11 de janeiro de 2011

CAMINHOS DE ILUMINAÇÃO



O desapego é exercício essencial na jornada de iluminação. À medida que contatemos com nossa própria criatividade e autonomia, precisaremos nos desligar das exigências para com as pessoas  e as situações da vida. Os sentimentos de posse decorrentes do medo de sermos abandonados por aqueles aos quais entregamos a responsabilidade de nos fazer felizes, deturpam a natureza das relações afetivas e geram padrões escravizantes.  Ao desenvolvermos o desapego, amando e proporcionando liberdade, poderemos cultivar a alegria de viver em paz. Somos todos caminhantes ao nos colocar em busca da realização interior, motivados pelo desejo de encontrar o significado da própria existência. Nessa estrada inexorável, invariavelmente, nos depararemos com sombras e dragões ameaçadores, representantes de nosso passado (desta e de outras encarnações), dos quais não deveremos fugir ou nos proteger, evitando-os. Eles são sinalizadores de que é chegada a hora de questionar os valores sobre  os quais alicerçamos a nossa vida até o momento. A crise é o início da jornada e  deveremos estar dispostos a sacrificar certas características pessoais, pois daí virá a  reformulação dos aspectos da personalidade que perpetuam as repetições do passado.
As regras áureas das grandes religiões nos têm mostrado roteiros que, se seguidos, certamente nos levarão ao encontro de si mesmo, pois aqueles que se iluminaram, fizeram-no de acordo com elas. São roteiros ao caminhante, cuja seriedade e verdadeiro sentimento de união com Deus o levarão ao encontro desejado. É visível que a humanidade caminha em busca de um sentido. A determinação e vontade do ser humano em se conhecer, explicar e realizar  é obra da necessidade de entender o mistério oculto no si mesmo individual. Nem sempre as ações de cada pessoa têm coerência com as de outras, pois, a grande maioria não se preocupa com o sentido de totalidade. A organização e direcionamento dos rumos da
psicologia e espiritualidade  da humanidade  pertencem a algo superior. A ligação entre as ações humanas não é obra do humano. O que o ser humano é, é produto de seu próprio processo. O que a humanidade é, provém de forças superiores ao ser humano. O ser humano não é o responsável pela evolução global. Ele a acompanha quase que atrasado. Muitas vezes ele se percebe perdendo o trem da história. A evolução o leva de roldão. Parece, para muitos desavisados, que a evolução que o próprio ser humano engendra na sociedade é responsável por essa onda que o atropela ao crescimento, porém ela é apenas uma pálida representação do processo macro que o envolve. O ser humano realiza uma evolução menor, por força da própria lei de progresso. Tudo evolui para a harmonia, com ou sem o seu desejo, muito embora seu livre-arbítrio possa  atrasar ou adiantar sua caminhada. Campos evolutivos são como campos morfogenéticos que movem a realidade, cuja “existência” independe do ser humano. Ele evolui também por força desse campo, o qual o envolve e que se constrói à sua revelia. Há uma força renovadora como uma espécie de lei do desenvolvimento para a harmonia. Ela conspira independentemente da vontade, contra ou a favor, do indivíduo.
Quem é feliz percebe-se envolvido nesse macro processo contribuindo com sua pequena parcela para a paz a sua volta. Todas as explicações sobre o mundo são obra do ser humano. Ele descreve como o mundo é de acordo com sua linguagem, mas não sabe de que é constituída a sua essência. O ser humano é o segundo criador da natureza. À proporção que se ilumina, vai percebendo melhor a realidade construída por Deus,
com sua participação. O caminho de iluminação é árduo e difícil para quem estabelece como paradigma de vida a matéria e tudo que lhe diga respeito. A percepção da vida espiritual e suas conseqüências possibilitam tornar a jornada menos penosa e sacrificial. Iluminação no caminho é consciência de eternidade e de presença divina consigo.
Iluminar-se é estar resolvido nas várias dimensões da Vida. É aprender a lidar com o que efetivamente não se tem, isto é, com a ausência de tudo, mesmo se tendo alguma coisa, pois nada pertence ao ser humano que não esteja nele mesmo, que não seja ele  mesmo. Só se tem o que se pode dar. É preciso objetivar, isto é, ter objetivos na vida além do desejo de solucionar os problemas comuns. Não se determinar para uma única tarefa na vida, mas para a própria Vida como um todo. Buscar finalidades e objetivos para a vida além de resolver conflitos, por mais graves que sejam. Isto é dar um passo a mais na vida para se viver bem e ser feliz.
Adenáuer Novaes, in
Psicologia e espiritualidade  

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Um comentário:

walnelia disse...

Um presente estar aqui,porque me torna mais presente no aqui,agora...
Querida Pat,Deus te ilumine!
Gostaria que publicasses mais,os preciosos poemas de Luz de tua autoria,como por exemplo,aquele que me mandaste por e-mail hoje pela manhã...
Namastê,amiga!