29 de junho de 2010

OUTROS MUNDOS E OUTROS CORPOS


(Trecho da obra de Satprem (1) intitulada O materialismo divino)
Passamos de vida em vida, de experiência em experiência – por diferentes modos de tocar a Matéria – até que nosso corpo de experiência tenha crescido nas dimensões do Universo.
Pois é esse, em princípio, todo o sentido da evolução: desenvolver em nós mesmos o corpo da Shakti (2).
Acreditamos fazer guerras, revoluções e cruzadas; criar filosofias, o socialismo, o capitalismo e constituir impérios do Helesponto a Bactriane; acreditamos construir máquinas, fazer literatura, fazer o bem e o mal, criar netos, porém, o tempo todo, é a Shakti que se desenvolve em nós, através do bem ou do mal, do socialismo ou do despotismo e, até mesmo, através de nossas máquinas ou de nossas tolices.
O tempo todo é o império da Shakti que determinamos, a mesma Shakti sob diversos nomes e rostos, sob epidermes negras ou brancas, sob nossos pecados ou virtudes, tanto faz, em nossas derrotas ou vitórias.
Uma mesma pequena parcela do grande Meio que cultivamos, acumulamos, colocamos em nossos celeiros pensantes ou sensíveis, como as abelhas de um grande Favo, de grão em grão, dia após dia, por meio de dores e mais dores e de vidas incontáveis com uma roupagem ou outra, com uma filosofia ou sem nenhuma filosofia, por meio de religiões e de evasivas em todas as línguas;
individualizamos a grande Shakti, banhamo-nos nela como girinos na torrente, quer nos tornemos pterodátilos ou musaranhos, matemáticos ou indigentes – ou nos tornemos o quê?
Há seres que são apenas seu corpo e sua função, que acumulam apenas pequenas parcelas da Energia necessária para fazer funcionar seu mecanismo, e quando ele se desfaz, sobra apenas o que colocaram dentro dele: eles “saem” no nada porque são apenas o combustível universal, e todas as filosofias que puderam acumular dentro de si não fazem diferença alguma se elas não constituíram uma substância viva, se não se tornaram um meio de apanhar, na armadilha, algumas gotas da grande Shakti.
E quando eles dormem também, aonde vão?
Fora de seu corpo, está a noite tão negra quanto a de dentro porque só cultivaram materiais destinados à sua boa aparência e à sua função – vai-se na direção daquilo que se é, tanto em um caso como no outro, tanto no sono como na morte.
E, se não se é nada mais que uma geléia pensante, não se vai a lugar algum, a não ser à refundição universal. Para se ir a algum lugar, é necessário ter um meio de transporte.
Para “sair” de seu corpo, é preciso que haja alguém que sai – é evidente.
E, quem sai?
Satprem
(1) Satprem foi aluno da Mãe e de Sri Aurobindo.
(2) Shakti é a substância-mãe do Universo, a anima mundi.
Fonte: http://www.ogrupo.org.br/textos-tradicionais.asp

Share/Bookmark

2 comentários:

Quem faz as postagens: disse...

amo o seu blog!
recentemente vim entender a importancia de nos unirmos e nos divulgarmos a fim de espalhar conhecimento e aprender!
assim convido vc para conhecer meu site de cinema www.pensamentosfilmados.com.br cuja proposta é usar o audiovisual para falar de temas tabus a fim de causar sensibilização e reflexão, disponibilizando o conteudo de graça e atraves da interatividade possibilitar a comunicação de realizadores e publico. nosso primeiro filme chama V.I.D.A. é sobre depressão, ganhou premios foi motivo de materia para alguns jornais e programas como o happy hour da gnt e me fez criar uma parte no site sobre as doenças do seculo XXI, pois eu mesma amarguei a depressão por 20 anos e tentei suicidio duas vezes. assim, lá tem dicas de tratamento, inclusive diversos alternativos que me ajudaram.
é isto bela, seu blog que gosto mto, esta indicado no meu, sempre divulgo para quem sofre dessas doenças, pois elas nao vem a toa. assim se vc gostar divulgue, pois mtas pessoas ainda acham que depressão é frescura e isto tem custado vidas e uma vibe ruim pro planeta!
obrigada!
bjoka

Patrícia Melo disse...

Obrigada! Também gostei muito de seu site. Retornarei a ele com mais tempo...
Parabéns por sua iniciativa e pelo sucesso do filme.
Com certeza o maior prêmio é (com) partilhar sua experiência e ajudar a quem precisa.
Beijos, namastê!