15 de maio de 2011

DEUS ESTÁ EM TODAS AS COISAS...



 Sou habitante de um planeta errante.
Sou um ser contingente.
Não sou absolutamente necessária
pois, se o fosse, certamente viveria,
nessa habitação carnal que ocupo,
milênios e milênios...
Um dia fui como a minhoca
na terra escura e fria,
vivi feliz no humus fétido,
não atinei em algo maior,
além daquele primitivo e ignóbil mundo.
Tranqüila na minha pseudo-segurança,
um dia despertei para a realidade
e vislumbrei algo além das minhas
possibilidades latentes:
- Quero voar, voar como as borboletas!
Quero voar para além das trevas em que vivo!
Tateei em derredor, nesse mundo movediço,
procurei descobrir nesse breu
uma réstia de luz, um caminho
verdejante, onde pudesse sair
da estranha inquietação metafísica,
onde pudesse exercitar as minhas
desconhecidas potencialidades.
E encontrei muitas pessoas
seguindo na mesma direção...
Pareciam estar seguras daquele caminho,
o caminho dos dogmas, dos ritos,
das tradições, dos sistemas doutrinários,
seguras ao seguirem aquele pseudo-caminho...
Haverá um caminho-padrão, um credo-padrão
para mim, para aqueles homens?
Creio que não. A verdade é uma só, imutável,
mas os meus canais receptores são distintos
dos canais dos outros seres viventes.
Estariam errados os viajores cheios de fé,
que obedecem cegamente aos seus orientadores?
Creio que não. Não podemos atingir
a fase adulta sem passar pela infância
e pela adolescência das fases preliminares
das nossas crenças...
Não creio em nada que não seja concreto,
palpável. Hoje cedinho ouvi, na televisão,
um comentário interessante:
Deus é concreto, ou abstrato?
Há muitos anos aprendi que substantivo
concreto " era aquele que se podia pegar"
e abstrato, o contrário.
Depois, desaprendi, para reaprender
que os substantivos abstratos indicam ação,
qualidade e sentimentos ou emoção.
Sendo assim, Deus é concreto!
Eu vejo um mundo de suprema realidade,
uma realidade visível, mas sinto que há
uma realidade invisível , embora não tenha
experiência direta da mesma.
Como explicar os mistérios da vida?
Como explicar essa harmonia desarmônica no universo?
O big-bang, os buracos negros, os cometas, os planetas,
as estrelas, a vida no universo?
E transbordo em misticismo ao contemplar
o céu! Ali descubro as minhas origens...
Dentro de mim, as minhas verdades,
as minhas fontes de segurança,
e dispenso todas as seguranças externas...
A verdade é libertadora!
No meu silêncio, na minha solidão,
encontro Deus em tudo.
Esse é o meu caminho...

Sylvia Narriman Barroso


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Um comentário:

Cris Tarcia disse...

LIndo texto, chegou na hora certa, obrigada.

Beijos