30 de junho de 2011

PERFEIÇÃO VERSUS PERFECCIONISMO


As tendências ao perfeccionismo têm raízes profundas e escondidas revelando, às vezes, um grande medo indefinido e oculto. A diferença principal entre um indivíduo saudável e o perfeccionista é que o primeiro controla sua própria vida, enquanto o segundo é controlado sistematicamente por sua compulsão pertinaz.
Trazemos como somatório de múltiplas existências crenças negativas de que nosso valor é medido por nossos de­sempenhos bem-sucedidos e que os erros nos rebaixariam o merecimento como pessoa. Daí as emoções desconexas de medo, de desagrado e de punição. Como exemplo, pensamos inconscientemente que, se formos imperfeitos e falhos, as pes­soas não vão mais confiar em nós, ou jamais teremos sucesso na vida, O transtorno dos perfeccionistas é não se aceitarem como espíritos falíveis, não aceitando também os outros nessa mesma condição, tentando assim agradar a todos e lhes corres­ponder às expectativas.
Às vezes os perfeccionistas podem até pensar, mas não admitem: “se eu fracassar, vão me criticar”; em outras ocasiões, insistem em dizer que “não pensam assim”, demonstrando, porém, o contrário, pois ficam profundamente descontrolados quando cometem algum erro.
Cenas fixações pelo desempenho perfeito são necessida­des de aprovação e carinho que nasceram durante a infância: “Se você não fizer tudo certinho, a mamãe e o papai não vão gostar mais de você”. São vozes do passado que ecoam até hoje nas mentes perfeccionistas.
Esses distúrbios de comportamento levam, em muitas situações, os indivíduos a uma lentidão superlativa para fazer as coisas. Querem fazer tudo com tantos detalhes e precisão que nun­ca acabam o que estão fazendo. Outros são conhecidos pelo nome de proteladores, ou seja, adiam sistematicamente a ação, por te­mer um desempenho imperfeito. Por exemplo, se começam a apontar um lápis, levam o objeto à destruição em alguns minutos, pela bus­ca milimétrica da perfeição. Outros sintomas ou sinais mais comuns: certas pessoas são obcecadas em dispor as coisas simetricamente, de modo que não fiquem um centímetro fora do lugar. Quanto mais verificam, mais querem checar e mais têm dúvidas.
Os perfeccionistas necessitam ser impecáveis, respondem a todas as perguntas, mesmo àquelas que não sabem corretamente. Por possuírem desordens psíquicas, buscam incessantemente controlar a ordem exterior, vigiando os comportamentos alheios como verdadeiros juízes da moral e dos costumes.
Por não admitirmos o erro e por não percebermos que o único fracasso legítimo é aquele com o qual nada aprendemos, é que os conceitos de perfeição doentia perturbam constantemente nossa zona mental. Por isso, o erro não deve ser considerado como perda definitiva, mas apenas uma experiência de aprendizagem.
“Sede pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito” - disse-nos Jesus Cristo. Entretanto, não nos conclama com essa assertiva para que tomemos “ares” de perfeição presun­çosa, e sim que nos esforcemos para um crescimento gradual no processo da vida, que nos dará oportunamente habilidades cada vez maiores e melhores.
Somos todos convocados pelo Mestre ao exercício do aperfeiçoamento, mas contemos com o tempo e a prática como fatores essenciais, esquecendo a perfeição doentia, atrelada a uma “determinação martirizante e desgastante”, que nos faz despender enorme carga energética para manter uma aparência irrepreensível.
Repensemos o texto cristão, refletindo se estamos bus­cando o crescimento rumo à perfeição, ou se estamos simulando possuir uma santidade que não suporta sequer o toque da menor contrariedade.
Francisco do Espírito Santo Neto, ditado pelo espírito de Hammed, in
Renovando atitudes
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4 comentários:

Jorge disse...

Belíssimo texto.
Aperfeiçoar-se não significa apegar-se ao que achamos perfeito.

Coração, um beijo de luz!!!!

Regis Mesquita disse...

Ao perfeccionista falta a humildade de saber que o servir tem sempre que mudar a forma, a hora e o local. Fazer para servir, acho que esta é forma suprema de amor.

Seu site é super legal, inclusive a música.

Abraço fraterno,

Regis Mesquita
http://nascervariasvezes.blogspot.com/
http://caminhonobre.com.br/

MARIANGELA BARRETO disse...

Excelente postagem.. o texto nos alerta que esta tendencia esconde na realidade um profundo medo que se origina na infancia.."Vozes do passado que até hoje ecoam nas mentes perfeccionistas".
O Autoconhecimento auxilia a identificar a necessidade de trabalhar o aperfeiçoamento sem a fixação pela perfeição doentia..

Namastê!

Nectan Selos disse...

Patricia

tem um selo no meu blog SELOS DO NECTAN te aguardando. Quando puder, dá uma passada lá, tá bom?

Um beijo!!!