21 de julho de 2010

AS RAÍZES DA VIOLÊNCIA



Uma pergunta que tem aparecido com uma freqüência cada vez maior em nossos dias é:
“O que gera a violência?”
Muitas razões têm sido enumeradas: a pobreza, a má distribuição de renda, o altíssimo ideal de consumo de nossa sociedade, o predomínio do TER sobre o SER como critérios de valor do ser humano, etc. Mas estas, em minha opinião, são apenas conseqüências. Acredito que a verdadeira causa está dentro de cada um de nós.
Quando nascemos não temos conceitos como certo ou errado, melhor ou pior, normal ou anormal, feio ou bonito. Contentamo-nos em apenas SER.
Aos
poucos, num processo que os toltecas chamam de “domesticação”, vamos aprendendo a “sonhar” o “sonho coletivo” compartilhado por todos à nossa volta: pais, irmãos, parentes, amigos.
Deixamos então nosso estado de apenas SER sem adjetivos e iniciamos um longo e doloroso processo de nos adequar a um modelo de normalidade e perfeição compartilhados. O filósofo Espinosa se perguntava: “Uma pessoa que nasce cega tem uma deficiência, uma imperfeição ou está apenas experimentando este mundo de uma forma diferente da maioria?”
Esta questão dá origem a muitas outras:
Em que momento de nossas vidas passamos a nos considerar feios, magros, anormais, burros, superiores, bonitos, gordos, inteligentes, normais, inferiores?  Em que momento deixamos de lado o simplesmente SER e passamos a fingir que somos algo que não somos para parecermos normais e sermos aceitos?
Em que momento abandonamos nossa perfeição divina e passamos a nos sentir seres incompletos que necessitam de “falsos deuses” (dinheiro, beleza, poder, cargos, títulos...) para sentir que tem valor?
Estamos, portanto, imersos neste sonho compartilhado que violenta nossa verdadeira natureza, coloca a todos nós na camisa de força de uma pretensa normalidade e nos ensina a ser intolerantes com tudo aquilo que difere deste padrão.
O primeiro passo para nos libertar (se quisermos, é claro!) é tomar consciência desta imersão e, se isto não é o que queremos viver, criar um novo sonho.
E como fazê-lo? Para mim, a atitude que quebra esta cadeia de violência é a de um respeito profundo chamado de PERDÃO (segundo o conceito de Um Curso em Milagres). Devemos nos perguntar a cada momento: consideramos cada pessoa como tendo valor e dignidade próprias? Ou as desvalorizamos sutilmente (ou às vezes nada sutilmente) com nossas atitudes e comportamentos para nos fazermos “melhores” que elas? Respeitamos os valores e atitudes do outro ou acreditamos que todos seriam mais felizes se nos fosse permitido selecionar para eles seus objetivos?
A escolha (como sempre!) é nossa: podemos começar a praticar a tolerância, a aceitação, o não-julgamento, enfim, o perdão ou vamos fazer parte desta rede de julgamentos arbitrários que, no início, parece tão inofensiva mas que vai crescendo formando uma cadeia de intolerância que culmina com acontecimentos como o bombardeio das torres em Nova York ou a guerra no Afeganistão?
Cynthia A. L. Almeida
Fonte: http://www.ish.org.br

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