6 de fevereiro de 2012

VANTAGENS DO ESQUECIMENTO

 Michael Parkes

Em certas criaturas é visível a rejeição que fazem para aceitar as coisas novas que vão surgindo em sua trajetória vivencial. A natureza em nós é força de progresso, e os homens evoluem sempre, não porém ao mesmo tempo e da mesma forma, mas naturalmente, obedecendo ao seu próprio ritmo.O nível de saúde mental é medido a partir do grau de adaptação da criatura ao fluxo das novas idéias que aparecem de tempos em tempos, como fatores de progresso das almas.No entanto, certas pessoas se orgulham ao proclamar-se conservadoras, esquecendo-se de que o “comodista”, por medo ou estagnação, perde sua liberdade por não querer correr o risco de sair do lugar-comum.Estão sempre lembrando uma época de felicidade, suspirando por sonhos antigos que não se realizaram, revivendo o passado, repisando as suas e as opiniões erradas dos outros e justificando-se agarradas às lembranças de vidas passadas.Vivem presas nos “ecos do pretérito”, sem produtividade, sem retirar benefício algum da observação dos fatos, por não saber integrar passado e presente.Se demonstrassem algum interesse para com uma só expe¬riência nova, talvez promovessem mudanças lucrativas em seus padrões mentais. Passam por diversas experiências, não apren¬dendo uma única lição sequer.
A cada etapa da existência, acumulamos valores intelec¬tuais e emocionais que nos diferenciam sensivelmente de como éramos há pouco tempo. Sempre nos são dadas constantes oportunidades de modificação e melhores concepções de vida, estimuladas pelas circunstâncias vivenciadas nas múltiplas ex¬periências reencarnatórias que tivemos.
Por que, então, não deixar o passado passar?
Ficamos retidos a idéias e conceitos que nos foram válidos em determinadas épocas de nossa vida; atualmente, porém, é preciso renovação e libertação dos ranços do pretérito em favor de um presente atuante e vantajoso.
Quando escutamos a formulação de idéias novas, tomamo¬-las por velhas idéias ou pensamos que podem ser interpretadas ou explicadas com o auxílio dos velhos conceitos. Estamos de tal maneira arraigados ao passado que deixamos de crer que possam existir novas maneiras de ver e interpretar.
“Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa ve¬lha, porque tiraria a consistência da roupa e o rasgão ficaria pior”, (1) observou Jesus Cristo aos que, diante dos novos ensinamentos dos quais Ele era portador, ainda permaneciam enraizados aos costu¬mes e práticas farisaicas, que impediam os impulsos de amadureci¬mento das almas.
“Se Deus julgou conveniente lançar um véu sobre o pas¬sado, é porque isso devia ser útil”.
O momento presente é o ideal para o nosso progresso, e nós só podemos “sentir o aqui e o agora”, pois tentar sentir o ontem é “ressentir”; por conseqüência, nem sempre são válidas e autên¬ticas nossas emoções do ontem para avaliação do nosso tempo presente.
Essencialmente, a voz da consciência e as nossas tendências instintivas são os melhores meios de ação, conforme nos indica o texto em estudo.
Cada dia é uma nova oportunidade para nos desvenci¬lharmos de velhos conceitos, idéias fixas e reflexões obsoletas. Aproveitemos, portanto, a “vantagem do esquecimento”, que nos concede a Divina Providência, para transformarmos nossa presen¬te encarnação em fonte de novos suprimentos destinados a tornar mais felizes as encarnações futuras.
Espírito de Hammed, in
Renovando atitudes 
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