9 de dezembro de 2009



A fonte original de toda tensão é tornar-se. A pessoa está sempre tentando ser alguma coisa; ninguém está à vontade consigo mesmo como a pessoa é. O ser não é aceito, o ser é negado, algo mais é tido como um ideal para vir a ser. Assim a tensão básica está sempre entre aquilo que você é e aquilo que você deseja vir a ser.
Você deseja tornar-se alguma coisa. Tensão significa que você não está satisfeito com o que você é, e você anseia por ser o que você não é. Tensão é criada entre esses dois. O que você deseja vir a ser é irrelevante. Se você deseja tornar-se rico, famoso, poderoso, ou mesmo que você deseje ser livre, liberado, divino, imortal, mesmo que você anseie por salvação, moksha, também assim a tensão estará presente. Qualquer coisa que seja desejado como algo a ser realizado no futuro, contra você como você é, gera tensão. Quanto mais impossível for o ideal, a tensão está fadada a ser maior.
Portanto, uma pessoa que seja materialista é geralmente não tão tensa assim como aquele que é religioso, pois a pessoa religiosa está ansiando pelo impossível, pelo longínquo. A distância é tão grande que somente uma grande tensão pode preencher o intervalo. Tensão significa um intervalo entre o que você é e o que você quer ser. Se o intervalo for grande, a tensão será grande. Se o espaço for pequeno, a tensão será pequena. E se não houver absolutamente nenhum intervalo, isso quer dizer que você está satisfeito com o que você é. Em outras palavras, você não anseia ser alguma outra coisa além daquilo que você é. Dessa forma sua mente existe no momento. Não há nada com o que ficar tenso, você está à vontade consigo mesmo. Você está no Tao. Para mim, se não houver nenhum intervalo, você é religioso; você está no dharma. O intervalo pode ter muitas camadas. Se o anseio for físico, a tensão será física. Quando você busca um corpo particular, uma forma particular – se você deseja alguma outra coisa além do que você é no nível físico – então há tensão no seu corpo físico. A pessoa deseja ser mais bonita. Agora seu corpo fica tenso. Essa tensão começa no seu primeiro corpo, o fisiológico, mas se isso for insistente, constante, isso pode aprofundar-se e espalhar-se para as outras camadas de seu ser. Se você tiver um tipo particular de mente e você quiser mudá-la, transformá-la – se você quiser ser mais sabido, mais inteligente – desse modo a tensão é criada. Só quando aceitamos totalmente a nós mesmos não nenhuma tensão. Essa aceitação total é o milagre, o único milagre. Encontrar uma pessoa que tenha aceito a si mesma totalmente é a única coisa surpreendente. Existência em si mesma é não-tensa. Tensão é sempre devido a possibilidades não-existenciais, hipotéticas. No presente não há qualquer tensão; a tensão é sempre orientada para o futuro. Ela procede da imaginação. Você pode imaginar a si mesmo como alguma outra coisa além do que você é. Esse potencial que tem sido imaginado irá gerar tensão.
Assim quanto mais imaginativa a pessoa for, maior a possibilidade de tensão. Dessa forma a imaginação torna-se destrutiva. Imaginação também pode tornar-se construtiva, criativa. Se toda sua capacidade de imaginar estiver focalizada no presente, no momento, não no futuro, assim você pode começar a ver sua existência como poesia. Sua imaginação não estará criando um desejo; ela estará sendo usada no viver. Esse viver no presente está além da tensão.
Os animais não são tensos, as árvores não são tensas pois elas não possuem a capacidade de imaginar. Elas estão abaixo da tensão, não além dela. A tensão delas é somente uma potencialidade; não se tornou real. Elas estão evoluindo. Um momento chegará quando a tensão irá explodir no ser delas e elas começarão a ansiar pelo futuro. Isso está fadado a acontecer. A imaginação torna-se ativa. A primeira coisa sobre a qual a imaginação torna-se ativa é o futuro. Você cria imagens e devido a que não há nenhuma realidade correspondente, você prossegue criando mais e mais imagens. Mas no que se refere ao presente, você não pode ordinariamente conceber da imaginação em relação a isso. Como é que você pode ser imaginativo no presente? Parece não haver nenhuma necessidade disso. Esse ponto precisa ser compreendido.

Osho

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3 comentários:

SANDRA NABUCO disse...

Adorei o post!
Esta é a minha filosofia de vida!
Me aceito hoje exatamente como sou e não fico imaginando que devo mudar algo!
E se,esse pensamento ocorre,consigo no mesmo momento modificá-lo,para que tudo fique como está HOJE!
Muito bom ler isto hoje aqui!
Beijinhos e tenha uma linda quarta-feira!

merce disse...

Muy interesante este blog.

Con tu permiso volveré.


Un abrazo Padma Shanti.

Maria José disse...

Padma. Tem um selinho bem especial para você em meu blog, dado com muito carinho. Beijos.