23 de abril de 2010


  
ERA UMA VEZ...

Era uma vez um pastor. Em uma determinada manhã ao retirar o seu gado do curral, ele percebe que as cordas com as quais se amarravam as vacas no pasto, haviam sido roubadas. Sem ter como correr ao vilarejo para comprar outras, ele corre desesperado para pedir conselhos ao seu guru. Chegando lá faz as reverências de sempre ao seu mestre e explica o problema. O guru, seriamente, responde ao seu discípulo: "Finja que você as está amarrando e você verá que amanhã elas ainda estarão lá". O pastor mesmo bastante incrédulo, resolve aceitar o conselho, já que aquele era seu sábio mestre. Na manhã seguinte, para surpresa do pastor, todas as vacas continuavam ali, placidamente deitadas, cada uma em seu lugar. Ele mal podia acreditar, e feliz da vida, foi então as recolher de volta ao seu curral. Para sua surpresa, nenhuma das vacas obedecia às suas ordens. Nenhuma delas se mexia. Mesmo as golpeando com seu bambu, nenhuma delas se levantava.
O pastor resolveu, então, voltar ao guru, já que o mesmo deveria ter jogado algum "feitiço" sobre elas. Novamente, na companhia do mestre, ele o instrui: "já que você fingiu amarrá-las, agora desamarre-as. Conceda liberdade!" E assim as vaquinhas voltaram ao curral.
Moral da história, moksha é algo que já é teu por natureza. Somos livres por natureza. Esta liberdade é algo real. O que não é real, assim como a corda, são os nossos condicionamentos. Mudam o tempo inteiro e nos aprisionam a um certo tipo de comportamento. Se alguém lhe dá um adjetivo, se alguém lhe atribui uma qualidade, é como se esta pessoa lhe jogasse este "feitiço". Você passa a acreditar e a assumir aquela forma que lhe foi atribuída. Você se identifica com algo que você não é. Lembre-se, você é o Todo. E este não é condicionado. A vaquinha se achava condicionada à corda, mas ela era apenas uma ilusão...
Swami Dayananda Saraswati  

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Um comentário:

Rejane-Enajer disse...

Nossa, é uma grande verdade!!
Adorei!!
Bjs