6 de outubro de 2010

O BUDISMO E A REENCARNAÇÃO



1. O Budismo acredita na reencarnação?
O Budismo não ensina a reencarnação, o Budismo acredita no renascimento.
2. Qual é a diferença entre reencarnação e renascimento?
A reencarnação é a idéia da existência de um espírito separado do corpo; com a morte do corpo esse mesmo espírito reassume uma outra forma material e segue evoluindo. O renascimento na concepção Budista não é a transmigração de um espírito, de uma identidade substancial, mas a continuidade de um processo, um fluxo do devir, no qual vidas sucessivas estão conectadas umas às outras através de causas e condições. Esse processo ou fluxo não ocorre apenas com a morte mas está presente constantemente nas nossas vidas. Nós estamos em constante mudança, com cada momento nas nossas vidas surgindo na dependência do momento anterior, que deixou de existir. É um pouco parecido com a correnteza de um rio, a correnteza fluindo continuamente sem cessar. Não é possível entrar no mesmo rio duas vezes.
Podemos ilustrar o renascimento com um símile, é como se a chama de uma vela fosse empregada para acender uma outra vela e nesse processo a primeira vela fosse apagada. A chama da segunda vela surgiu na dependência da primeira vela, ou seja, tem uma conexão com ela, mas a chama da segunda vela não é idêntica à primeira. Então, as duas chamas possuem uma ligação mas não são idênticas.
3. De onde então vem o homem e para onde ele está indo?
Há três respostas possíveis para esta questão. Aqueles que acreditam na existência de um Deus, em geral, postulam que antes da criação de um ser ele não existe, ele passa a existir pela vontade do Deus criador. De acordo com o seu modo de vida, o seu destino será o paraíso ou o inferno eternos. Há outros, humanistas e cientistas, que postulam que um ser surge através da concepção baseada em causas naturais, nasce, e depois de viver algum tempo, morre deixando de existir por completo.
O Budismo não adota nenhuma dessas explicações. A primeira dá origem a uma série de questões de ordem ética. É difícil explicar, se somos realmente criados por um Deus, porque tantos seres nascem com deformidades terríveis ou porque tantos fetos abortam por causas naturais ou são natimortos. Também parece um tanto injusto que alguém esteja destinado ao sofrimento eterno no inferno ou à felicidade eterna no paraíso tendo vivido apenas 60, 70 ou 80 anos. A segunda explicação é um pouco melhor do que a primeira e está mais baseada em evidências científicas, mas ainda assim deixa muitas questões sem resposta. Como é possível que um fenômeno tão incrível como a consciência possa se desenvolver do simples encontro entre o esperma e o óvulo? E agora que muitos fenômenos paranormais são reconhecidos como ramos da ciência, fenômenos como a telepatia são cada vez mais difíceis de se encaixar num modelo puramente materialista.
Para o Budismo, com a morte, a consciência com todas as suas tendências, preferências, habilidades e características que foram desenvolvidas e condicionadas nesta vida, se re-estabelece no embrião. Dessa maneira, o ser cresce, nasce e desenvolve uma personalidade condicionada pelas características que foram trazidas da vida passada e pelo novo ambiente, além de outros fatores condicionantes como a hereditariedade, etc. Essa personalidade está sujeita a mudança e será modificada através do esforço consciente por fatores condicionantes tais como a educação, a influência dos pais e da sociedade, etc. Outra vez, com a morte, essa consciência irá se re-estabelecer num novo embrião.
Esse processo de renascimento irá continuar até que as condições que o causarem persistam. Quando essas condições deixarem de existir, ao invés de renascer, a consciência alcançará um estado que é chamado nirvana, e esse é o objetivo último no Budismo.
4. Como a consciência migra de um corpo para outro?
Imagine as ondas de rádio. As ondas de rádio não são compostas de palavras ou notas musicais mas de energia em distintas freqüências que são transmitidas através do espaço e atraídas e capturadas por um receptor no qual se manifestam como palavras e música. Algo similar ocorre com a consciência. Ao morrer, a energia mental cruza o espaço e se une ao esperma e o óvulo para formar o novo ser. O embrião e a consciência se desenvolvem através de uma relação de mútua dependência e influência.
5. Os seres humanos sempre renascem como seres humanos?
Não. De acordo com o Budismo há vários planos de existência nos quais ocorre o renascimento. Alguns seres renascem no paraíso celestial, alguns no inferno e assim por diante. O paraíso celestial ou o inferno não são propriamente lugares mas estados de existência onde a mente experimenta respectivamente principalmente prazer ou dor. A vida nesses planos no entanto é temporária e depois disso haverá um novo renascimento que poderá muito bem ocorrer entre os seres humanos. Então, a principal diferença entre o plano humano e os outros planos é a qualidade da experiência mental.
6. Qual o fator que decide onde um ser irá renascer?
O fator mais importante que condiciona o renascimento é karma.
Karma quer dizer ação baseada na intenção e se refere ao conjunto de ações com a mente, corpo e linguagem que constituem no seu conjunto a bagagem que carregamos conosco.
Essas ações geram consequências que são os frutos do karma. Os frutos do karma influenciam tanto a nossa experiência do mundo como o processo de renascimento por ocasião da morte.
Fonte: http://www.acessoaoinsight.net

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2 comentários:

Marion Lemos disse...

Olá Patrícia,
excelente postagem!
O importante é a evolução de nós mesmos, pelas atitudes de respeito e defesa da vida de todas as criaturas.
Parabéns, um grande abraço.

Marion

Jorge disse...

Tenho minhas dúvidas.
A única certeza é a beleza do conteúdo religioso de todas as religiões, afinal todos levam A Deus. O caminho é escolha de cada um.

Um beijo, coração!!!