17 de novembro de 2010

COMO AS ENERGIAS CIRCULAM EM NÓS (OS MERIDIANOS)



Nossa Energia Vital começa a sua circulação. Ela circula num canal, chamado canal central, por onde flui a Kundalini, ou, ainda, a Chong Mai, de acordo com a cultura. Em seguida, ela se distribui por todo o corpo e pelos órgãos através de canais menores e mais específicos, os famosos meridianos da acupuntura, que os Taoístas vêem como rios que irrigam todo o nosso organismo.  Uma parte dessa energia circulará, em seguida, na superfície do corpo ou dos órgãos para defendê-los; e uma outra mais profundamente, para "nutri-los". A Energia Vital circula em todo nosso corpo através de "rios", de "ribeiros" que são habitualmente chamados de meridianos. Existem doze meridianos "orgânicos", ou seja, relacionados com um órgão em particular, e dois meridianos "complementares", que estão relacionados à parte anterior do corpo para as energias Yin e à parte posterior para as energias Yang. Existem meridianos de natureza Yin e meridianos de natureza Yang. Apresento, no quadro a seguir, os nomes dos doze meridianos de base dos órgãos que lhe estão associados. Nesses ribeiros, flui então o nosso "super combustível", através de todo o nosso corpo, tanto profundamente quanto na superfície, segundo trajetos bem precisos e definidos. Apesar de os meridianos não corresponderem a nenhum circuito fisiológico específico, existem (mesmo a ciência oficial os "reencontrou"... ufa!) e permitem que toda nossa realidade humana, física, psicológica e espiritual  funcione. Apesar de terem nomes de órgãos, os meridianos não têm somente um papel fisiológico, mas possuem também um papel muito importante na psicologia. Eles realmente unem corpo e espírito, e a energia que transportam vai servir tanto para fazer funcionar o órgão e também a psicologia que lhe é atribuída. É graças a eles que vamos poder "unir" as coisas em nós. Essa circulação se faz de maneira imutável de acordo com um circuito espacial e temporal bem definido. Partindo do canal central, ela se desenvolve cotidianamente segundo um ciclo diário preciso. Do meridiano do Pulmão, ela passa para o meridiano do Intestino Grosso e depois para o Estômago, de onde se dirige para o Baço-Pâncreas. Daí vai ao Coração, e depois ao Intestino Delgado, à Bexiga, de onde passa para os Rins. Ela prossegue pelo Mestre do Coração, depois o Triplo Aquecedor, a Vesícula Biliar e, enfim, o Fígado. Depois disso, o ciclo recomeça e se perpetua assim durante uma jornada de vinte e quatro horas, cada fase durando duas horas. 

 

Essa circulação da Energia Vital produz, durante o seu ciclo, o que se chama de "marés energéticas", momentos de força  e de circulação preponderante dessa energia dentro de cada meridiano. Essas horas representam os momentos energéticos fortes de cada meridiano e de cada órgão ou "víscera" que lhe está associada. Por outro lado, elas não correspondem e não definem as  relações e as interações energéticas existentes entre esses meridianos, que nós veremos mais adiante e que são definidas pela lei dos Cinco Princípios. Isso permite que compreendamos um pouco melhor o que a cronobiologia está "redescobrindo" nos dias de hoje. Não somos mecânicas estáticas, muito pelo contrário, cada momento e hora do dia correspondem, em nós, a momentos de força ou de fragilidade de cada um dos nossos órgãos, como também da psicologia que lhes é atribuída. Os doze meridianos "orgânicos" e os dois meridianos complementares circulam por todo nosso corpo e cada um deles passa por lugares idênticos dos dois lados desse corpo, segundo um trajeto diferente para cada meridiano. Segundo a lógica anterior, na  lateralidade direita, a energia tomará uma "significação" Yin e na lateralidade esquerda, uma "significação" Yang. Cada meridiano é, enfim, ele mesmo de natureza Yin ou Yang e está associado a um órgão quando for Yin  e a uma víscera
quando for Yang. A meu ver, seria bom precisar aqui as noções de órgão e de vísceras
que estão onipresentes na codificação energética chinesa. Cada estação tem um órgão e uma víscera que lhe são associados, representando as polaridades Yin e Yang da energia manifestada no corpo físico. No que diz respeito aos órgãos, são estes o Coração, o Baço-Pâncreas, o Pulmão, o Rim e o Fígado;e às vísceras, são o Intestino Delgado, o Estômago, o Intestino Grosso, a Bexiga e a Vesícula Biliar. O que me parece muito interessante e significativo, na lógica profunda dessa filosofia, é a maneira pela qual os Chineses "descobriram" quais são os órgãos Yin e Yang. Conta-se essa anedota divertida - mas até pesado, cheio, corresponde ao Yin e o que é leve, vazio, ao Yang. Os taoístas, pragmáticos e lógicos, pegaram um recipiente de água e nele mergulharam alternadamente cada um dos órgãos e vísceras de um animal ou de um cadáver. O que flutuasse (logo mais leve que água) só podia ser de natureza Yang. tal foi o caso de todas as vísceras. e o que  afundasse (logo mais pesado que a água) só podia ser de natureza Yin, tal foi o caso de todos os órgãos. O Yin é a forma mais manifestada das coisas, enquanto o Yang é a forma menos manifestada; o Tai Chi sendo a sinergia dos dois. A água nos faz compreender isso. Ela é a vida e a fonte da vida, é o Tai Chi e o Tao. A sua forma mais manifestada (e logo Yin) é o gelo e a sua forma menos manifestada (logo Yang) é o vapor d'água.
Michel Odoul, in
Diga-me onde dói e te direi por quê   

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Um comentário:

Talita disse...

Olá

Gostei muito das informações, foram de grande valia...

Paz