2 de maio de 2010



O Nosso Infinito

Há ou não um infinito fora de nós? É ou não único, imanente, permanente, esse infinito; necessariamente substancial pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a matéria, limitar-se-ia àquilo; necessariamente inteligente, pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a inteligência, acabaria ali? Desperta ou não em nós esse infinito a idéia de essência, ao passo que nós não podemos atribuir a nós mesmos senão a idéia de existência? Por outras palavras, não é ele o Absoluto, cujo relativo somos nós?
Ao mesmo tempo em que fora de nós há um infinito não há outro dentro de nós? Esses dois infinitos (que horroroso plural!) não se sobrepõem um ao outro? Não é o segundo, por assim dizer, subjacente ao primeiro? Não é o seu espelho, o seu reflexo, o seu eco, um abismo concêntrico a outro abismo? Este segundo infinito não é também inteligente? Não pensa? Não ama? Não tem vontade? Se os dois infinitos são inteligentes, cada um deles tem um princípio volante, há um eu no infinito de cima, do mesmo modo que o há no infinito de baixo. O eu de baixo é a alma; o eu de cima é Deus.
Pôr o infinito de baixo em contato com o infinito de cima, por meio do pensamento, é o que se chama orar.
Não tiremos nada ao espírito humano; é mau suprimir. O que devemos é reformar e transformar. Certas faculdades do homem dirigem-se para o Incógnito, o pensamento, a meditação, a oração. O Incógnito é um oceano. Que é a consciência? É a bússola do Incógnito. O pensamento, a meditação, a oração são tudo grandes irradiações misteriosas. Respeitemo-las.
Para onde vão essas majestosas irradiações da alma?
Para a sombra, quer dizer, para a luz.
A grandeza da democracia consiste em não negar, nem renegar nada da humanidade. Ao pé do direito do homem, pelo menos ao lado, há o direito da alma. A lei é esmagar os fanatismos e venerar o infinito.
Não nos limitemos a prostrar-nos debaixo da árvore da Criação e a contemplar os seus imensos ramos cheios de astros.
Temos um dever: trabalhar para a alma humana, defender o mistério contra o milagre, adorar o incompreensível e rejeitar o absurdo, não admitindo em coisas inexplicáveis senão o necessário, tornando sã a crença, tirando as superstições de cima da religião, catando as lagartas de Deus.
Victor Hugo, em “Os Miseráveis”
Fonte: Citador  

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5 comentários:

Pelos caminhos da vida. disse...

Hoje à partir das 18 hrs, meu blog está concorrendo mais uma votação da Copa Blog, conto com seu voto amiga.Essa votação termina dia 05/05 e, depois aguardar a semi- final.

Meu blog é:

http://anamgs.blogspot.com

O site para a votação é esse aqui:

http://dado.pag.zip.net/

Caso não consiga acessar por aqui, o link está no final do post atual meu.

Desde já fico-lhe grata.

Uma semana de muita luz.

beijooo.

Carmem L Vilanova disse...

Amiga Padma...
Que lindo texto!
Confesso que fiquei sem palavras!
Muita Luz e muita Paz!
Beijos, flores e muitos sorrisos!

Alexander Zimmer disse...

Victor Hugo é fantástico. Mas penso que a resposta a tantas perguntas começariam a ser respondidas tão rapidamente quanto comecemos a aceitar que nada está separado e todos somos extensões uns dos outros.
Abs.

O Árabe disse...

Eis um belo raciocínio, sim. Grato pela partilha. Boa semana!

Zininha disse...

Oi lindinha... adoro toda esta magia de seu cantinho...
Vim te ver...

Amiga, tem um mimo pra você lá na minha Natureza lindaaaa!!! Te espero lá...beijos...