29 de julho de 2011

A ÁGUA DA VIDA



Todos dormem.
Abandonei-me ao sono, mas ele não me transportou.
Por toda a noite contei estrelas no céu.
O sono fugiu de meus olhos
para nunca mais voltar: tragou o veneno da separação, expirou.
Saberias preparar um remédio feito da matéria do encontro
e dá-lo ao ferido que te entregou olhos e coração?
Não feches de vez as portas da caridade.
Se não serves o puro vinho,
serve ao menos a dose mínima do mosto.
Deus encerrou todas as delícias num único aposento.
Ninguém sem tua ajuda jamais encontrou
Caminho seguro para esse refúgio.
Se me reduzi a pó no caminho do amor,
não me julgues com desprezo;
como pode ser pequeno aquele
que bate contigo à porta da união?
Enche de pérolas nunca vistas
a manga deste manto que de meus
olhos tantas lágrimas enxugou.
A cada vez que a ronda do amor assalta alguém
na noite escura, tua lua aperta-o compassiva
contra o peito cor de prata.
Quando o coração errante retorna de tua graça
conta a história da noite, do disco da lua, do camelo, do curdo.
Eram seres indistintos originados da água.
Vieram então ao mundo, este lugar frio, que os congelou um a um.
Em nosso corpo, o sangue é a doce água da vida.
Vê como tudo se iguala, quando brota da fonte do coração.
Não congeles a água da fala, nem a retires de sua fonte,
para que não seja seda fina deste lado nem farrapo do outro.
 Rumi

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