20 de dezembro de 2009

A Questão Fundamental



Existe apenas uma questão fundamental na vida: “Quem sou eu?”. Sem o saber por nós mesmos, nada tem validade e os nossos pensamentos geram ilusão. No questionamento sobre a nossa verdadeira natureza encontra-se o significado  total da existência. Tudo o mais é preliminar ou supérfluo. A maior parte das questões que colocamos na vida são questões ilegítimas porque se baseiam no pressuposto que nós  já sabemos quem nós somos. Todo o nosso conhecimento e ação externas se baseiam na ideia que nós somos quem nós julgamos que somos. Se percebermos que a nossa autoimagem é errada, no que teríamos confiança em realizar? Uma pessoa afetada por amnésia primeiramente procura saber quem é antes de saber quem os outros são. Esta é a ignorância colossal  da nossa inteira cultura. A entidade sobre a qual todas as ações se baseiam, o ser, é a que menos foi criticamente examinada. Aceitamos como o nosso verdadeiro ser aquilo que outras pessoas nos disseram, o que é habitual ou está na moda, ou o que quer que os nossos padrões passageiros de pensamento projetem. Moldamos a nossa  identidade por   influências  externas,  e nutrimos  esta  identidade  fabricada como a nossa verdadeira natureza, procurando mantê-la feliz por todos os meios.
Todos os nossos pensamentos se baseiam no pensamento: “Eu”: “Eu sou isto” ou “Isto é meu”, “Eu preciso fazer isto” ou “Amanhã eu farei aquilo.” O “Eu” é constantemente associado a um objeto ou ação, recebe um nome e forma, e um devir no tempo. O “Eu” é misturado com um objeto, um identidade externa ou auto-imagem. Mas o “Eu” em si-mesmo não é conhecido por nós e nunca diretamente próximo.
O  nosso   conhecimento   de   quem  somos   é   indireto   e   confuso.  Não   é   autoconhecimento  mas   autoilusão.  Nós sobrepusemos subjetividade e vários papéis e funções extrínsecas no nosso ser interno. Aquilo a que chamamos de nosso ser é, assim, nada mais do que uma série de aparências ou pretensões. É uma identidade para os outros, não uma manifestação daquilo que realmente somos na nossa própria natureza. Enquanto projetarmos algum objeto ou qualidade sobre nós mesmos, estaremos a projetar a nossa identidade no campo da ilusão e materialidade. Perdemos o nosso ser e tornamo-nos uma coisa, o que terá de resultar em mágoa.
O maior obstáculo ao autoconhecimento é a ideia que nós já sabemos quem realmente somos. Todo o que pensamos que somos é meramente aquilo que experienciamos, o peso do nosso condicionamento. Não indica a natureza da nossa consciência, apenas o grau da nossa identificação com o mundo externo. Apenas quando nos apercebermos do perigo de viver nessa ignorância podemos desenvolver a vontade de progredir no caminho da verdade.
Extraído do livro Vedantic Meditation: Lighting the Flame of Awareness de David Frawley. Traduzido por Gustavo Cunha, publicado em www.yogavaidika.com.
Fonte: http://www.scribd.com/doc/23728347/A-Questao-Fundamental-David-Frawley?autodown=pdf

Share/Bookmark

4 comentários:

alegria de viver disse...

Olá querida
Obrigada pelas palavras de afeto.
FELIZ NATAL E PROSPERO ANO NOVO
Realmente somos uma peça aprendendo todos os dias e nos perguntando quem somos?
Com muito carinho BJS.

Jorge disse...

Padma,

Sem a experiência não tem como voltarmos para nós. Sem vivência, mesmo que inconsciente, não temos condições para nos questionar. Pela experiencia, podemos amadurecer, ena slapidações do dia a dia é que vamos tendo a condição de interiorizar. Nós chegaremos lá, mas se pensarmos que por não sabermos quem somos, tudo é ilusão, nos paralizsamos. A física quantica já nos diz que tudo é ilusão, e mesmo assim, vamos vivendo, aprendendo e amadurecendo. Naturalmente vem as indagações sobre nós mesmos.
Minha amiga, fim do ano, desejo a você um Natal repleto de alegria e que 2010 brilhe intensamente a tua vida.

Com todo carinho,
Jorge

Carmem L Vilanova disse...

Querida Padma,
Há mais, muito mais, para o Natal doque luz de vela e alegria;
É o espírito de doce amizade que brilha todo o ano.
É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente, para paz, para entendimento, e para benevolência dos homens.
É o nascimento de Jesus!
Muitas flores, muitos sorrisos e muita paz no coração!
Beijos... sempre!

Padma Shanti disse...

Agradeço Carmem e Luz pelas lindas palavras, vindas do coração. Que Deus as iluminem em suas caminhadas lhes trazendo a paz tão necessária, beijos, Feliz Natal.
Namastê!