1 de agosto de 2010

EXISTIMOS EM FUNÇÃO DO FUTURO


Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projetos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projetardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não. Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objetos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro.
O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador procurar o futuro?
Jean-Paul Sartre

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3 comentários:

Alma Inquieta disse...

Olá querida Patrícia,

Obrigada pelo autor e pela reflexão.
Me encanto com Jean-Paul Sartre!

Publicamos, eu e o Sergio uma entrada conjunta em homenagem aos amigos brasileiros, dos quais tu fazes parte.
Oxalá te agrade!

Um beijo e bom domingo.

Gilberto Gonçalves disse...

Estou agradecendo a sua visita, Patrícia, e a sua adesão a seguir o Alma Mater, no qual espero que encontre motivos que favoreçam o seu autoconhecimento.
Gostaria de receber seus comentários no Alma Mater e de poder ler textos de sua autoria no Luz da Alma.
Saúdo a sua Alma de Luz.
Gilberto.

Patrícia Melo disse...

Olá Gilberto, em marcadores há TEXTOS MEUS, não são muitos.
Um abraço, namaste.