5 de março de 2010




DIETA PARA O CÉREBRO
Comer bem contribui para manter
o cérebro jovem e em boa forma

Uma boa alimentação pode ajudar qualquer pessoa a prevenir – ou pelo menos retardar – a aparição de doenças degenerativas do sistema nervoso, associadas normalmente à idade. Comer bem é um misto de inteligência e prazer, e contribui para manter um cérebro jovem e em boa forma. É o que afirmam o cozinheiro Martín Berasategui e o neurologista Gurutz Linazasoro, do Centro de Pesquisa Parkinson da Policlínica Guipúzcoa, na Espanha. Comer nozes regularmente ajuda a manter o cérebro longe de males como Alzheimer. Os especialistas, de áreas aparentemente distantes, mas que na realidade têm muito em comum, dizem que um dos grandes segredos para conseguir um bom envelhecimento cerebral é seguir a chamada dieta mediterrânea.
Basicamente, a dieta consiste em consumir frutas, verduras, legumes, peixes e azeite de oliva, além de comer nozes regularmente, beber de oito a dez copos de água diários e não ingerir, sempre que possível, alimentos excessivamente calóricos.
Hábitos alimentícios saudáveis repercutem favoravelmente em nossa vida não só de forma imediata, mas também a longo prazo, além de ajudarem a um envelhecimento cerebral saudável. O cérebro não é uma exceção, e uma boa alimentação pode ser uma medida que ajuda a prevenir ou retardar a aparição de doenças como Parkinson, Alzheimer e perda da memória. O assunto foi tema do congresso "Brain in Motion" ("Cérebro em Movimento"), realizado em San Sebastián, na Espanha, que reuniu prestigiados neurocientistas e cozinheiros famosos. Em uma exposição titulada de "Criatividade, gastronomia e emoções", cozinheiros de renome como Pedro Subijana, Andoni Luis Aduriz e Eneko Atxa foram revelando junto a cientistas as sensações e emoções que uma boa alimentação pode provocar no funcionamento do cérebro humano. "A forma como comemos muda a própria biologia do cérebro", explicou Aduriz. Para o professor da Universidade Carnegie Mellon (EUA) Marcel Just, especialista em memória operacional e linguagem, "simplesmente a comida pode influir na criatividade e afetar diretamente o cérebro e, em conseqüência, a mente".
Os especialistas concluíram que as necessidades nutricionais de cada indivíduo variam de acordo com as circunstâncias fisiológicas, psicossociais e patológicas de cada momento. Portanto, sua alimentação também deve se adaptar a cada instante.
Para viver mais anos
Graças aos avanços científicos e técnicos, os seres humanos vivem hoje mais tempo que seus antepassados. A questão chave, segundo Berasategui e Linazasoro, é "viver mais anos, mas em condições físicas e mentais boas. E, para isso, é necessário manter uma atividade física e mental regular e comer de forma saudável".
De acordo com eles, "os seres humanos custam muito a adotar pequenas medidas preventivas que com o passar do tempo possam contribuir para conseqüências positivas e antecipar, assim, os eventos". A idade perfeita para começar a adquirir certos hábitos de alimentação saudável é a infância. "As crianças vão se acostumar a desjejuar bem, comer verdura, cinco frutas ao dia e não abusar de produtos industrializados", explica Linazasoro. Os ingredientes básicos das receitas saudáveis para o cérebro são as verduras, as frutas, os legumes, o peixe e, também, o azeite de oliva.
Para Berasategui, "igualmente importante aos produtos que utilizamos é saber dosar as quantidades que devemos ingerir, nossos hábitos perante a comida e nossa atitude na mesa, onde devemos estar relaxados e com um bom ambiente".
Os autores dessa teoria destacam que "a cada dia existem mais evidências do efeito positivo desses alimentos, a maioria deles ricos em ômega-3".
Os antioxidantes – que se encontram, por exemplo, nas nozes – também são benéficos para lutar contra o envelhecimento. Mas é importante também beber entre oito e dez copos de água diários (entre 1,5 e 2,5 litros). "Simplesmente se deve buscar um equilíbrio e ter muito bom senso: ter uma dieta saudável e não ingerir – na medida do possível – alimentos ricos em calorias", contou Linazasoro.
Para ter cérebro e nervos saudáveis, especialistas recomendam "fazer refeições freqüentes, muito nutritivas e pouco abundantes, comer de forma variada, incluindo todos os principais grupos de alimentos para evitar um déficit nutricional, e prestar especial atenção às verduras e fruta frescas, alimentos com proteínas sem gorduras e cereais integrais".
Antonio Torres   

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