2 de julho de 2011

O LOUCO


"Tem gente que me pergunta como foi que enlouqueci. Foi assim: certo dia,
muito antes dos deuses nascerem, acordei de um longo sono e descobri que
todas as minhas máscaras tinham sido roubadas -
as sete máscaras que eu tinha feito e usado em sete vidas -
e sai correndo pelas ruas apinhadas de gente, gritando:
_ Ladrões, ladrões, malditos ladrões!
Os homens e as mulheres riam, mas alguns 
correram pra casa com medo de mim.
E, quando cheguei à praça do mercado, um jovem 
que estava no terraço de uma casa gritou:
_É um louco!
Ergui os olhos p/ ele e o sol beijou meu rosto nu pela 1ª vez.
Pela 1ª vez o sol beijou meu rosto nu e minha alma
inflamou-se de amor pelo sol e não quis saber mais de máscaras. 
E gritei em transe:
_Abençoados, abençoados ladrões que roubaram minhas máscaras!
Foi assim que enlouqueci.
E encontrei liberdade e segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aqueles que nos compreendem nos escravizam de algum modo.
Mas não quero ficar orgulhoso demais de minha segurança.
Nem na cadeia um ladrão está a salvo de outro ladrão"
Gibran Kalil Gibran, in
O Louco

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Um comentário:

Jorge disse...

Adoro Gibran

Para que as máscaras? Medo?
Tão maravilhoso ser louco pois se é autêntico.


Beijo, Anjo!