6 de setembro de 2010

ACEITANDO A SI MESMO



É um fenômeno estranho a dificuldade que as pessoas têm de amar a si mesmas. Alguém pensaria que é a coisa mais fácil do mundo porque estamos constantemente reocupados conosco. Estamos sempre interessados em quanto podemos ganhar, quão em poderemos desempenhar algo, quão confortável algo pode ser. O Buda mencionou num discurso que “Ele não encontra em nenhum lugar alguém mais querido do que ele mesmo.” Então, com base nisso, porque na verdade é tão difícil amar a si mesmo?
Amar a si mesmo com certeza não significa se entregar ao desejo. Amar de verdade é uma atitude em relação a si próprio, que a maioria das pessoas não possui, porque elas conhecem uma quantidade razoável de coisas sobre si mesmas que não são atraentes. Todas as pessoas têm inúmeras atitudes, reações, gostos e desgostos sem os quais elas estariam em melhor situação. Uma opinião é formada a respeito das atitudes de alguém e enquanto as positivas são apreciadas, as outras causam antipatia. Com base nisso, surge a supressão daqueles aspectos de si mesmo com os quais não existe satisfação. A pessoa não quer saber deles e também não os reconhece. Essa é uma das formas de lidar consigo mesmo, que é prejudicial ao crescimento. Um outro jeito inábil é desgostar aquela parte de si mesmo que se mostra negativa e cada vez que ela surge a pessoa critica a si mesma, o que faz com que a situação fique ainda pior do que antes. Com isso, surge o medo e com freqüência a agressão. Se alguém quiser lidar consigo mesmo de uma forma equilibrada, não traz nenhum benefício fazer de conta que a parte desagradável não existe, aquelas tendências agressivas, irritantes, sensuais e presunçosas, fazendo de conta que está distante da realidade, colocando uma fenda dentro de si. Muito embora uma pessoa assim possa estar mentalmente sã, a impressão que ela transmite é de não ser totalmente verdadeira. Todos nós já topamos com pessoas assim, que são demasiado doces para serem verdadeiras, como resultado da fantasia e da supressão. Criticar a si mesmo também não funciona. Em ambos os exemplos a pessoa transfere as suas próprias reações para outras pessoas. A pessoa critica os outros por suas deficiências, reais ou imaginárias, ou a pessoa não os vê como seres humanos comuns. Todos vivemos num mundo irreal, devido à desilusão do ego, mas neste caso é particularmente irreal, porque tudo é considerado ou como perfeitamente maravilhoso, ou como absolutamente terrível.
A única coisa real é que temos dentro de nós seis raízes. Três raízes benéficas, (hábeis), e três raízes prejudiciais, (inábeis). As últimas três são a cobiça, a raiva e a desilusão, mas nós também possuímos os seus opostos: generosidade, amor bondade e sabedoria. Desenvolva o interesse por este assunto. Se você fizer uma investigação a respeito disto e não ficar ansioso, então poderá com facilidade aceitar as seis raízes em todas as pessoas, sem nenhuma dificuldade, desde que você tenha visto essas raízes em si mesmo. São raízes subjacentes ao comportamento de todos. Só então poderemos olhar para nós mesmos de uma forma um pouco mais realista, isto é, sem nos criticarmos devido às raízes inábeis, nem nos elogiarmos devido às raízes hábeis, ao invés disso, aceitar a existência delas dentro de nós. Poderemos também aceitar os outros com uma visão mais clara e ter uma maior facilidade nos nossos relacionamentos.
Não sofreremos devido aos desapontamentos e não faremos críticas, porque não viveremos num mundo onde só exista o branco ou o negro, ou as três raízes daquilo que é inábil, ou os seus opostos.
Ayya Khema
Fonte: acesso ao insight

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8 comentários:

MisteriosaMente A.A.A. disse...

Aceitar-mo-nos a nós mesmos, com todos os defeitos e qualidades, ora aí está algo em que todos deveríamos reflectir. A aceitação do eu e do outro é um acto de amor que deve começar em nós para que possamos partir para o amor incondicional ao próximo. Não é um processo fácil, mas à medida que vamos praticando, vamos sentindo uma paz de espírito inqualificável... Um certo dia chamaram-me narcisista, porque, disse... Amo-me muito, amar-me a mim própria é o inicio de um romance para toda a vida ...

Amem-se muito e perdoem-se a vós mesmos.

Muita luz e paz para todos.

A.A.A.

alegria de viver disse...

Olá querida

Obrigada, estamos sempre começando.

Aceitando a nós mesmo também é um belo começo.

Com muito carinho BJS.

Jorge disse...

Aceitar a nós mesmos é, sem dúvida, o começo. Mas para tanto, precisa-se de coragem para se conhecer e principalmente para se aceitar.
Mas é o caminho!!

Beijo, Coração!!!!
Namastê!

♥.•:****-franciete-****:•.♥ disse...

Adorei este cantinho senti que estava em comunhão com algo Divino e transcendente, desejo as maiores felicidades e muita força de espírito para mostrar estas maravilhas.
Beijinhos de luz e paz

Fernanda disse...

Vim conhecer o seu cantinho e gostei.

Quem não se ama não pode amar os outros.
Bjs.

Fatima disse...

Namastê!

Bjs.

Multiolhares disse...

a resposta desapareceu, vou tentar novamente,
eu aos poucos estou a aprender a amar-me, pois quando estamos a fazer um trabalho de auto conhecimento, descobrimos muitas debilidades muito que não gostamos em nós, no entanto o caminho é da aceitação e limar as arestas dos egos.
Bj

Carmem L Vilanova disse...

Namaste, querida amiga!
Estive de cama por mais de 3 semanas e somente hoje volto realmente a minhas atividades.
Venho a deixar-te beijos, flores e muitos sorrisos!