Nos tempos antigos, houve um rei poderoso que partiu do
país à frente de um grande exército para se ilustrar em conquistas. Incendiou
as cidades e as aldeias e reduziu os habitantes à escravidão. Depois, mandou
gravar no bronze seus feitos de armas e conquistas. Enfim, mandou erigir um
mausoléu gigantesco, e deu ordem que embalsamassem o seu corpo com perfumes
preciosos para vencer a própria morte.
Mas o nome desse rei nos é desconhecido. Nossa face não
se ilumina, nosso coração não bate mais depressa, quando dele ouvimos falar, e
dia virá em que a chuva e as intempéries terão destruído até a última pedra do
seu túmulo, e as tempestades de areia terão sepultado os seus vestígios como se
jamais tivessem existido...
Há muito tempo, viveu também outro rei. Não tinha
soldados, pois não derramava sangue nem incendiava casas, não imprimiu seu nome
na rocha, mas gravou-o no coração dos homens. Estendia as mãos aos pecadores
para erguê-los, depunha docemente o dedo sobre a fronte ou os olhos dos doentes
para curá-los, iluminava a angústia dos pobres com o clarão da sua
misericórdia. Prodigalizava a mais profunda compaixão àqueles que mais
impiedosamente o perseguiam, e empenhava-se com ardor em livrá-los da maldade e
do erro, por seus conselhos e exemplos. Perseverou até a cruz na paciência e no
perdão.
Não construiu nenhum mausoléu como os reis da
antigüidade, e, contudo vê-se em todas as grandes cidades, como nas mais
humildes aldeias, erguer-se para o céu a morada consagrada aos seus serviços, e
até ainda mais alta que as habitações humanas, não longe nas neves eternas, e
ressoam sinos de campanários em lembrança da obra-prima de seu amor.
Vejam o poder da bondade é mais duradouro que o poder das
armas. Ilumina aos que se perdem como faz a luz da casa paterna, na escuridão
da floresta.
Não temam nunca que a bondade e a caridade sejam
prodigalizadas em vão, mas esforcem-se por que obra inteira de sua vida seja a
bondade absoluta! Uma palavra suave, um ato de amor, eis o que é imortal, eis o
que triunfa da ira e do desprezo e tributa glórias a Deus nosso Pai, eis o que
será celebrado em silêncio e para sempre, em todos os séculos, no coração dos
pobres e dos abandonados.
Friedrich Wilhelm Foerster
Fonte: http://lucio-vergel.blogspot.com

2 comentários:
Querida amiga Patrícia, lindo texto...o amor e a bondade sempre prevalescem, por isso, sempre vale a pena ser bom.
Tenha uma semana de muita luz!♥
Façamos nossa pequena parte todos os dias, lembrando de fazer o bem também a nós mesmos.
Beijos, namaste!
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