japão, ao Canadá e à Indochina.
1930 – As suas pinturas são expostas em Paris, Londres, Berlim, Munique, Genebra,  Moscou,  Nova   lorque   e  Filadélfia.  Faz   várias   conferências   em Oxford sobre a Religião do Homem. Aparece Pirilampos.
1931 – Regresso à Índia. Entregam-lhe,  pelo seu septuagésimo aniversário, um Livro de Ouro composto pelos   intelectuais do mundo  inteiro.  Publica Cartas a um Amigo.
1932 – Visita a Gandhi na prisão. Publicação de Mohua.
1933 – Viagem triunfal ao Ceilão. Não deixará mais a Índia.
1934 – Recebe Jawaharlal Nehru (1889 – 1964) em Santiniketan.
1939 – Rimas humorísticas: Aquela que Sorri.
1940 – Recebe o Mahatma Gandhi  em Santiniketan.  Publicação das   suas recordações de infância: Naquele Tempo.
1941 – Para o seu octogésimo aniversário, escreve uma mensagem ao mundo: A Crise da Civilização. Morre, em Calcutá, na casa que o viu nascer.
Rodolfo Domenico Pizzinga
Fonte: http://svmmvmbonvm.org/aum_muh.html  

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5 comentários:

Jorge disse...

Gostei muito de conhecer a história de Tagore.

valeu!!!

Beijo

alegria de viver disse...

Olá querida
Penso, será que ainda existe pessoas assim, poucos são os que se doam.
Com muito carinho BJS.

Alma inquieta disse...

Olá Querida!

Passei para agradecer as visitas e as palavras de apoio.

Um beijo e bom fim de semana!

nereida disse...

Padma, desde muito cedo, tive o przer de conhecer parte da obra de Tagore, o que muito acrescentou-me como pessoa...
Até hoje, seus escritos me tocam e ensinam( conforme demonstro no meu cantinho) e muito, ainda há, para mim a refletir sobre suas palavras! Bj

PS: Obrigada, amiga, pelo selinho oferecido. Levo-o agora, deixando-lhe um grande abraço.

Antonio Noceti disse...

Não conhecia a história de Tagore.
Obrigado.