8 de fevereiro de 2010



Eis um segredo maravilhoso e entretanto tão simples de sabedoria do amor em todos os tempos: toda entrega desinteressada, ainda que mínima, toda participação, todo amor, nos faz ricos, enquanto todo empenho pela posse e poder nos rouba forças e nos torna mais pobres. Souberam-no e ensinaram-no os hindus e depois os sábios gregos e depois Jesus...E desde então vêm repetindo isso milhares de sábios e poetas, cujas obras ultrapassaram os tempos, enquanto fortunas e reinos contemporâneos seus se esfacelavam e desapareciam. Podeis ficar com Jesus ou Platão, com Schiller ou Spinoza, será sempre esta a última e derradeira sabedoria: nem o poder nem a posse nem o saber fazem o homem feliz – só o consegue o amor. Toda entrega de si, toda renúncia feita por amor, toda dedicação operosa, todo devotamento aos outros, parece ser perda ou atitude inútil. E é, todavia, enriquecimento e engrandecimento de nós próprios. Este é o único caminho que leva para a frente e para o alto. O amor é uma canção antiga: e eu me sinto péssimo cantor. Mas as verdades não envelhecem e são sempre por toda parte verdadeiras, quer pregadas no deserto, quer cantadas num poema, quer impressas nas páginas de um jornal.
Hermann Hesse

Share/Bookmark

Um comentário:

Jorge disse...

Padma
Grande Hesse.
O caminho para dentro de nós mesmos é o caminho mais difícil de se realizar, pois se faz necessário se despojar de todas as fragilidades que buscamos esconder. O caminho externo é sempre mais fácil, mas de sabor mais amargo. Mas assim também é um caminho pois a dor faz o homem repensar a própria vida e o seu caminho.

Uma ótima semana e um beijo,
Jorge