7 de agosto de 2011

O ENCANTO DOS ORIXÁS



Os Orixás, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteísmo mas concretizam, sob os mais diversos nomes o único e mesmo Deus.
Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual.
Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida das matrizes da mais genuína brasilidade, feita de europeus, africanos e indígenas.
O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento incessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso país, criando um sistema coerente.
Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as cria como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las.
Este, se sacramentaliza nos elementos da natureza com nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus. A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas.
Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente ás flores e á luz, realidades sutis e espirituais.
Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York, que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos, elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título: "O Encanto dos Orixás", desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas místicos como: Álvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T.S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza dos espíritos exige.
Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem, também era uma religião de escravos e de marginalizados:
“Os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores"
Talvez algum leitor estranhe que um teólogo como eu, diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo:
Um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus, que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desdobra de nossas cabeças e dogmas.
Leonardo  Boff
Fonte http://www.paimaneco.org.br

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3 comentários:

Doroni Hilgenberg disse...

Interessante e didático seu texto. Não é isso que a gente ouve falar da Umbanda, pois as religiões, seitas, dogmas, variam conforme seus Agentes e suas classes. Eu acho que cada um deve seguir sua indole sem fazer mal ao proximo. A natureza é bela e a vida é sublime. bjs

LUCONI disse...

Amiga como estou feliz de aqui em seu espaço de luz ler este artigo, trabalho tanto na Umbanda como na linha branca, tanto que tenho um blog para cada um, e a Umbanda na qual iniciei em primeiro lugar mora no meu coração, sempre fui de defender os injustiçados e a Umbanda foi e é muito injustiçada, médiuns que não souberam usar o livre arbítrio e se deixaram levar pela materialidade, pela maldade, pelo poder, muito prejudicaram o seu nome. Umbanda é paz amor e caridade e meus mentores kardecistas deixam bem claro que na espiritualidade não existe divisões, cada um trabalha em sua seara e o intercambio de auxílio é muito comum, tanto eles entram no templo umbandistas para recolher os casos que a elespertencem como os irmãos da Umbanda os ajudam em seus trabalhos, na minha última postagem da Umbanda, a psicografia do Sr. Zé Pilintra do catimbó, mostra uma experiência que ocorreu com ele mesmo, e deixa bem claro a atuação de todas as linhas, te aplaudo de pé por postar mensagem tão esclarecedora, o certo era todos nos unirmos pela religião do amor, as doutrinas que cada um acredita não importa, mas as Leis do Amor sim, beijos Luconi

Esperança disse...

Amada irmã,

adorei a postagem sobre a Umbanda.

abraços de luz