16 de outubro de 2010

AS TRANSFORMAÇOES COMEÇAM CONOSCO E COM NOSSAS ESCOLHAS



Há um antigo ditado japonês: “Se houver relacionamento, faço; se não houver relacionamento, saio”. Um Mestre Zen, no final do século passado, fez a seguinte alteração: “Havendo relacionamento, fico; não havendo, crio!”.
Uma escolha implica em ganhar alguma coisa e abrir mão de outra e isto é bastante difícil porque significa, na maioria das vezes, a mudança do rumo da nossa história. O problema é: cada um reage a essas situações de diferentes maneiras e cada um a seu tempo. Isso significa que sempre somos os verdadeiros e únicos responsáveis pela nossa existência e pelo rumo que ela irá tomar, mesmo quando nossa escolha depende da expectativa ou do desejo do outro. Agora, dentro do relacionamento, quando acontece uma mudança brusca pra um dos dois, sempre alguém terá que rever seus projetos, adaptá-los, e aí ficam as perguntas: ”Esses projetos resistirão às amarguras e desacertos do dia-a-dia? Existe alguém que ama o suficiente e que possua flexibilidade para tornar possível a sua escolha, mesmo precisando reestruturá-la?”
Diz Rumi: “Quando duas pessoas chegam a entrar em contato, sem dúvida elas têm alguma coisa em comum”.  Como deveria uma ave voar a não ser com as de sua espécie? Muitas vezes, quando estamos sofrendo emocionalmente, acontecimentos sincrônicos surgem para o nosso socorro. Quando Alice Bailey passou por grandes dificuldades pelos três filhos pequenos para alimentar foi até uma colina e atirou-se ao chão pedindo socorro ao alto. Na manhã seguinte, encontrou uma caixa de mantimentos à sua porta. Nesse exemplo existe um grito de socorro que foi ouvido e atendido. Quem ouve e quem responde? Durante esses momentos sincrônicos nós penetramos o véu que nos separa do outro mundo e nos tornamos capacitados para alcançar um poder mágico que traz ajuda, consola e cura. Nós realmente vivemos num único mundo e em certos pontos cruciais de nossa existência, passamos para uma outra dimensão da mesma maneira que passamos de um estado de sonolência para um estado de alerta. Sendo assim, a intensidade emocional, particularmente em relacionamentos de amor, atrai sincronicidades. Quanto menos interferimos com os caminhos do destino no que diz respeito a relacionamentos, mais facilmente o futuro se desenrolará. A melhor maneira de enfrentar essas situações é esperar que as circunstâncias se tornem favoráveis, principalmente se a união for de caráter permanente. Acreditar que livrar-se das situações de impasse ou mesmo imaginar que é melhor abrir mão das escolhas e deixar que a vida tome seu próprio rumo, é um caminho, mas isso significa abrir mão do poder que exercemos sobre elas. Persistir, apesar das sólidas indicações em contrário, é não negligenciar a responsabilidade pela nossa própria vida. Tomar decisões em estado conflituoso é agir sem domínio sobre pensamentos ou emoções. Criar um relacionamento saudável não significa obter resultados imediatos. Criar relacionamentos em padrões antigos não dá mais certo nesta dimensão. Essa mudança de paradigma é extremamente importante para quem quer criar um relacionamento novo. Muitas vezes é preciso ter tempo para analisar os fatos, a realidade, as conseqüências da escolha, para depois decidir. Mahatma Gandhi disse: “Temos de ser a transformação que queremos no mundo”. Isto, por uma simples razão: os argumentos vão direto aos sentimentos humanos que devem ser respeitados para que muitos se livrem desse mal que tantos prejuízos causam: a mágoa.  Por efeito dela tanto tempo perdemos na fixação de idéias desnecessárias. E antes que nos magoemos devemos evitar decisões inconscientes, impulsivas, que geram quase sempre resultados desagradáveis e, posteriormente, arrependimento, sentimento de culpa e saudade. Pergunte a você mesmo com quem gostaria de compartilhar o mundo. Um ser consciente jamais dirá que alguém que persegue a realização dos seus potenciais positivos, que tenta alcançar a expansão de consciência, envolve e compromete relacionamentos pessoais. A Paz do coração não é uma resignação emocional, mas uma abertura que vai de encontro ao mundo em constante mudança, com compaixão. Com serenidade podemos cuidar de todas as coisas sem tentar controlá-las. O amor e a compaixão apresentam-se como um serviço abnegado. Mas no amor, de fato, não servimos os outros, mas a nós mesmos. A comunhão do amor nos une em um todo. A compaixão não vê a dor e o pesar do mundo como se fossem de outro; ela é compartilhada, é nossa. Quando admitimos que compartilhamos nossa humanidade, nossa vulnerabilidade, o amor e a compaixão são tão naturais quanto a nossa respiração e, sem hesitação, passamos a ajudar.
”É esse coração sensível que tem o poder de transformar o mundo”. (Tarthang Tulku)
Vera Godoy
Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=4444  

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