6 de setembro de 2012

O PODER DA GENEROSIDADE




Quando penso nas qualidades espirituais que podemos demonstrar e entregar à vida, a generosidade sempre se apresenta no topo de minha lista. Penso que essa qualidade engloba muitas outras como o desapego, a compaixão, o amor fraterno, a justiça, a tolerância, a amizade e muitas mais.

Exercitar nossa generosidade é ser capaz de ampliar nossos sensores para, verdadeiramente, enxergar o outro e suas reais necessidades, pois ser generoso não é dar o que nos sobra, mas oferecer o que o outro precisa. E isso demanda uma capacidade extraordinária de sair das fronteiras internas, atravessar o deserto de nossas necessidades e entrar no território do inteiramente outro.

É sempre bom lembrar que onde há fronteira, há medo. Sendo assim, ao cruzarmos esses limites que aparentemente nos protegem, realmente rompemos com aquilo que nos isola de todo o conjunto da humanidade. O exercício da generosidade, portanto tem o poder de nos permitir sair da ilusão da separatividade e experimentar a unidade.

Um exemplo contundente de generosidade que pude apreciar foi trabalhando com mulheres de baixíssima renda. Quando elas têm, compartilham com suas vizinhas que necessitam muito, mesmo que o que elas tenham não seja um excesso, é apenas o essencial, mas há absoluta clareza daquilo que é prioridade a cada instante. Então, se uma tem um kilo de arroz, vai compartilhar hoje com a vizinha que não tem arroz nenhum, mesmo que amanhã ela também não tenha por conta dessa partilha.

Contudo, amanhã é outro dia, hoje é preciso atender a necessidade premente daquela que precisa para alimentar a si e a seus filhos. É uma confiança profunda no fluxo e um senso de prioridade sem nenhum outro critério que não seja o que é realmente necessário para o agora. Essa é a verdadeira generosidade, que não é fruto dos excessos, mas deriva de um olhar atento, um coração aberto e um espírito confiante.

Quando penso no caminho da iluminação, da ausência de todo medo, do amor incondicional, da aceitação de todos os processos e da entrega a todos os desígnios, lembro-me sempre do exemplo generoso dessas mulheres. E, apesar da carência de coisas muito básicas, há um senso de tranquilidade, uma confiança sem estresse e um desfrutar de felicidade que poucas vezes pude constatar em indivíduos com grande  segurança financeira.

Pode faltar o básico, mas tudo é prosperidade quando o essencial é ofertado. É é preciso que a essência transpareça na existência, como ensina Roberto Crema, reitor da UNIPAZ. E, para aqueles que têm grande volume de recursos materiais nem sempre a generosidade está em oferecer do que se tem, mas especialmente do que se é. Um filho pode ficar feliz com um novo brinquedo, um aparelho tecnológico, um carro ou uma viagem, mas é na oferta generosa do tempo, da atenção, do afeto e da partilha de visões de mundo que esse filho encontrará a verdadeira condição de perceber e trilhar o caminho de sua realização.

O que é preciso e o que é necessário? Essa distinção é a chave da generosidade. Entregar o que é preciso sempre, mas perceber o que é necessário prioritariamente. Quando temos um olhar aberto, atento e perceptivo para aquilo que realmente está acima de qualquer outra necessidade, inclusive as nossas, então estamos exercitando a generosidade.

E para que? Qual o propósito em ser generoso? Além do benefício imediato do atendimento das necessidades, da prática do bem e do progresso justo e próspero, há um elemento que pode fazer toda a diferença quando exercitamos nossa generosidade. É adentrar no campo sagrado da confiança pura e viver, mesmo que por instantes, fora da  tirania do medo.

Esse desabrochar interior que a ausência de medo oferece é o salto quântico da realização plena, as asas da borboleta no coração de nossa existência. É sutil, imponderável e profundamente transformador. Não somos mais os mesmos, não vivemos mais na mesma realidade e não tememos mais o que temíamos. É a mutação da visão, em uma microdimensão. Contudo, se seguimos no exercício da generosidade, então ganhamos aos poucos uma visão nova, até que todo o macrouniverso também se modifica. Então, não só nós podemos ver diferente, mas todos podem viver num lugar diferente e melhor, e tudo graças a generosidade!

Dulce Magalhães
Fonte: http://www.editorateosofica.com.br/loja/artigos.asp?item=185&idioma=

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Um comentário:

Mari Rehermann disse...

Patrícia, não tem como passar por aqui e não sair melhor!! Mais iluminada, mais consciente...parabéns pelo teu trabalho de luz!! Linda mensagem!!

Tenha um feriado iluminado!!
Beijos!♥