24 de maio de 2010

SOBRE A DOR DO OUTRO




Posso ver a dor de outrem
E não ter tal dor também?
Posso ver sua aflição
E não tentar dar-lhe a mão?
E ao ver lágrima caindo,
Não partilhar da dor ainda?
Pode um pai ver o seu filho
Chorar sem ficar aflito?
E a mãe ouvir ao sentar
Com medo o filho chorar –
Não, não pode acontecer.
Nunca, nunca acontecer.
E o que de tudo sorrira
Ouvir aflita a corruíra?
A mágoa dos passarinhos?
E o ai do sofrer de meninos?
Junto ao ninho não sentar-se
Pondo em seu peito piedade?
Junto ao berço que balança
Chorando com a criança?
Não sentar-se noite e dia
Nos trazendo calmaria?
Não, não pode acontecer.
Nunca, nunca acontecer.
Ele a todos dá Sua graça
E torna-se uma criança
Torna-se um lamentador
E também sente essa dor
Não sonhe um suspiro dar
Onde o criador não está.
Mesmo deitar uma lágrima,
Se o criador não se aproxima.
Ele doa sua graça a nós
E a aflição, talvez, destrói;
Até a dor ser expulsa e finda
Ele chora entre nós ainda.
William Blake

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