6 de março de 2010



Vivendo a Morte: Uma Meditação

Todos nós temos que nos defrontar com as questões da vida e da morte. Quer seja a morte de um familiar idoso ou o nascimento de um filho, o nascimento e a morte são parte da vida. A filosofia, a ciência, a religião, as artes lidam com a vida e a morte, e com a morte ou renascimento. Todos nós nos perguntamos o que acontece quando morremos. Será que a morte é o nosso fim? E o que isso significa para nós? Como podemos dar mais sentido às nossas vidas?
Existem diversas religiões e culturas, mas todas compartilham de pelo menos um princípio comum: todas têm ritos, rituais e especialistas para lidar com a morte e o morrer. Estes ritos nos oferecem conforto e segurança diante da precariedade e da insegurança da existência. Será que continuamos? Será que atingimos um fim abrupto? Não existe mais nada? E o céu? E o inferno? Existe vida depois da morte? Vamos nos defrontar com Deus ou com o carma? Verdade ou conseqüência? Como podemos ter certeza de qualquer coisa? Isso pode ser verificado ou estão nos pedindo para acreditar e confiar em um mito ou na imaginação? Devemos acreditar nas pessoas que dizem ter voltado das experiências de quase morte? Devemos acreditar em Edgar Cayce e nos outros videntes? Devemos acreditar nos lama encarnados, muitos dos quais dizem que se lembram de vidas passadas e parecem ter algum controle consciente sobre o processo - como se estivessem evoluindo, por escolha, através de diferentes níveis da escola espiritual? Como podemos saber? Quem sabe?
Os budistas perceberam há muito tempo que contemplar a própria mortalidade é uma prática que ajuda a ter foco e estabelecer prioridades. A vida espiritual, a jornada de despertar e dar sentido às nossas vidas enquanto aprendemos a amar, é na verdade uma questão tanto de vida quanto de morte. A precariedade da vida nos ajuda a permanecer totalmente dispersos no aqui agora.
O que o budismo tibetano nos oferece, juntamente com seus ensinamentos pragmáticos e éticos, é uma forma de lidar com a própria experiência da morte - uma forma de encarar a morte no momento presente. Este treinamento pode nos ajudar muito a lidar com o momento da morte. Passamos a apreciar mais, estar mais atento e mais aberto a cada momento da vida, que se torna mais pungente devido à sua absoluta impermanência.
Ao aprender a deixar esta vida ir embora, aprendemos também a viver cada momento sem arrependimentos. Aprendemos a tomar decisões sem arrependimentos. Cada decisão se torna a decisão certa. Quando aprendemos a largar as coisas em vida, abandonamos nossos rancores, obtemos o perdão e nos aliviamos do fardo do ressentimento, da amargura e da hostilidade. Assim, encontramos uma conclusão e podemos soltar velhas tristezas e antigas queixas, deixando estes padrões congelados morrerem. É assim que morremos sem arrependimentos, enquanto aprendemos a viver de novo. Aqui, neste momento. Respiração por respiração. Eis aqui uma meditação que nos ajuda a fazer isso:
Respire profundamente relaxe. Deixe tudo se acomodar. Esteja totalmente presente, naturalmente presente, sem esforço. Você está se sentando por um instante, um instante eterno. Não perca o momento. Só existe este.
Sinta tudo, como é. Esteja presente, alerta, desperto e relaxado. Abra-se para a presença sem esforço, para a consciência pura. A presença total. Tenha consciência de estar consciente, uma percepção luminosa, sem centro, aqui e agora. Deixe que tudo aconteça sem esforço, de forma transparente. Abandone o controle, a manipulação e o julgamento.
A cada respiração, solte um pouco mais. A cada respiração, solte, relaxe, abra e centre-se cada vez mais profundamente. Cada expiração é uma pequena morte. Simplesmente esteja com a expiração, e a cada expiração solte um pouco mais. Um pouco mais ... solte os nós do seu psiquismo. Relaxe. Largue tudo. Solte a tensão dos ombros, expire-a. Expire aquele pensamento, aquela lembrança, solte, solte, solte...
Solte a expiração. Morra um pouco a cada expiração. Morra no momento presente. Qualquer sensação sinta, deixe-a partir. Largue o corpo, largue a mente, largue os pensamentos e a personalidade. Largue tudo. Solte. Largue sua auto-imagem, sua casa, suas posses, seus planos, sua carreira. Solte. Tudo está perfeitamente resolvido na mente natural que não nasce nem morre.
Abandone as tentativas de controlar a mente. A cada expiração, solte. Aperte a embreagem do desapego espiritual e desengrene a marcha. A cada expiração, solte mais alguma coisa - o que vier à cabeça, uma sensação, uma emoção, um sentimento, um relacionamento uma pessoa, um medo, uma posse. Respiração à respiração, momento a momento - simplesmente solte tudo. Habitue-se a evoluir, a se transformar, a passar sem resistência, sem se agarrar, sem apegos. Respiração a respiração, vá soltando. Deixe todos fenômenos ilusórios irem embora.
A cada respiração, perdoe aos outros. Perdoe às pessoas de seu passado - aquelas com quem não tem mais contato, e também as que ainda estão ao seu redor. Perdoe a sí. Aceite os outros como são. Aceite totalmente a si mesmo. Deixe tudo ser como é. Isto é a sabedoria em ação. A cada respiração, abandone o medo, a expectativa, a raiva, o arrependimento, o desejo, a frustração, a fadiga. Abandone a necessidade de aprovação. Abandone os velhos julgamentos e as opiniões. Morra para tudo isto, e voe livremente. Eleve-se na liberdade da ausência de desejos.
Solte. Deixe. Veja através de tudo seja livre, completo, luminoso e volte para casa.
Com este tipo de meditação, as camadas sutis que formam quem nós somos começam a se arrumar, e nós penetramos mais profundamente no nosso estado natural - o estado despojado do ser autêntico. Isto é uma transformação ocorrida aqui e agora. Um renascimento espiritual.
Surya Das
Fonte: http://www.nossacasa.net/SHUNYA/default.asp?menu=1032

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3 comentários:

ONG ALERTA disse...

Infeizmente em nossa cultura não fomos preparados para lidar com a morte e quando ela bate em nossa porta...aprendemos muito a cada dia...a morte não existe...talvez precisamos usar melhor o coração...não sei, o que sei é que a vida é uma escola muitas vezes difícil de passar de ano...paz.

Maria José disse...

Mulher...
Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis
Que divide sua alma em duas
Para carregar tamanha sensibilidade e força
Que ganha o mundo com sua coragem
Que traz paixão no olhar
Mulher...
Que luta pelos seus ideais,
Que dá a vida pela sua família
Mulher...
Que ama incondicionalmente
Que se arruma, se perfuma
Que vence o cansaço
Mulher...
Que chora e que ri
Mulher que sonha...
Tantas Mulheres, belezas únicas, vivas,
Cheias de mistérios e encanto!
Mulheres que deveriam ser lembradas,
amadas, admiradas todos os dias...
Para você, Mulher tão especial...
Feliz Dia Internacional da Mulher!
Beijos.

Carmem L Vilanova disse...

Feliz Dia da Mulher, amiga!
Muitos beijos, flores e lindos sorrisos... sempre!