1 de dezembro de 2010

SUA VOZ



No silêncio da noite santa, escuta-me.
Põe de lado todo o saber e tuas recordações;
Põe-te de parte e esquece tudo.
Abandona-te à minha voz, inerte, vazio, no nada,
No mais completo silêncio do espaço e do tempo.
Neste vazio, ouve a minha voz que te diz - ergue-te e fala:

Sou eu.

Exulta pela minha presença: grande bem ela é
Para ti, grande prêmio que duramente mereceste;
É aquele sinal que tanto invocastes deste mundo
Maior em que eu vivo e em que tu creste.
Não perguntes meu nome, não procures individuar-me.
Não poderias, ninguém o poderia; não tentes uma inútil hipótese.

Sabes que sou sempre o mesmo.

Minha voz, que para teus ouvidos é terna, como é amiga
Para todos os pequeninos que sofrem na sombra,
Sabe ser também vibrante e tonante, como jamais a sentiste.

Não te preocupes; escreve.

Minha palavra se dirige às profundezas da consciência
E toca, no mais íntimo, a alma de quem a escuta.
Será somente ouvida por quem se tornou capaz de ouvi-la.
Para os outros, perder-se-á no vozear imenso da vida.
Não importa, porém:

Ela deve ser dita.
Pietro Ubaldi  

Share/Bookmark

Nenhum comentário: