7 de março de 2011

ANSIEDADE E MEDO



Nessa semana recebi um email de uma amiga no qual ela me dizia que estava com tanto medo do porvir que nem conseguia mais dormir direito. Esse fato me chamou atenção, porque sei que o comportamento que ela apresentava diante do que estava por acontecer era peculiar a maioria das pessoas. Assim, resolvi escrever minhas impressões sobre ansiedade e medo, no intuito de esclarecer algumas questões e quem sabe amenizar esses sentimentos que tanto atrasam nossa evolução.
A maioria dos especialistas em comportamento humano afirma que o medo é o maior inimigo que podemos ter. Ele está por trás dos nossos fracassos, das nossas relações frustradas e de muitas doenças. O medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de se fazer alguma coisa ou nos sentirmos ameaçados. O medo é um pensamento que temos em mente, e podemos ter medo dos nossos próprios pensamentos. Além dos perigos reais, nossos medos podem aparecer por causa das associações que fazemos ao longo da vida. Pessoas que passaram privações durante a infância como fome, podem desenvolver uma compulsão pela comida, como resultado do medo inconsciente de passar fome novamente, porque o nosso inconsciente é atemporal, não tem passado e nem futuro. Milhares de pessoas têm medo do passado, do futuro, do fim do mundo, da velhice, da loucura, da morte; o medo de que não vai conseguir vencer o passado, chegar ao futuro faz com que desenvolvam um sentimento muito comum que acaba interferindo diretamente na sua auto-estima e na sua autoconfiança porque o medo paralisa. Se tivermos medo não agimos, não acreditamos em nossa capacidade e perdemos a oportunidade que se apresenta.
Nem todas as pessoas admitem ter medo, mas todos nós já nos vimos em estados de ansiedade. Segundo Rollo May, a ansiedade é o mal do século e a ansiedade, nada mais é que a resposta anterior ao medo. Na ansiedade tememos antecipadamente o encontro com uma situação ou objeto que nos causa medo. Todas as pessoas podem sentir ansiedade, mas dependendo do grau ou da freqüência, ela pode se tornar medo e acarretar muitos problemas posteriores chegando a estágios como medo ou pavor de determinadas coisas. A ansiedade é um sentimento que antevê ao medo e pode chegar acompanhada de sensações como aperto no peito, taquicardia, frio no estômago, tremores, falta de ar, etc. É um sinal de alerta, uma reação natural, uma atitude de preservação que normalmente não precisam ser tratadas por serem naturais e auto-limitadas; só não devem ser transformadas em medos. A Ansiedade em níveis muito altos, ou quando apresentada com a timidez ou depressão, impede que desenvolvamos nosso potencial intelectual. O aprendizado é bloqueado e isso interfere não só no aprendizado da educação tradicional, mas na inteligência social, podemos ficar sem saber como nos portarmos em ocasiões sociais ou no trabalho, o que pode levar a estagnação na carreira.
Não devemos nos deixar envolver por níveis muito altos de ansiedade e muito menos pelo medo. O medo é uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental, que vai gerar uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios como a adrenalina e o cortisol, nos preparando para a luta ou a fuga e gerando uma situação de estresse. Ter medo faz com que percamos uma boa parte de nossa auto-estima, ou seja, deixamos de fazer certas coisas porque nos julgamos incapazes de realizá-las. Dessa forma, vem o sentimento de medo, passamos a ter medo de errar quando da realização de diferentes tarefas, sem mesmo chegar a tentar. A ansiedade pode ser normal e o medo pode ser até bom, mas temer alguma coisa persistentemente provoca um sentimento de pânico, terror, obsessões e nós podemos superar o medo quando sabemos que o poder do nosso subconsciente pode mudar nossos condicionamentos e realizar os desejos acalentados por nosso coração. Quando uma pessoa diz que não consegue, que vai desistir, via de regra é uma pessoa que está com a auto-estima baixa, que não se ama o suficiente ou que não se sente capaz de cuidar de si mesma. Impossível é uma palavra que só existe para justificar o medo.
Na verdade o que faz com que sintamos medo é uma projeção de futuro. Imaginamos que algo vai acontecer como o fim do mundo, morrer, sofrer, etc...  E assim, instalamos em nossas mentes direções para as quais somos movidos. Essas direções nada mais são do que estruturas mentais que nos permitem responder positiva ou negativamente às situações. Mas existem situações que surgem com elementos novos que precisam ser avaliados e que podem nos fazer pensar em coisas indesejáveis, o que faz parte normal deste processo de avaliação. Teremos indicado o que deve ou não deve ser feito e o medo pode ser nosso aliado no sentido de que nos informa de que existe a possibilidade do que pode ser melhor não fazer. O medo por si só não constitui um problema porque pode nos indicar qual a melhor opção; podemos aproveitar o impulso e a energia do medo nos conscientizando de que um processo mental está em andamento e assim prepararmos uma auto-intervenção. Quanto mais soubermos sobre o que estamos sentindo, mais opções teremos para reagir de maneira positiva e se, depois de avaliarmos nossas sensações quanto a localização, intensidade e qualidade desse medo, ele for julgado improcedente, teremos a opção de ignorá-lo ou canalizar essa energia para algo que nos faça bem.
E como não se ansiar, não sentir medo? Não existe uma fórmula mágica, nem resultados imediatos. Mais uma vez insisto: devemos nos descondicionar de velhos padrões que nos foram impostos ao longo dos tempos. Perdemos nossa conexão com “o divino em nós” e precisamos restabelecê-la. Isso nos fortalecerá e permitirá que descubramos o que o medo representa para nós, pois enquanto o negamos, mais o fortalecemos. Não podemos deixar que o medo nos controle e então devemos dedicar toda nossa atenção aos nossos desejos. Nossos desejos são a oposição aos nossos medos e podem ter força suficiente pra expulsá-los.
Saviitri Ananda
Fonte: http://www.3milenio.inf.br  

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2 comentários:

Adelia Ester Maame Zimeo disse...

"Perdemos nossa conexão com 'o divino em nós' e precisamos restabelecê-la. Isso nos fortalecerá e permitirá que descubramos o que o medo representa para nós, pois enquanto o negamos, mais o fortalecemos". Quando nos distanciamos gradativamente de nossa essência, surgem as descompensações emocionais que geram doenças físicas, emocionais e mentais. A Terapia ocorre no sentido de restabelecer a conexão com o Eu Verdadeiro do ser. Só assim atinge-se o Viver de maneira sadia novamente. Patrícia, grata por compartilhar conosco textos tão preciosos. A música de fundo é lindíssima! Como tudo aqui o é. Beijos.

Gislene disse...

Patricia,

Parabéns à nós mulheres pelo nosso dia, por tudo que somos, por tudo o que representamos, por tudo o que já conquistamos, por termos recebido o dom de dar a vida.
Parabéns à você minha querida!

Um forte abraço,
da amiga,

Gislene.