12 de março de 2010



A Geografia do Plano Astral

Antes de procedermos à consideração das experiências da alma desencarnada novamente acordada, rogamo-vos que nos acompanheis numa breve exposição do que chamamos “geografia do plano astral”, dessa grande cena das atividades das almas humanas desencarnadas; este é o caminho lógico que nos conduz ao nosso assunto. Porque antes de observarmos os habitantes de um novo país, costumamos colher conhecimento do próprio país, familiarizando-nos com seus montes e vales, seus rios e lagos, suas planícies, serras e várzeas. Empregando, pois, a mesma figura de discurso, vamos agora tomar uma pequena lição de geografia do plano astral, onde vivem as almas desencarnadas.
Porém, antes de tudo, relembrai-vos que o plano astral não é um país, não é um lugar, no sentido usual do termo. Suas dimensões não são as do espaço, porém as de vibração.
Poderíamos dizer, talvez, que as dimensões do plano astral são as dimensões do tempo, porque as vibrações podem ser medidas unicamente quanto ao movimento, e este pode ser determinado só em termos de tempo. Isto é verdade concernente a todas as vibrações, tanto às da energia astral, como às das formas inferiores de energia. As vibrações de luz medem-se em termos de tempo; isto quer dizer: tantas vibrações num segundo, tantas num minuto, etc. Quanto mais alto o grau de vibração, tanto maior o grau de rapidez que a vibração manifesta. Os antigos ocultistas tinham razão quando diziam que há um grau de vibração tão infinitamente rápida que parece ser um repouso absoluto e imóvel! Deste extremo descemos, degrau por degrau, até às formas mais grosseiras de matéria, onde achamos um grau de vibração tão lenta que igualmente parece imobilidade.
A substância do plano astral é muito mais sutil do que a do plano material; as suas vibrações são muito mais altas, isto é, mais rápidas do que as mais sutis formas da substância material. Existe, porém, um campo muito mais largo entre as vibrações dos planos mais baixos e os mais altos. Com efeito, a diferença entre o plano mais baixo do astral e o mais alto plano material, é menor do que a diferença entre o mais baixo e o mais alto plano do mundo astral mesmo. Assim, pois, entre estes dois extremos das vibrações astrais temos um território igualmente grande como o teríamos no plano material, com a diferença, entretanto, que o território material se mede pelas dimensões do espaço, e o do astral só se pode medir em termos de vibração ou tempo, mas não em termos de espaço.
Por exemplo, quando viajamos no plano material, havemos de atravessar um espaço: metros, quilômetros, léguas. Mas no plano astral, quando se viaja, atravessam-se graus de vibração; isto é, passa-se de um alto grau de vibração a um mais baixo ou vice-versa. E estes variados planos ou sub-planos de energia vibratória constituem as condições geográficas do mundo astral. Há inumeráveis planos e sub-planos ou “regiões” do mundo astral, onde se pode viajar, porém toda viagem astral se opera simplesmente pela transição de um grau de vibração a outro. Aplicando um exemplo grosseiro, podemos dizer que esta transição assemelha-se à mudança do estado de gelo no de água, e depois no de vapor. Ou pode ser comparada como a passagem do ordinário ar atmosférico ao ar líquido e, em seguida, ao ar sólido; este último é teoricamente possível, embora a ciência ainda não seja capaz de solidificar o ar. Estas ilustrações são naturalmente muito grosseiras, mas podem auxiliar-vos a compreender um pouco melhor a geografia do plano astral.
Por isso, falaremos em viagem no plano astral, isto é, viagem entre os diferentes planos e sub-planos do mundo astral, como se fosse no plano físico. Isto é, ao invés de dizer que a alma passa de um estado de vibração a outro, falaremos como se caminhasse de um plano ou sub-plano a outro, nos mesmos termos como os que empregaríamos descrevendo uma viagem no plano material. Assim simplificaremos o assunto e evitaremos uma repetição desnecessária da observação acerca dos estados ou condições vibracionais. Tendo esclarecido isto, vamos continuar nossa lição.
Há muitos estados ou condições de existência no plano astral, a que se dá o nome de planos e sub-planos. Estes planos e sub-planos são habitados por almas capazes de viver na série particular de planos ou sub-planos, em que se acordam do sono astral. Princípios sutis da atração psíquica levam cada alma ao lugar particular para o qual sente simpatia e ao qual corresponde o seu interior. A grande lei de atração opera aqui infalivelmente, não admitindo acaso em seu mecanismo. A lei opera com absoluta precisão e uniformidade, e não comete erros.
Cada alma restringe-se no seu campo por suas inerentes limitações e degraus de desenvolvimento. Não há necessidade de polícia astral para conter as almas desencarnadas nos seus lugares próprios. É impossível a alma desencarnada viajar aos planos superiores, à sua própria série imediata. A lei da vibração o proíbe. Pelo contrário, toda alma pode, se o deseja, visitar livremente os planos e sub-planos abaixo da sua própria série e observar livremente o cenário e os fenômenos desses planos inferiores e ajuntar-se com seus habitantes.
Não falamos aqui na alta forma de comunicação telepática que predomina entre as almas desencarnadas do plano astral. É muito sábia esta previsão da lei, porque, se fosse de outro modo, os planos superiores estariam abertos à influência dos habitantes dos inferiores, e a vida e o desenvolvimento da alma seriam interrompidos, como seria interrompida a função de uma escola de filosofia, se nela pudesse entrar qualquer saltimbanco ou vagabundo. Porque, haveis de sabê-lo, também no astral há saltimbancos e vagabundos.
Numa obra anterior temos dado uma ilustração um tanto rude, porém muito útil para a compreensão da inter-comunicação entre os vários planos e sub-planos:
“É absolutamente impossível para uma alma ir além do plano a que pertence, embora as almas dos planos superiores possam livremente tornar a visitar planos mais baixos: esta é a regra do plano astral, não sendo uma lei arbitrária, mas uma lei da Natureza. Se o estudante perdoasse a vulgar comparação, poderia adquirir a compreensão disto, imaginando um grande crivo, ou série de crivos, como os que se usam para classificar, por tamanhos, o carvão. O carvão grande é detido pelo primeiro crivo; o de tamanho imediato, pelo segundo; e assim sucessivamente, até chegar ao carvão mais miúdo. Pois bem: o carvão grande não pode penetrar no receptáculo dos tamanhos menores, mas estes podem passar facilmente através dos crivos e reunir-se aos de tamanhos grandes, se a força necessária lhes é proporcionada. Assim é no mundo astral: a alma que possui maior soma de materialidade e natureza mais grosseira, é detida no crivo de dado plano e não pode passar aos mais elevados, ao passo que aquela que alcançou os mais elevados planos, tendo-se desprendido de muitas envolturas que a limitavam, pode facilmente passar para baixo e para diante pelos planos inferiores, se assim o desejar. As almas nos planos superiores podem visitar e, com efeito, visitam freqüentemente, amigos nos planos inferiores, dando-lhes, deste modo, alegria e prazer; e, nos casos de uma alma altamente desenvolvida, muita ajuda espiritual pode ser dada deste modo, por meio de conselhos e instruções, quando a alma do plano inferior está preparada para tal.”
No tópico que acabamos de citar ajuntamos as seguintes palavras que achamos próprias para serem repetidas agora, porque pertencem à geografia do plano astral:
“A única exceção da regra de livre passagem aos planos inferiores é a que priva as almas dos planos baixos entrarem no “plano dos dormentes”, aonde é permitido entrarem só aquelas almas puras e exaltadas que atingiram um lugar elevado. O plano das almas dormentes é sagrado aos que o ocupam e àquelas almas superiores que acabamos de mencionar, sendo, com efeito, antes da natureza de um estado distinto e separado do que um da grande série de planos e sub-planos.”
Há, no plano astral, regiões tão diferentes, assim como as há no plano material, e cada plano é habitado exatamente por aquela classe de almas que é capaz de atrair. Encontram-se ali as moradas de almas degradadas, tão imersas em materialidade e animalidade, que parar nelas seria um verdadeiro inferno para uma alma de mais, alto desenvolvimento. É fácil imaginar-se que a alma de mais altos impulsos não tem desejo de viajar nestes abismos do astral, excetuando algumas almas muito elevadas que se decidem a “descer aos infernos”, para levarem auxílio a almas inferiores, se estas se esforçam por salvar-se do lodaçal de desespero em que a sua vida terrestre as fez cair.
Tais almas auxiliadoras existem e ocupam-se em ajudar seus irmãos e irmãs atrasadas. Em geral, porém, as almas desencarnadas preferem trabalhar em sua própria evolução no seu próprio plano, para poderem ascender a graus mais altos de oportunidade espiritual em sua próxima encarnação e adquirirem conhecimentos espirituais durante a sua permanência no seu particular plano do Mundo Astral.
Yogue Ramacharaca, in
A vida além da morte – Ed. Pensamento

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