13 de dezembro de 2009

BIOGRAFIA DO PROF. HERMÓGENES


José Hermógenes de Andrade Filho, nasceu em 9 de março de 1921, em Natal, no bairro do Tirol, Rio Grande do Norte, em uma família pobre. Por volta dos 10 anos, teve uma experiência que ele considerou como o primeiro contato com os princípios do yoga, e que futuramente regeria toda a sua vida. Ao se banhar na beira do mar, foi puxado pela correnteza e quase afogou-se, não sabia nadar. De repente, viu um rapaz nadando em sua direção. O salvador lhe disse: "Não tente me ajudar nem me segurar. Simplesmente amoleça". Ele obedeceu. Entregou-se à circunstância e se deixou salvar. Naquele instante, Hermógenes aprendeu a lição da entrega: "fui aprendendo de mansinho a viver de forma suave e a aceitar de forma positiva as dificuldades que a vida me impõe, para poder transformá-las em aprendizado". Aos 20 anos, como não havia escolas superiores em Natal e não tinha recursos para estudar em outra cidade, Hermógenes decidiu fazer um curso na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde tinha hospedagem, estudo e alimentação. Casou-se Ione Maria. Em 1.945, já com duas filhas, Ana Lúcia e Ana Cristina, estava se preparando para ir à Itália, lutar na Segunda Guerra. Fazia parte da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Entrou, então, na Escola Militar como Tenente da Cia. do 2º ano ginasial, professor de história e filósofo. Na mesma época, passou a vender seguros, como forma de ajudar na renda familiar. Era um buscador incessante das verdades mais profundas do Ser e algumas explicações em sua religião não o satisfaziam. Não conseguia abrandar a sua sede de compreender. Na década de 1.950, já capitão do Exército quase resignou-se a se contentar apenas com o aspecto litúrgico da religiosidade, procurando aceitar, sem no entanto compreender. Então ele conheceu a Bhagavad Gītā e começou a perceber a Verdade: seu pedido estava sendo concedido. Na época, 1.955, publicou seu primeiro livro, "A Pergunta que Ensina", um método didático para ensinar História do Brasil. Todo o estresse que tinha tido com a preparação para a guerra, com a falta de dinheiro, com suas perguntas e angústias interiores... com tudo isso, começou a ter febrículas todo fim de tarde. Era 1.958 e ele tinha 35 anos. Sua voz também começou a desaparecer. Procurou um médico renomado, pagou caríssimo, e recebeu um diagnóstico errado. Meses depois, seu dentista lhe mandou fazer um exame e uma radiografia para ver a possibilidade de tuberculose. Ainda era capitão do Exército quando, no fim dos anos 50, foi surpreendido por uma tuberculose, uma doença maldita naquela época... Seu médico lhe disse que seu pulmão estava todo comprometido! Teria de tomar medicamentos e iniciar o tratamento com injeções de ar no tórax, entre a massa pulmonar e a pleura: o pneumotórax.  A Bhagavad Gītā o deu tranqüilidade em relação às provações. Já estava praticando o Yoga espiritual e não sabia. Depois de uns dois anos, perguntou para seu médico quando poderia parar o pneumotórax. Ele não só lhe disse que estava longe da cura, mas que teria de fazer uma cirurgia! Fomos à cirurgia, num hospital em Jacarepaguá. O médico lhe comunicou que o procedimento, com entradas de catéteres no pulmão para cauterizar as feridas, teria de ser feito sem anestesia (na época feita com gases inflamáveis). Ele lhe disse que teria de suportar a dor sem gritar, sem se mover nem se defender. Teria de ficar imóvel.
Professor Hermógenes relata como foi:
"Fiquei segurando uma barra de ferro, enquanto ele furava minha caixa torácica dos dois lados. Uma dor terrível. O médico tinha me dito que iria demorar uns minutos, mas o tempo passava e não acabava. Senti um desejo enorme de morrer. Então, me lembrei do Bhagavad Gītā, que diz que nosso destino depois de deixar o corpo é determinado pelo nosso último pensamento. Dias depois, o médico me disse que era pleurisia, água no pulmão. Quando fiquei bom da pleurisia, tive de voltar ao tratamento com pneumotórax".
Sobre essa época Hermógenes conta:
"Meus pulmões pareciam casas de abelhas. Me atacou a laringe a ponto de me deixar afônico. Como o tratamento era à base de muita alimentação e muito repouso, quando terminou eu estava envelhecido e obeso, apesar de ainda estar na faixa dos 35 anos. O pior era o bloqueio psicológico e social que o médico me impôs. 'Você não pode ficar no sol, pegar sereno, ir à praia, fazer ginástica' e por aí afora. Até propôs que eu me aposentasse porque minha vida estava comprometida"...
"Quando saí da infecção, estava doente, em decorrência do tratamento: gordo, balofo, envelhecido, sem flexibilidade e, o pior, cheio de limitações. Não podia tomar chuva, nem tomar Sol, cuidado com isso, cuidado com aquilo.. cheguei à conclusão de que não era mais viver, era um semiviver, sem graça..."
Hermógenes já era Major e se reformou como Tenente-coronel. Foi aí que ganhou um livro de Hatha Yoga (Yoga and Sports, de Elizabeth Haich e Selvarajan Yesudian), que ensinava uma série de posturas para melhorar a saúde física e espiritual. Com um autor indiano (Selvajaran Yesudian) e escrito em francês, o livro foi um manual "sem mestre", pois era extremamente claro. Assim, ele começou a praticar Hatha Yoga, como experiência, em silêncio e escondido, no chão frio do banheiro, pois assim ninguém o desaprovaria
Pensou: “Ou fico bom ou morro logo. A transformação em poucos meses foi tão espetacular que surgiu um novo ser daquela ruína. Senti o compromisso de dedicar o resto da minha vida a mostrar o mapa da mina aos outros". 
Começou, então a dar aulas na garagem de uma aluna, devido ao crescente interesse em sua cura e reabilitação. Mergulhou nos livros de filosofia para, em 1.960, publicar um livro revolucionário para a época, o primeiro compêndio em português de Hatha Yoga: "Autoperfeição com Hatha Yoga", o primeiro manual do tipo publicado em língua portuguesa. Foi nessa época que conheceu Caio Miranda.
“Estudei muito para escrever. Não queria que o livro virasse objeto de riso dos profissionais, dos médicos... Ninguém falava em Yoga no Brasil. Eu estava sozinho nessa aventura fantástica”.
O livro causou rebuliço e Hermógenes começou a receber cartas de pessoas que insistiam para ele ampliar as suas aulas. Isso implicaria em sair da garagem de sua aluna e ter que cobrar pelas aulas. Ele diz que relutou muito, pois não queria "vender o Yoga".
"Uma amiga me disse que eu não vivia em uma caverna na Índia, logo teria de cobrar pelas aulas para pagar o aluguel e as despesas da escola."  Teve que ceder aos pedidos, pois o número de alunos não mais cabia na garagem. Então, um dia, um amigo lhe fez uma surpresa: o levou para conhecer um espaço no centro do Rio de Janeiro e comprometeu-se a pagar a mensalidade se o professor não conseguisse alunos (o que nunca foi preciso). Surgiu aí a Academia Hermógenes de Yoga, fundada em 1.962, que permanece até hoje no mesmo endereço, sem ter filiais ou propaganda.
Nessa época, Hermógenes conheceu Maria Bicalho, que viria a ser sua segunda esposa, e entrou em contato com os ensinamentos de Paramahansa Yogananda, autor do livro "Autobiography of a Yogi" (Autobiografia de Um Iogue). O livro foi originalmente lançado em 1.946 nos Estados Unidos e aqui no Brasil na década de 1.960 pela editora Sumus Editorial. Entretanto, a vendagem do livro no Brasil sempre foi  inexpressiva, não alcançando a 200 exemplares por ano, pois esse autor indiano tinha muito pouca divulgação no país. Incansável buscador, Professor Hermógenes se tornou kriyaban, recebendo iniciação na técnica de Kriya Yoga de Paramahansa Yogananda.
Continuando sua busca e estudos, aprofundando seu conhecimento sobre o  Sanātana Dharma (a Lei Eterna), e conheceu a Teosofia de Helena Petrovna Blavatsky. Sempre admirou a qualidade das traduções das escrituras indianas e da interpretação dada por autores teosóficos e acabou vice-presidente da Sociedade Teosófica no Brasil, em 1.975: “Entendo a Teosofia pelo seu conceito original, essencial e verdadeiro. Vejo que ela é a mesma coisa que Sanātana Dharma (ou Prājña). É a Lei Eterna, a sabedoria que liberta. A Teosofia arrumou minha cabeça e me ensinou a viver, simultaneamente, o Hinduísmo, o Budismo e o Cristianismo. Isso me facilitou a entender que as religiões são ramos diferentes de uma só árvore, que se alimenta de uma mesma seiva”. Em 1.979 casa-se com Maria Bicalho, companheira inseparável, que passou a acompanhá-lo onde quer que fosse. Devota de Sathya Sai Baba, com ela viajou inúmeras vezes à Índia, onde teve a oportunidade de conhecer o mestre indiano.
Foi um dos primeiros a trazer a mensagem de Sathya Sai Baba para o Brasil e, posteriormente, traduzir três de seus livros ("O Homem dos Milagres"; "O Fluir da Canção do Senhor (Gita Vahini) e "SADHANA, o Caminho Interior") e fundar o primeiro centro dedicado ao mestre no Brasil. A sua aconteceu no dia 27 de junho em 1.987 e foi denominado Centro Bhagavan Sri Sathya Sai Baba do Rio de Janeiro. Mas apesar de seu nome oficial, acabou ficando informalmente conhecido como Centro Sathya Sai de Vila Isabel, devido ao bairro de sua localização. Maria teve mal de Alzheimer e morreu em fevereiro de 2.002.
Hoje, com seis netos e três bisnetos, o professor que começou escrevendo livros didáticos, em 1.955, tem um conjunto literário que já conta com mais de 30 livros, alguns editados no exterior, além da tradução de seis volumes de cunho filosófico e espiritualista. Publicou, entre outros, "Saúde na Terceira Idade" e "Yoga para Nervosos". Já perdeu a conta de seminários, aulas e palestras que fez no Brasil, em Portugal e na Argentina, onde, aliás, goza de um prestígio que julga maior do que em nosso país.
É considerado o pioneiro em medicina holística no Brasil, com mais de 42 anos de prática e ensino de Yoga. Filósofo, poeta, escritor e terapeuta, o professor Hermógenes costuma dizer que se sente mais jovem hoje, aos 85 anos, do que se sentia aos 35. Doutor em Yogaterapia, título concedido pelo World Development Parliament, da Índia, é o criador do treinamento anti-stress.
Autor: ICCFH   
Fonte: http://www.orion.med.br/ 

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Um comentário:

alegria de viver disse...

Olá querida
Conheço o professor de nome, a história de vida é linda.
Com muito carinho BJS.