22 de novembro de 2010

A COMPAIXÃO



A compaixão é uma saudável atitude psicológica, porque não envolve expectativas nem exigências. Ainda que não sejamos capazes de fazer muita coisa no nível físico, pelo menos podemos ter o desejo de ser uma pessoa amante com um coração compassivo – podemos ter o desejo de ajudar os outros, espontaneamente, sem reservas. Essa atitude abre automaticamente os nossos corações e desenvolve a nossa compaixão. Podemos então dizer sinceramente a nós mesmos: “Se houver algum modo de eu aprender a aumentar a minha compaixão ou compreensão da humanidade, então desejo receber esse ensinamento – seja ele qual for, exista onde existir – e assumir a responsabilidade de utilizar esse conhecimento para ajudar os outros”.
À medida que desenvolvemos a compaixão, começamos a sacrificar e a entregar os nossos corações. Não nos preocupa sequer saber se a outra pessoa reconhece nossa atitude ou nossas ações – pode ser até que ela nem tenha consciência delas. À medida que diminuímos a auto-ambição, aprofunda-se o sentimento de realização e satisfação, que pode expandir-se e dar à nossa vida grande significado. Que outra coisa tem na existência humana um valor igual?
Podemos ser muito inteligentes e poderosos, muito cultos e viajados, mas que valor tem isso? Apenas o sonho de uma noite, e lá se vai tudo. Toda experiência imaginável tem a mesma natureza impermanente; só a compaixão proporciona felicidade duradoura. À diferença dos momentos fugazes de “felicidade” que habitualmente vivenciamos, a alegria que nasce da compaixão não é sentimental nem romântica. Ela é não-dupla, e não discrimina entre a pessoa que dá e a que recebe”.
Tarthang Tulku 

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