28 de outubro de 2010

A VERDADEIRA ORAÇÃO


A verdadeira oração é um estado de completa serenidade interior, e nele entrareis quando não mais vos envolverdes com qualquer solicitação que vos chegue. Tamanha há de ser vossa dedicação a esse caminho que dele não devereis tirar a vista nem por um momento, pois tantas são as forças que tentam levar-vos que bastará um momento de distração para enveredardes por alguma das trilhas laterais que vos distanciam da Meta. Se quiser chegar a essa Morada Interna, tão pura que apenas será por vós percebida quando não mais a puderdes macular, observai vossa bagagem e dela aliviai aquilo que mais pesa e que mais pó e sujeira possam juntar, para prosseguirdes com a parte de vós que corresponde em qualidade ao destino ao qual vos dirigis. E as tarefas vos são dadas à medida que as puderdes cumprir; serão maiores se fordes capazes de suportar maiores tribulações, e menores se vossa fé, doação e amor forem pequenos. Pois não há, para aqueles que se oferecem para viver em nome da Lei, resistências e provas que os impeçam de prosseguir. E quanto maior o amor que tiverem à vida interior, mais poderão suportar provas e afirmá-la diante do mundo, pois ela os fará fortes e essa firmeza é que será, aos olhos incrédulos, a comprovação da sua existência. Se não estiverdes prontos para deixar que seja feita a Vontade Superior através de vós, tereis uma vida adequada a uma entrega parcial. Mas se há em vós capacidade para uma entrega total, a Vontade se fará. Se tiverdes de padecer, padecereis; não com sofrimento, mas com um sentido de plenitude por saberdes estar cumprindo o que do interior vos é pedido. Podemos dizer-vos que não há alegria terrena que suplante a paz desse estado. Ao Reino não se chega por força ou por empenho alimentado pelo orgulho e pela vaidade humana. O caminho do espírito é o caminho dos puros, dos simples e dos humildes, daqueles que sabem que nada podem por si próprios e que nada de verdadeiro têm a não ser a própria Consciência. É o caminho dos que, no silêncio do recolhimento, voltam-se para o Absoluto: seja feita a Vossa Vontade! Mesmo que vos sintais agraciados por essa Vontade, deveis saber que nada tendes, e que por isso a divina consciência nada cobra de vós. Se verdadeiramente chegardes a conhecer esse Amor, apenas com vossa entrega podereis retribuir o muito que vos é dado. Assim, é também importante que saibais receber e que, com humildade, não vos deixeis afligir por não terdes com o que demonstrar o quanto sois gratos. Se realmente o sois, aquilo que de vós irradiará em paz e plenitude será o que, de mais valioso, podereis fazer do que vos é dado. Cuidai também para não fechardes as portas ao que vos é trazido pelo espírito, pensando que não o mereceis. Em vez de verdadeira humildade, vereis que essas atitudes são filhas da soberba, conseqüência de achardes que primeiro deveis estar prontos, em lugar de vos entregar e permitir que aprontem em vós o que ainda está por fazer. 
Trigueirinho, in 
Das lutas à paz

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