7 de maio de 2011

SAÚDE FÍSICA, EMOCIONAL E MENTAL



Um dos principais fatores que perturbam nossa tranqüilidade mental é o ódio. O antídoto é a compaixão. Não devemos pensar na compaixão como sendo apenas a preservação do sagrado e do religioso. Ela é uma de nossas qualidades humanas básicas. A natureza humana é essencialmente amorosa e gentil. Não concordo com pessoas que asseguram que os seres humanos já nascem agressivos, apesar da aparente prevalência da raiva e do ódio no mundo. A partir do momento em que nascemos, precisamos de amor e afeição. Isso é verdadeiro com referência a todos nós, até o dia de morrermos. Sem amor não conseguiríamos sobreviver. Os seres humanos são criaturas sociais e a preocupação de uns para com os outros é a própria base de nossa vida juntos. Se pararmos para pensar, comparados com os  numerosos atos de gentileza dos quais dependemos e a que não damos tanta atenção, os atos de hostilidade são relativamente poucos. Para enxergar a verdade disso precisamos observar o amor e a afeição que os pais despejam sobre seus filhos, e os muitos outros atos de amor e carinho que para nós são como fato consumado. Pode parecer que a raiva ofereça uma maneira enérgica de se fazer obedecer, mas essa percepção do mundo é errônea. A única coisa certa a respeito da raiva e do ódio é que são destrutivos; nenhum bem jamais surge deles. Se vivermos continuamente motivados pela raiva e pelo ódio, até mesmo nossa saúde física deteriora. Por outro lado, as pessoas que permanecem calmas e que têm a mente aberta, motivadas pela compaixão, são mentalmente livres de ansiedade e fisicamente saudáveis. Numa época em que as pessoas estão tão envolvidas em manter sua saúde física por meio do controle da dieta, do exercício físico e assim por diante, faz sentido também tentar cultivar as correspondentes atitudes mentais positivas. Até aqui mencionei como uma perspectiva positiva pode afetar o indivíduo. É também verdade que quanto mais compassiva for uma sociedade, mais felizes serão seus membros. O desenvolvimento da sociedade humana está baseado inteiramente no fato de as pessoas ajudarem umas às outras. Todo indivíduo tem a responsabilidade de ajudar a guiar a comunidade na correta direção, e cada um de nós deve assumir essa responsabilidade. Se perdermos essa humanidade essencial, que é nossa fundação, a sociedade como um todo entrará em colapso. Que motivo haverá, então, para se buscar melhoria material, e de quem poderemos exigir nossos direitos?
A ação motivada pela compaixão e pela responsabilidade trará, no final das contas, bons resultados. A raiva pode produzir efeitos em curto prazo, mas no final só nos trará problemas.
O medo é outro grande obstáculo ao nosso desenvolvimento interior. O medo surge quando suspeitamos de todo mundo. É a compaixão que cria o senso de confiança que permite abrir-nos para os outros e revelar nossos problemas, dúvidas e incertezas. Sem ela, não conseguimos nos comunicar uns com os outros honesta e abertamente. Portanto, desenvolver a compaixão é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o medo. A compaixão é uma qualidade fundamentalmente humana; assim, seu desenvolvimento não está restrito àqueles
que praticam a religião. Apesar disso, as tradições religiosas têm um papel especial a desempenhar no encorajamento do seu desenvolvimento. Todas as religiões, quaisquer que sejam as diferenças filosóficas entre si, estão empenhadas em ajudar seus seguidores a se tornarem seres humanos melhores. Conseqüentemente, todas as religiões encorajam a prática da gentileza, da generosidade e a preocupação com os outros. É por isso que acho tristes e fúteis os conflitos baseados em diferenças religiosas. Acredito, com relação ao mundo em geral, que a compaixão é mais importante que a religião. A população do nosso planeta ultrapassa os seis bilhões de seres. Desses, apenas um bilhão segue ativa e sinceramente
uma religião formal. Os cinco bilhões restantes são não crentes no verdadeiro sentido. Se considerarmos o desenvolvimento da compaixão e de outras boas qualidades como problemas que só dizem respeito à religião, esses mais de cinco  bilhões, a maioria, estarão excluídos.
Como irmãos e irmãs, membros de nossa grande família humana, todos têm o potencial de serem inspirados pela necessidade da compaixão. Hoje em dia enfrentamos muitos problemas globais, como pobreza, superpopulação e a destruição do meio ambiente. Esses são problemas que temos que tratar juntos. Nenhuma comunidade ou nação pode esperar resolvê-los sozinha. Isso indica o quão interdependente nosso mundo se tornou. A economia global está se tornando também cada vez mais integrada, de modo que os resultados de uma eleição num país podem afetar o mercado de capitais em outro. Nos tempos antigos, cada aldeia era mais ou menos auto-suficiente e independente. Não havia nem a necessidade nem a expectativa de cooperação com outros fora da vila. Sobrevivia-se fazendo  tudo sozinho. Mas s situação agora mudou completamente. Tornou-se muito antiquado pensar apenas em termos de minha nação ou de meu país, muito menos de minha aldeia. A responsabilidade universal é a verdadeira chave para superar nossos problemas.
Dalai Lama
Fonte: http://www.editorateosofica.com.br


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